CASCAVEL - Leva assinatura do mastodôntico Fábio "Rhino" Oliveira o vídeo aí abaixo. É um tíser, ou um vídeo-release, nunca sei direito diferenciar essas querelas técnicas, produzido no último fim de semana de janeiro, durante a nona edição do concorridíssimo Super Kart Brasil.
Aliás, se já tratamos de aportuguesar teaser para tíser, por que não verter release para relise? Teríamos, nesse caso, o videorrelise como opção para o belo material que o Rhino preparou.
E esse Super Kart Brasil, hein? Coisa de primeiro mundo. Ainda trago esse troço a Cascavel, vocês vão ver.
CASCAVEL - Acidente em corrida do último fim de semana no kartódromo de Goiânia. A imagem foi trazida ao Twitter pelo jornalista Amauri Garcia, da Rádio 730 AM.
"Acidente flagrado pelo amigo Weslei Damas no Kartódromo de Goiânia. Como disse ele, no final salvaram-se todos...", escreveu Garcia.
Esse negócio machuca, infelizmente. Já vi acidentes bem parecidos com o de Goiânia.
CASCAVEL - O Super Kart Brasil, visto por quem é do ramo como única iniciativa realmente viável no primeiro escalão do kart brasileiro, chega nesta semana à sua nona edição. Serão 28 corridas entre sábado e domingo no kartódromo de Interlagos, nas categorias Super Cadete, Júnior Menor, Thrustmaster Júnior, Graduados, Sénior, Super Sênior e KZ2 – logo, duas de cada categoria por dia.
Uma das novidades da edição desta semana fica por conta da transmissão ao vivo de todas as corridas pela internet, nos sites do Mundo Motor e da Rádio Digital Brasil. Coube ao Ricardo Fávaro, parceiro dos bons, operacionalizar a coisa toda, com parceria da AmericaNET. O comandante Sérgio Rodrigues - que semana passada ralou um bocado na produção técnica dos shows de Luc & Juli e Everton & Alex em São Paulo - também está no time da transmissão, que vai contemplar entrevistas e reportagens ao longo do fim de semana.
A programação do Super Kart Brasil 9 está nesse link aqui. Pena eu estar longe - vou poder ver pelo site, pelo menos.
CAMPO GRANDE - Quem ligou cedo, hoje, foi o Orlei Silva, fotógrafo de automobilismo e pau-pra-toda-obra em geral. Ligou puto. Manifestou estarem putos ele e outros tantos que acompanham o Paranaense de Kart em Londrina. O campeonato perdeu espaços nas páginas esportivas e ganhou menções nas páginas policiais, dada a série de furtos verificada ontem no Kartódromo Luigi Borghesi.
O próprio Orlei teve furtadas uma câmera fotográfica Canon 7D e uma lente 70/200 2.8L, que segundo ele estavam acomodadas na sala reservada aos comissários da competição. Além disso, narra o ilustre retratista, seis caminhonetes de equipes, entre elas a do cascavelense Oracildes Tavares, tiveram furtados os pneus estepe. Esses veículos repousavam no estacionamento do kartódromo.
Todos os boletins de ocorrência foram providenciados e os desportistas vitimado pelas mãos leves em Londrina cobram providências concretas da equipe responsável pela segurança do local. Quase que por desencargo de consciência. Poucos acreditam, de fato, que algo vá ser resolvido.
CASCAVEL - A Suzane Carvalho foi quem postou na internet esse projeto de kartódromo que, segundo ela, foi apresentado por candidata a vereadora indicada como Carla Du'Kart.
Tenho de admitir que a ideia da tal candidata é genial, sobretudo sob o ponto de vista publicitário. Talvez a curva parabólica que forma a letra O castigasse em demasia os frágeis motores dos karts, o que seria o menor dos problemas. Talvez fosse uma ideia inexequível em Vila Bela da Santíssima Trindade. Ou, mais ainda, nessa cidadezinha da Nova Zelândia.
O problema é que é no Rio, e no Rio as coisas parecem ser um tanto estranhas. Tomara que vingue.
PORTIMÃO – E enquanto assisto na tevê ao bom clássico Benfica x Porto, por enquanto empatado por 2 a 2, o pentelho do André Pedralli vem me encher o pacová com sua caça a patrocínio para correr de kart. Quer disputar na semana que vem as quatro baterias da categoria Graduados Sudam no conceituado Super Kart Brasil, organizado pelo meu sócio Sérgio Jimenez e seus blue caps.
Dei-lhe, ao André, no caso, alguma atenção, já que isso me fez lembrar do meu passado, certa vez, e isso já tem seus 18 anos, acabei recorrendo a ação similar atrás de uma verbinha para correr de kart, ação que teve como alvo um sujeito até então desconhecido por mim, o Clóvis Grelak, com quem trabalho há quase 12 anos, hoje somos sócios e tal.
O André, já foi campeão brasileiro de kart, escreveu um tratado de Tordesilhas descrevendo os custos da competição, chegou a um total um pouco acima de nove mil reais, e garante que, em seu jeitinho caseiro, consegue ser competitivo com cinco mil. Tem dois mil e quinhentos em patrocínio, falta-lhe metade.
O assunto foi abordado por ele e pelo Victor Martins no Twitter, e a primeira manifestação que vi já rendeu pelo menos 50 pratas. Estou contando minhas moedas aqui pra ver se ajudo com alguma coisa também, pelo menos dois euros já estão garantidos, vou quebrar o porquinho pra ver se sai mais algo.
A etapa do SKB vai contemplar Campeonato Paulista e Copa Sorriso Campeão, e a soma toda do programa que me pareceu um tanto confuso é que estarão em jogo três vagas para a final da Seletiva Petrobras. E essa final vale uma verba de R$ 115 mil ao campeão. Já teve um cascavelense, o aposentado Guilherme de Conto, que ganhou esse cheque. Se o Pedralli faturá-lo em 2012, poderá garantir uma parte do projeto para 2013. Ou o projeto todo, quando novidades aí do Brasil vierem à tona.
Façam contato e deem uma força ao André, o Twitter dele é @pedralli02 e ele fica tuitando o dia todo. Apressado, já até deixou a conta para depósito bancário dos eventuais apoios:
Banco: Banco do Brasil Titular: Pedralli Participações Ltda. Agência: 1187-8 (Maringá Velho) Conta: 25210-7 CNPJ: 10.903.175/0001-62
Hoje à tarde foi o André Pedralli, que é um dos sei-lá-quantos cascavelenses campeões brasileiros de kart, que esteve no Kartódromo Delci Damian, também em obras, e filmou uma volta pelo traçado de um quilômetro. Coincidência pura, já que só vi a indicação do vídeo agora, chegando em casa depois de um roteiro que incluiu uma passagem por frente do kartódromo e uma parada para fazer umas fotos, que como se vê saíram bem mequetrefes.
Dei uma olhada nas obras, que começaram ainda no ano passado, lá de fora, mesmo, sem entrar. Me chamou atenção o atalho que se está construindo da saída da curva da Ferradura até a nona curva da pista, a que dá acesso ao miolo de baixa velocidade, a sequência de esses que antecede a reta dos boxes.
Essa parte que entendi como sendo um novo trecho da pista, e que vai encurtar bastante o traçado, aparece aos 35s e a 1min15s do vídeo que o André fez, esse que está aí abaixo.
Dá para ver que, dentre várias outras melhorias e adequações, o traçado todo está sendo alargado, coisa de um metro ou um pouco mais. Como eu disse, olhei de fora do alambrado, e mesmo se tivesse entrado a imprecisão seria mantida, já que não ando com fitas métricas no bolso. Também removeu-se bastante terra dos barrancos ao lado do kartódromo, é de se imaginar que aquele espaço poderá ser tornar algo como arquibancadas naturais.
É sabido que o kartódromo de Cascavel vai receber neste ano uma das etapas do Sul-Brasileiro de Kart, parece-me que a segunda. E há muito mais gente, além de quem promove e/ou disputa o Sul-Brasileiro, de olho no resultado dessa reforma. Eu, inclusive.
Agora, com a licença dos senhores, vou voltar ao que estava fazendo - vendo a nona etapa do Sul-Americano de Fórmula 2 de 1986, disputada no autódromo daqui. O Fred Sabino fez menção a essa corrida hoje, no Twitter, fui buscar aqui mesmo no blog a postagem da transmissão da TV Tarobá e acabei acionando o vídeo. Se quer assistir a uma corrida de verdade, o vídeo está aqui e tem duração de 67 minutos.
Aos fãs de Ayrton Senna, é um material de garimpo a entrevista com Angelo Parilla que o Kart Online publicou anteontem. Angelo foi guru e chefe de equipe de Ayrton nos tempos de kart na Europa.
O vídeo tem meia hora e é também um excelente exercício para quem está aprendendo inglês e precisa praticar. Italianos falando inglês sempre são uma ótima opção para um listening.
Interessante o material que vi agora, no e-mail, mandado pelo Rafael Durante.
A iniciativa é de Paulo e Binho Carcasci, irmãos de passado rico na pista que hoje, dentre vários outros afazeres, organizam e promovem a Seletiva Petrobras de Kart. Eles anunciam para dia 12, lá na pista de kart da Granja Viana, a apresentação de uma nova categoria de monopostos.
Fórmula +, é seu nome. Imagino que a pronúncia seja “Fórmula Mais”. O discurso que cerca o trabalho é conhecido – proposta inédita para formação de jovens pilotos, fomento ao esporte de base, aquela toda coisa. Os monopostos são fabricados na Itália e vão proporcionar uma relação peso-potência superior à do Shifter Kart, é o que informa o comunicado do Durante.
A apresentação do dia 12 será aberta a chefes de equipes e jornalistas interessados. Nunca sou interessado, mas estarei vagando por São Paulo nesta data e é bem possível que dê um pulo até à Granja para ver a coisa de perto. Não conheço os Carcasci – na verdade, para bem me fazer entender, eles não me conhecem –, mas a assinatura deles suscita algum respeito à iniciativa da Fórmula +.
Uma brincadeira numa das pistas de kart aqui ao lado do autódromo marcou o fim do expediente de ontem. Bem disposto, fiz minha inscrição e para lá fui determinado a mostrar pra todo mundo como é que se faz aquilo.
O saldo não chegou a ser tão trágico quanto na experiência anterior, de 14 meses antes. Mas teve lá seu teor traumático. Não larguei em último, no treino classificatório fui mais rápido que uns 12 ou 13, e foi o que de melhor fiz. Nos comparativos dos tempos de volta mais rápida de cada, hã, piloto, fiquei além da margem imaginária dos 107%, utilizada em categorias de menor projeção como a Fórmula 1. Não sou um gênio da matemática, quem fez as contas meu parceiro de locução Osires Júnior.
Corridinha de 23 voltas, encostei depois de 17 e fui pro chuveiro, com os braços e pernas doendo um bocado. Falta de prática. Se continuasse, ia fazer alguma merda, e aquilo machuca. Perdi a mão da coisa, essa é a verdade.
Um episódio sem importância, enfim. Hoje há todo um dia pela frente. Dia que começou com um colega de evento me alertando, durante o café da manhã no hotel, que havia uma barata passeando pelo meu boné da TNT Energy Drink.
Não que eu seja o cara ocupado do mundo, talvez o mais enrolado. Fato é que hoje consegui, no que mereceu um "por incrível que pareça" público, prestigiar os amigos que se encontraram na Granja Viana para uma corrida de kart, Copa São Paulo é o nome do negócio, categoria Pró-500. Entre os pilotos e sapos de plantão, Caê Coelho, Danilo Gaidarji com a Regi, Fabrício Vasconcelos, Léo Garcia, Marçal Melo, Pedro Queirolo, Paulo Tohmé, Pedro Rodrigo com a Natália, Rodrigo Duarte, Rogério Tranjan com a Cris, Ronei Rech, Torrão Ciotti e Vanuê Faria, que me perdoem os eventualmente não citados, puro esquecimento.
Papo legal, faltou a cervejinha que acabou ficando para o happy hour de amanhã – e ai de mim se furar com a rapaziada pela enésima vez... –, e muita risada. Sobretudo ao final dos 80 minutos da corrida, que teve 25 duplas na pista.
Nas voltas finais, busquei na referência visual quem eram os dois primeiros colocados. O líder era o kart azul número 45, não sei quem era o piloto. O segundo era o kart verde número 14, soube durante a premiação da classe Light no pódio, que era pilotado por Bruno Grigatti, a quem nunca vi mais gordo. Acabou, para desespero próprio, protagonizando o principal momento da corrida.
Bruno, por alguns minutos, conquistou minha torcida. Vinha sendo mais rápido que o “Azul 45”, assim vou chamá-lo para utilizar o termo empregado na locução de arena por meu colega Ademir Capelo. Estava chegando, teríamos disputa direta pela liderança nos últimos momentos. E tivemos.
A duas ou três voltas da bandeirada final, o Azul 45, e já dispenso as aspas para ele, saiu da pista. Foi tirado pelo verde, acusou, a meu lado, o Léo Garcia. Honestamente, não vi isso. Só vi Azul 45 fora da pista e o Verde 14, era assim que eu o conhecia até então, liderava. Até que veio a última volta.
Bruno Grigatti, já tomo a liberdade de tratá-lo pelo nome que levantei momentos depois, apontou na reta de chegada. Ficou em pé no kart, começou a dar socos festivos no ar. Era uma vitória, afinal. Seria. Ainda faltava uma volta. Bruno, por quem eu havia torcido tanto por vários minutos, errou nas contas.
A comemoração pelo que pensava ser a consagração na pista permitiu a Bruno cumprir lento a volta de desaceleração. Cumpriu-a literalmente. Tirou o pé, nem fez questão de se manter no traçado selecionado para o evento de hoje. Encurtou o caminho por algo como um anel externo da pista, o que imagino ser permitido para quem está na volta da vitória, e tomou lento o caminho dos boxes. Foi lá, na entrada dos boxes, que um bandeirinha avisou a Bruno que a corrida não havia acabado.
A foto lá de cima, distribuída aos quatro ventos tuíticos pelo Fabrício Vasconcelos, mostra Grigatti completando a corrida enquanto secava as lágrimas de decepção pelo erro que havia acabado de cometer. Dei um corte na foto, em que Fabrício destacou o piloto, e que também mostra a reação de parte da torcida presente. Houve reações festivas e hostis, intuí que Grigatti não é exatamente campeão de popularidade.
Parênteses sobre a foto. A mão enfaixada que aparece no lado direito é a do Sérgio Rodrigues, que tem alguma função importante na aviação. Semanas atrás, ele foi dar tchau pra hélice de um ultraleve e acabou dando tchau foi pra metade da mão. Fecha parênteses.
Enfim, Grigatti e seu parceiro acabaram desclassificados da corrida, parece que pelo corte de traçado na volta de festa que era na verdade a última volta da corrida. A vitória ficou com a dupla do Preto-e-Branco 71, para manter a lógica de nomes falsos, mas esse acabou punido em tempo por um toque logo após a largada no kart de Pedro Queirolo – assustei-me de verdade com a posição perigosa em que seu kart ficou parado na contramão, de frente para todo mundo; Queirolo, e até aquela altura eu nem sabia que se tratava dele, largava da primeira fila. Acabou vencendo a dupla do Preto-e-Vermelho 100.
Nada disso importou. A imagem do dia foi a da comemoração equivocada de Grigatti, que desceu a reta com estilo, em pé no kart. Foi pena. Eu, afinal, nem o conheço, e por motivos óbvios nada tenho contra ele. Mas parece que a rapaziada que corre na Granja Viana tem.
A história do evento já deve ter sido contada por quem de direito com seus fatos mais interessantes. Como o BLuc é um espacinho meu e devo ser o único que o lê, faço aqui um registro meu da minha participação no Barrichello Kart Day, anteontem na Granja Viana. Foi a segunda edição de uma farra armada por Rubens Barrichello, onde jornalistas que atuam no automobilismo vão para a pista em provas de kart. Foram 36 participantes, fiquei em 16º lugar, nada mau para alguém que, até então, só havia estado lá para narrar as 500 Milhas do ano passado.
O que passa pela cabeça de Rubens para ter tamanho empenho? Nada mais que dar aos jornalistas, àqueles que noticiam suas atuações nas pistas, a oportunidade de um contato direto com uma ultrapassagem, uma rodada, uma batida, uma retomada de curva, um contra-esterço, enfim, com tudo que um piloto de fato faz. É bem verdade que vários desses escribas são kartistas muitíssimo bem treinados, o que não lhes tira o mérito pela vantagem quase covarde sobre nós, simples mortais. Vamos ao resumo, antes que comece a minha choradeira.
Como contei no post aí de baixo, eu não sentava num kart há uns bons quatro anos. Já podia antever trocadilhos infames como “Luc Duno” ou coisa do gênero. Antes de todos irem à pista, Rubens distribuiu dicas sobre traçado, zebras, retomada, essas coisas. Veio me pedir umas dicas, também, não as neguei. Sou humilde, afinal. Durante tomadas de tempo e corridas, metia-se entre os pilotos na pista, seguia os participantes para analisar o que estavam fazendo, depois pulava à frente para que os jornalistas pudessem ter sua referência de pilotagem. Cortesia que me permitiu acrescentar ao parco currículo apresentado no post anterior “um totó em Barrichello na curva 4 da Granja Viana”, deve ter sido meu maior feito numa pista. Até então, porque na própria prova de anteontem eu consegui fazer história.
Já chego lá, vamos por etapas. Rubens e o capitão Anderson Marsili, que ralou duro para organizar todo o evento festivo, contabilizaram 36 participantes. O suficiente para duas corridas com 18 jornalistas, cada, vê-se que sou um gênio da matemática. Cada prova classificava os oito primeiro para a corrida final. Fui escalado para a segunda eliminatória. Na tomada de tempos, fiquei com o nono lugar no grid - observem ali, o kart número 34, na fila da direita, sou o de macacão azul escuro. E meu drama começou duas curvas depois da largada.
A curva três da Granja Viana, um grampo à direita, foi o palco do primeiro salseiro do BKD. Com um monte de gente rodando por ali, fui lá fora para evitar a confusão. Perdi tempo e algumas posições. Cada volta servia para eu assimilar um pouquinho melhor o traçado, até que meu número 34 apareceu no painel da reta, onde só há espaço para os 10 primeiros. Não faltava muito para conseguir a vaga na final. O oitavo lugar veio a umas cinco voltas do fim. Consegui abrir um pouquinho de vantagem, o suficiente para ficar por ali até o final. Nas últimas duas voltas, depois de analisar as besteiras que eu estava fazendo, Rubens veio à minha frente para dar referência, como na foto lá de cima.
Consegui a vaga na final, cruzei a linha de chegada comemorando feito bobo, acho que Carsten Horst fotografou isso – quero consultar seus copiões digitais tão logo quanto possível. Definidos os 16 nomes da final, o céu fechado e eu preocupado com o horário de tomar o avião de volta, fez-se o sorteio dos karts. Para as eliminatórias, cada um podia escolher o kart que quisesse. Para a final, o sorteio me deu o kart número 25. Bem mais rápido que o da prova anterior. Foi o que começou a me trazer problemas.
Primeiro, porque o kart era tão bom que, nos cinco minutos de tomadas de tempo, fiquei receoso ao final da reta. Não fiz a curva um de pé cravado nenhuma vez. Na “Eau Rouge”, depois da retinha oposta, tinha que dar uma bombeada no pedal da direita, escorregava um pouquinho. Não conseguia me acertar com a zebra da penúltima curva, também, na terceira tentativa de volta rápida saltei por sobre ela. Acabei batendo com a costela na parte de cima da lateral do banco e quase parei por ali mesmo, mas respirei fundo, resolvi continuar. Doía pra cacete, e ia continuar doendo se parasse ali.
Toda essa lambança, claro, me deixou em último no grid. Eu tinha inventado um truquezinho na largada que funcionou na eliminatória, mas acabou não funcionando na final. Fiquei em último até a segunda volta, quando começou o que, uau!, poderia ser uma épica corrida de recuperação. Na terceira volta fiz a minha melhor volta no fim de semana, 49s051, bem melhor que os 49s210 que foi o máximo que consegui na primeira corrida. Na quinta, peguei carona numa tentativa de ultrapassagem ao final da reta, houve um toque, rodei, perdi tempo.
O saldo não era tão positivo na 12ª das 25 voltas. Àquela altura, eu vinha em 12º ou 13º lugar e tinha como meta clara não levar volta do líder, embora não fizesse a mínima ideia de quem estivesse ganhando. No mesmo grampo, alguém rodou à minha frente, não lembro quem era. Ficou parado. Era fácil desviar, mas, por condenável reflexo, fiz um movimento muito brusco no volante. Rodei também, ficamos os dois parados na contramão, fora do traçado. Quando pensei em sair dali, surgiu o kart 38, de um tal Milton. Que, em vez de aliviar o pé e ganhar as posições, cravou lá embaixo. Resultado: veio para cima e me acertou de frente.
Lembram da costela que doeu na tomada de tempos? Pois é, tripliquem o golpe com a pancada frontal do Milton. Acho que não freou, sei lá. Ali, sim, era fim de corrida para mim. Ou não. Dor por dor, vai continuar doendo, pensei de novo, então vamos em frente. E voltei. No primeiro trecho em que precisei frear, percebi que a pancada do Milton tinha arrebentado alguma coisa no meu freio. Não tinha nenhum. Pedal frouxo. Ergui o braço e fui para o box.
Aí, outro drama e outra demonstração de falta de preparo por parte de Crocodilo Dundee, no caso eu. A pista de rolamento dos boxes configura uma descida. E eu chegando ali, sem nada de freios. Um monte de gente andando pelo box. Não fazia idéia de como parar o kart. Tentei forçar o pé sobre o pneu dianteiro direito. Não funcionou. Pus o pé à frente do pneu, vejam meu grau de burrice. O pneu “abraçou” meu pé e o foi arrastando por uns 15 metros. O kart parou, minha tática de frenagem foi muito eficiente. Nem Rubens conseguiu, em toda sua carreira, parar um kart do modo como parei o meu nos boxes. Considerando que por um milagre qualquer eu não quebrei o tornozelo, foi melhor ainda. Vendo como ficou o meu tênis, dá para ter uma ideia da consequência que minha besteira poderia ter alcançado.
Mas fiz história, acho que o Felipe e a Vandeide vão encomendar uma placa com meu nome para exibir no kartódromo, "primeiro a atropelar o próprio pé para parar o kart", e cada vez que alguém olhar para a placar vai rir e dizer "não era mais fácil provocar uma rodada?". Na hora do sufoco, não pensei na possibilidade da rodada, que era a melhor solução, claro.
Eu mal conseguia levantar do kart. Na verdade, não consegui, o pessoal da equipe médica me ajudou. Em princípio, o enfermeiro disse que provavelmente havia uma costela trincada, do que não cheguei a duvidar, aquele voo na tomada de tempos rendeu uma batida realmente forte. De qualquer forma, o tempo passava, havia o trânsito paulistano para me complicar a viagem de volta. Dei um tchau generalizado e vim embora, de macacão, mesmo. No aeroporto, vesti uma jaqueta por cima e tudo certo.
Valeu principalmente por rever a galera das salas de imprensa e dos bastidores de autódromos, parceiros como Alexander Grünwald, Betto D’Elboux, Celso Miranda, Déa Amadeo, Érica Hideshima (que não quis correr), Fred Sabino, Lipe Paiga, Natali Chiconi, Nei Tessari, Rafael Lopes, Rafael Munhoz, Rodrigo França, Téo José (também não correu), Victor Berto, Zé Eduardo Martins, acho que ficou explícita aqui a disposição em mera ordem alfabética. E mais o Felipe Motta, a quem fiz questão de procurar depois da primeira eliminatória para me desculpar pelo toque que nele dei numa disputa por posição, e mais um sem-número de novos amigos.
Munhoz, Luiz Vicente, França, D’Elboux e Cássio Cortes foram os cinco primeiros na corrida. Eu fui levantar o meu troféu já em Foz do Iguaçu, a foto não mente. Assim que cheguei a Foz – moro em Cascavel, mas essa várzea aqui não tem um aeroporto decente, e só tocam nesse assunto em época de eleição –, procurei atendimento médico. Enquanto não vinham as chapas de raios-X, doutor Osmar preparou um coquetel molotov com analgésicos e coisas do gênero. Os raios-X mostraram que não houve fratura nenhuma, só uma forte lesão. Devo estar recuperado pra próxima corrida.
(ATUALIZANDO EM 18 DE AGOSTO, ÀS 12h38) Para quem ainda não viu, um pouco mais do Barrichello Kart Day pode ser visto na matéria que a japa gente fina Érica Hideshima produziu no dia do evento para o "Linha de Chegada", do SporTV. Vídeo do YouTube:
Jornalista, locutor e narrador de corridas, cantor de música sertaneja por esporte e, o que é melhor, corintiano. O que faço nas horas vagas? Não tenho horas vagas.