SÃO PAULO - Lembram da promoção do blog na Stock Car lá na etapa de Cascavel? Pois é, felizmente eu lembrei. A Lívia Castrioto recebeu o anuário dela graças a uma gentileza da piloto de motos Babi Paz. A Andréa Marques Ávila, talvez pressentindo minha total situação de penúria financeira, poupou-me do frete por Correio e sugeriu que eu trouxesse-lhe o prêmio quando viesse a São Paulo. Vim agora, o volume está aqui, a Déa vai estar pelo autódromo, vai dar tudo certo.
A primeira #PromoBLuc da reta final da temporada saiu agora há pouco. O Rubens Barrichello vai autografar um boné da equipe dele, a Medley-Full Time, para quem ganhar. O critério da brincadeira, irrefutável, é simples. O participante tem de indicar, ou na área de comentários aí abaixo ou lá no Twitter, no formato sugerido a seguir, qual será o tempo de volta de Barrichello no treino classificatório de sábado cedo, que vai definir o grid da Corrida do Milhão. Se ele avançar ao Top 10, ou Q2, ou segunda classificatória, como queiram, valerá o tempo desta última sessão.
Quem cravar o tempo exato leva, óbvio. Caso ninguém consiga, fica com o brinde quem mais se aproximar, para mais ou para menos (me senti a Sandra Annemberg, agora). Vale só um palpite por participante. O boné, que pesa menos que o anuário e tem um frete bem mais em conta, será enviado por correio para o contemplado. E será autografado depois do treino classificatório, em dedicatória ao feliz contemplado.
Para quem for concorrer pelo Twitter, a participação tem de ser postada no seguinte formato, logicamente com os zeros sendo substituídos pelo palpite, mantendo-se o link indicado:
Na #PromoBLuc do @lucmonteiro, o tempo do @rubarrichello na tomada de tempos da Corrida do Milhão será de 0min00s000. http://bit.ly/123kZSs
Ah, e só vão valer os palpites postados até sexta-feira. À zero hora do sábado a festa acaba.
SÃO PAULO - Os problemas de quem ainda não escolheu por quem torcer na Corrida do Milhão da Stock Car acabaram.
Rubens Barrichello, com o capacete que vai usar no fim de semana aqui em Interlagos, já levou a torcida toda. Metade pró, metade contra, mas total.
Por tão nobre causa, já elegi meus pilotos do fim de semana em Interlagos. Barrichello, na Stock, e Omilton Visconde Júnior, no Porsche GT3 Cup. Vou ali nos boxes do Porsche Challenge ver se mais alguém está atacando de Coringão.
PORTO ALEGRE - Coisa de dez dias atrás, talvez menos, bati um papo rápido com Rubens Barrichello. Aproveitei para perguntar-lhe algumas das bobagens de sempre, vai que numa dessa saísse dali alguma informação valiosa, né?
Em dado momento, falei de Schumacher. A reação de Barrichello foi quase profética: “Quero que ele se dê bem e encontre o seu caminho. Troféu não lhe falta”, falou, depois de uma gargalhada contida. Pois é, parece que encontrou.
Aliás, hoje cedo, antes de viajar, eu comecei a escrever um post aqui para o blog. O título era "O vilão da nossa infância". Mas eu já não era criança quando Schumacher apareceu para o mundo, além de eu não conseguir vê-lo como vilão, mesmo sendo fã declarado de Senna, e de não ter absolutamente nada para falar do cabra. Post abortado.)
Sobre o futuro, o trabalho de Rubens está voltado, claro, a seguir na Indy – o background de seu perfil no Twitter mantém os motivos da KV Racing Technology, já que todos os contratos que viabilizaram a participação em 2012 vigem (“vigem” é horrível!) até o fim do ano. Mas as outras opções consideradas por ele dariam ibope nas alturas.
GUARULHOS - Ao desembarque, já ciente do longo tempo de espera que terei antes da próxima etapa de minha via crucis particular, ligo o aparelho celular e as mensagens de texto começam a pipocar. Numa delas, a intimação: “Não vai flar (sic) dos 40 anos do Rubinho no blog?”.
Ora, que teria eu a falar a respeito? Dei-lhe os parabéns, como manda o figurino, ele respondeu e é isso, não é? Não convivo com Rubens para saber o que isso possa representar em sua vida, talvez tenha tanta importância quanto quando fez 17, 26 ou 34 anos. Só se faz 40 uma vez na vida, como também só se faz 8, 15 ou 23 uma vez na vida. Números, nada mais.
Nunca o tratei como “Rubinho”, apelido que não sei se lhe foi dado pelos pares da infância ou pela mídia, acho que pega mal. Evitava “Rubinho” nos textos e títulos na época de jornal, embora às vezes tivesse de aderir porque “Barrichello” pudesse ser muito comprido para determinado título, ou porque a legenda de uma foto estourava no tamanho. Não gostaria que me tratassem por “Lucianinho” ou “Luquinho”, mando à merda quem o fizer.
Mantenho com Rubens um contato à distância – vivo em Cascavel, motivo pelo qual tudo que faço ou deixo de fazer é à distância –, o que me franqueou alguns inesperados minutos de atenção ano passado durante a etapa brasileira da Indy, lá nas garagens, sei que aquele papo me fez aparecer na tevê e numa foto que um site publicou, e não a copiei, e também quase estraguei uma corrida de kart que ele promoveu, havia dezenas de jornalistas braços-duros precisando de instrução e lá estava o Rubens conferindo com os médicos se haveria necessidade de mandar minha carcaça para algum mecânico substituir uma perna que imaginávamos fraturada, e no fim não era nada.
De seus 40 anos, o que posso dizer é que Rubens é um tratante. Combinamos há um ano, afinal, que a festa seria sob o repertório de Luc & Juli, já que ele gosta das músicas sertanejas que compõem o nosso repertório, mas além da dupla ter praticamente acabado ele, Rubens, inventou de correr de Fórmula Indy e está em Indiana, e a Juli ainda não foi atrás do visto e as passagens para lá estão custando o olho da cara.
Imagino que Rubens Barrichello, a essa altura, esteja rindo, brincando, fazendo traquinagens – é um sujeito divertido, ele, embora nem sempre faça questão de deixar isso evidente – e vivendo uma expectativa nova mesmo para quem tem mais de 30 anos de convívio com as pistas de corrida, a da primeira largada para as 500 Milhas de Indianápolis.
O lance de tocar na festa seria bom, cairia como presente de aniversário e me permitiria economizar os cobres que despenderia em uma lembrancinha qualquer. Como está longe, ficou sem as modas e sem o souvenir. Dou a Rubens, como presente de aniversário, um conselho, talvez palpite seja o termo correto: vá com o tanque transbordando para a última parte da corrida.
E, cá de longe, um abraço ao Rubens. Que ri e chora como todo mundo, que talvez não tenha seu valor tão reconhecido quanto merece. E que aprendeu a dar de ombros para o mundo e cuidar de sua vida, habilidade das mais tenho admirado em algumas pessoas. Poucas, é verdade.
SÃO PAULO - Vi alguns pedaços da corrida da Indy, tinha de correr para embarcar de volta pra casa. Escutei na Band News, ainda no carro, que Helio Castroneves e Rubens Barrichello se meteram numa confusão atípica nos instantes finais da etapa de agora há pouco da Indy, em Long Beach.
O vídeo do, hã, incidente está aí. Foi o Jorge Pezzolo quem compartilhou com a geral, lá no Twitter.
CASCAVEL - Já um tanto contumazes na prática da twitcam, ferramenta viabilizada pelo Twitter que viabiliza interação entre usuários, Rubens Barrichello e Tony Kanaan terão sábado, durante a programação da etapa de Long Beach da Fórmula Indy, uma sessão um tanto mais incrementada de bate-papo com internautas do mundo inteiro.
Numa iniciativa viabilizada pela Ortsbo, que a Indycar anuncia como plataforma líder mundial de tradução de idiomas em tempo real, os dois pilotos da KV Racing vão participar de uma rodada de perguntas e respostas que será exibida pela internet com tradução simultânea para 53 idiomas. Caceta, 53 idiomas! Nem sabia que havia tantos idiomas.
Jornalistas, fãs e curiosos em geral que quiserem participar da sabatina, e conheço um balaio de gente que vai querer, podem tanto fazer o registro prévio para a conversa quanto entrar ao vivo, bastando para isso acessar esse link aqui. A rodada de perguntas e respostas será apresentada pelo piloto canadense James Hinchcliffe, da Andretti. O papo de sábado vai começar às oito da noite, horário de Brasília.
O comunicado que recebi da Fórmula Indy anunciando o evento de sábado informa que o software de eventos Live & Global, da Ortsbo, integra o Livro dos Recordes e já foi empregado em eventos similares com os pilotos da família Andretti, os roqueiros Gene Simmons e Paul Stanley, o jogador de basquete Steve Nash e, também, no tapete vermelho do Orange British Academy Film Awards, atraindo participantes de 161 países.
Aos que pensam em aproveitar o canal direto pra indagar Rubens sobre o apelido de seu carro de corridas, adianto o expediente por aqui. Ele próprio já disse que é “Ogum Marinho”.
Aí que o Rubens Barrichello convocou uma entrevista coletiva para o fim da manhã de quinta-feira, em São Paulo. Não vou conseguir acompanhar, mesmo com as facilidades da nossa época, vou estar a caminho de Foz do Iguaçu pra de lá começar a minha jornada de corridas da nova temporada.
Todos sabem, é o que concluo, o que será anunciado na coletiva: seu acordo com a KV Racing Technology para disputar a temporada da Fórmula Indy, que começa daqui a quase quatro semanas na Flórida. Desde que foi surpreendido com a perda da vaga na Fórmula 1, há 43 dias, Rubens tratou de respirar fundo e aproveitar o que lhe surgisse à frente. A oportunidade de testes em Sebring e Sonoma com o novo carro da Indy foi costurada por seu amigo-de-fé-irmão-camarada Tony Kanaan, a história já foi contada, recontada e requentada um zilhão de vezes. Não sei se há mais testes agendados.
Rubens vai anunciar que corre o campeonato todo pela KV, é o que se sabe. Dá pra confiar? Apesar da certeza absoluta que qualquer cone de pista tem a respeito, tenho lá as minhas ressalvas. Beirando os 40, com a vida ganha, a família e a fama pra curtir, em que pese sua inegável paixão pelo automobilismo, não descarto que nosso ilustre corintiano tenha reservado uma surpresa para abrir – ou acabar com – o apetite de todos momentos antes do almoço de quinta. Caraminholas da minha cabeça, que fico alimentando por minha conta e risco com base em detalhes que só devem chamar a minha atenção e de mais ninguém.
Costumo ser sempre contra a corrente em vigor e, diante disso, arrisco meu pitaco pra não dividir o prêmio do bolão com mais ninguém: na coletiva de daqui a 50 horas, Rubens vai descrever a experiência que teve em seus testes com o carro do Tony, definindo-a como um dos momentos mais divertidos de sua carreira, frisar o clima bonachão da categoria, a receptividade de Jimmy Vasser e seus asseclas, falar das boas impressões que teve do carro, e que o mundo da Indy é bem diferente do da Fórmula 1, sem recitar méritos ou deméritos.
Mais, vai revelar que tinha, sim, um contrato em mãos pronto para ser assinado, reiterar que está à disposição da equipe para alguma eventualidade do futuro – tendência total à SP Indy 300, no fim de abril –, deixar no ar a possibilidade de correr as 500 Milhas de Indianápolis pela primeira vez e confirmar que não, não vai participar do campeonato. Foi bom enquanto durou, e tudo mais, mas fica pra próxima.
Às vezes acerto alguns palpites. Esse é um, sujeito aos teoremas do copo meio vazio e meio cheio. Anotem-no, pois.
Foi essa, repleta de indignação, minha primeira reação quando desliguei o telefone durante um horário de almoço em 1998. A ligação, com uns 15 ou 20 minutos de duração, talvez mais, consumava uma entrevista com Rubens Barrichello para o meu jornal, deu página inteira numa edição de domingo.
Tenho o hábito besta, alguém já me alertou que é bem besta, de fazer distinção entre o Rubinho da Jordan e o Rubens de a partir de quando estava na Stewart, mais ou menos a época daquela entrevista, e sobretudo da fase da Ferrari até a de agora.
A entrevista. Em resposta a dada pergunta, algo sobre críticas ou rejeição, ou qualquer coisa nessa linha, Rubinho havia acabado de me dizer que quem não gostava de vê-lo correndo deveria trocar de canal na hora das corridas. Logo a mim, que assistia às corridas torcendo por Hill contra Schumacher em 95, por Villeneuve contra Hill em 96, por Schumacher contra Villeneuve em 97, por Schumacher contra Hakkinen em 98. Vê-se que já naqueles tempos eu era um pé-frio dos diabos.
Quem esse cara pensa que é?
Nunca fui exatamente um torcedor fervoroso de Rubens. Ou de Rubinho. A temporada de 1998 era a minha sexta como profissional no automobilismo, embora até então jamais tivesse pisado num autódromo fora do Paraná ou visto um carro de Fórmula 1, exceção feita à Williams do Piquet na reinauguração do autódromo de Curitiba, dois anos antes.
Não que até aquela altura ele, Rubinho, não houvesse proporcionado momentos que eu relacionaria com facilidade entre os que aplaudi. O trabalho na F-3 inglesa e na F-3000 internacional, que acompanhava em VTs pelo “Esporte Espetacular”, a pole em Spa/94, a grande atuação em Donington/93, numa manhã em que eu e dois amigos nos enfiamos num fim de mundo onde sinal de TV era milagre e, entre churrasquinhos e cervejas, cantávamos “ê, ô, ê, ô, o Rubinho é um terror” que nem uns doidos, e quando o carro quebrou mudamos a cantoria, sem qualquer preocupação poética ou com rimas, para “ê, ô, ê, ô, o Rubinho se fodeu”.
Aquele domingo de 93 trouxe, talvez, o momento em que mais torci por uma vitória de Rubens em seus trezentos e não sei quantos GPs. Chegamos, meus amigos e eu, e até hoje não lembro por que fomos parar numa garagem quase fora da cidade pra ver a corrida, a torcer por uma dobradinha brasileira com ele à frente de Senna, que era o ídolo da época, o nosso ídolo. Quebrou, paciência, ainda havia carne e cerveja, era isso que mais nos importava.
O que foi a carreira de Rubens de 93 até agora todo mundo sabe. E quem não sabe é porque não está nem aí para isso. A mim, pouco importava o que ele conseguisse ou deixasse de conseguir. Até aquela entrevista em 98, que valeu a Rubens Barrichello, de minha parte, uma frenética torcida contrária.
Quem esse cara pensa que é?
É uma pergunta que talvez nem o próprio Rubens pudesse responder, nem em 93, nem em 98. Nem em 2000, quando já não era mais Rubinho e teve um domingo inspirado e deu aquele show na corrida maluca de Hockenheim. Show com xis maiúsculo, diria um ex-colega de faculdade. Quem esse cara pensa que é?, foi o que pensei, enquanto a Ferrari atropelava o que lhe surgia à frente. Devo ter pensado isso. Pensei mais algumas coisas, que publiquei aqui.
E seguiram-se anos de altos e baixos, e todo mundo sabe como terminou a história de Rubens na F-1, pelo menos a fase dos primeiros 19 anos, já que ele admite voltar. Não volta. Semana retrasada, foi dormir com a certeza do emprego mantido, “dentraço” da equipe, para aplicar um termo que é dele próprio. Acordou com um telefonema do patrão, ex-patrão, “sinto muito, vamos renovar”.
Dentraço da equipe? Certeza? Mas, afinal, quem esse cara pensa que é?
Escrevi algumas linhas sobre Rubens dias depois do telefonema internacional que o pegou de surpresa – sim, posso afirmar: pegou-o de surpresa. Não as publiquei. Não me acho tão importante assim para opinar sobre tudo, como diria a Alessandra Alves. Lembro que escrevi sobre ter narrado a volta final de sua última vitória na F-1, uma TV na sala de imprensa mostrava o GP em Monza e eu me diverti, sem qualquer compromisso com isso, repassando aquele momento para o público que já acompanhava em Interlagos uma etapa do Itaipava GT Brasil. Lembro também que terminei o texto de dias atrás elencando algumas coisas que haviam faltado a Rubens em sua passagem pela Fórmula 1, a vitória no GP do Brasil incluída, e observei que essa ainda poderia ser compensada numa participação pontual na etapa da Indy no Anhembi. Ainda não havia vazado para a imprensa, quando escrevi aquilo, que ele iria testar o carro do irmão-camarada Tony Kanaan. Testou hoje, dia de sorrisos e veladas trocas de gentilezas na Flórida.
Há duas semanas Rubens perdeu o emprego. Lamentou com discrição, saudou o substituto e se mandou com seus moleques para a Disney. Está com a vida ganha, afinal. E hoje, perto dos quarentinhas, foi se esbaldar num carro da Fórmula Indy, e por lá deve ficar por um bom tempo, e depois talvez vá disputar corridas de longa duração, ou Nascar, ou GT, ou Stock Car, ou Truck, ou qualquer outra coisa, ou pode ser que vá para casa cuidar dos cães e contar histórias aos netos, e de modo ou outro vai ser assunto entre os que orbitam o automobilismo.
E não vai ser surpresa para ninguém se, agora fora do ambiente carregado que a F-1 parece impor aos que a frequentam, assumir maior habilidade para medir as palavras e evitar desgastes. Como também não vai surpreender viv’alma se, em via inversa, soltar o verbo de vez, falar o que lhe der na telha, doendo em quem doer. A mim, parece já ter adotado esse novo, hã, way of life.
É aí que eu pergunto: quem esse cara pensa que é?
(Nota: como ainda não aprendi a indicar os créditos no cantinho de cada foto, cito por aqui: a primeira eu subtraí do site da Indy sem muito escrúpulo, já que não estava na área de material copyright free; a segunda foi postada no Twitter do próprio Kanaan; a última veio também do Twitter, foi postada pelo Anderson Marsili, que é assessor de imprensa dos dois)
O Rubens Barrichello postou a foto no Twitter (e depois "despostou"...), o Tony Kanaan também, metade do mundo que acompanha automobilismo retuitou e todos os blogueiros e saiteiros (!) reproduziram. Então, para variar um pouco, vou com a corrente em vigor.
A foto aí é de ontem, ou de anteontem, não importa, na sede da KV Racing Technology, equipe de Fórmula Indy onde já corre seu amigo-de-fé-irmão-camarada Tony Kanaan. Ele está no cockpit fazendo o molde para o banco do carro, já que vai testar um Indy na Flórida no começo da próxima semana. Aí todo mundo que não tem nada mais útil pra fazer da vida já está debatendo sobre o que esse teste representa ou deixa de representar, e de concreto mesmo sabe-se que é um teste e nada mais que um teste.
Claro que a coisa toda foi costurada pelo Tony, talvez como retribuição pela oportunidade que teve, seis anos atrás em Jerez de La Frontera, de testar um Fórmula 1 da Honda, que era a equipe de Rubens, foi o treino da foto aí de baixo, ação pela qual nutre especial gratidão ao parceiro. Tenho a impressão de que mais um conhecido meu participou da viabilização da experiência inédita do agora ex-piloto de F-1 na Indy, isso também não vem ao caso.
A propósito, escrevi algumas linhas sobre Rubens dias atrás, estão no computador lá de casa, e a notícia que vazou ontem, de seu teste na KV, torna-as um pouco mais inúteis do que seriam por natureza. Talvez eu as poste aqui quando lá chegar, à noite.
ATUALIZANDO EM 26 DE JANEIRO, ÀS 14h12:
Informa a Andrea "Deaindy" (alguém sabe o sobrenome dela?), também via Twitter, que a foto do Rubens é de duas semanas atrás. Em se tratando de Indy, se ela falou, eu não contesto.
Ano passado lancei uma seriezinha aqui no blog que não iria longe. Menos por eu ser um péssimo blogueiro, mais por não haver tanto material disponível. O Bruno Vicaria se viraria bem melhor com essa ideia no espaço dele no TotalRace.
Salvo falha de memória, e a memória ainda vai bem, obrigado, foram quatro pilotos-propaganda: Nelson Piquet, Emerson Fittipaldi, Ayrton Senna e Rubens Barrichello. É só clicar nos nomes dos pilotos aí pra ver os comerciais de TV que cada um, hã, estrelou.
Enfim, achei que tinha abafado com a pesquisa dos comerciais de que Rubens participou, esses que você pôde ver clicando no nome dele no parágrafo anterior. Até que apareceu a Keli Saverio, que parece ser mais fã do piloto que ele próprio, e indicou mais uma carrada de links, todos aqui distribuídos. Agradecimentos à Keli pelo material, que ela me enviou há vários meses e que até hoje eu não tinha encontrado tempo para editar aqui. Então, lá vai.
Nesse aqui, Rubens dá um pitaco nas ações antitabagismo do governo de São Paulo.
Tem outro, com um certo tom de zoação. Rubens, que ainda aguarda Papai Noel trazer uma carta lá da Williams, interpreta o bom velhinho e diz que o serviço dos Correios é mais rápido que ele próprio. Parênteses: essa história de "bom velhinho" é algo como licença poética; acho a figura de Papai Noel de uma filhadaputice sem tamanho. Fecho parênteses.
O áudio tem pouca qualidade, mas se o sujeito da mesa ao seu lado fizer um pouquinho de silêncio você consegue ouvir. Em 1995, tempos de Jordan-Peugeot, Rubens também vestiu a marca. Será que ele tinha mesmo um carro desse? Já ouvi que eram seis. Enfim.
Também teve uma campanha de Rubens para a Net, operadora de TV a cabo. Nos últimos dias choveu no Twitter reclamações do serviço de internet da Net, parece-me que são a mesma coisa, não sei ao certo. E não, "choveu reclamações" não está errado.
E como Rubens reconheceu dias atrás que a amizade de Michael Schumacher lhe faz falta, vai aqui um filmete dos dois, quando parceiros na Ferrari, promovendo a Tic Tac - aliás, até hoje não sei se os Tic Tac são balas, pastilhas ou o quê. Gosto daquelas sabor laranja.
Michael e Rubens também aparecem juntos nesses comerciais da Vodafone:
Esse aqui, também para a Vodafone, pode sugerir várias piadas prontas, sobretudo para a torcida brasileira. Talvez o próprio Rubens possa nos fazer algum comentário a respeito, que tal?
Quem viu Rubens no comercial dos tênis Dynatech, que mostrei no primeiro post da série, talvez não o imaginasse fazendo propaganda de sapatos, e falando em italiano. Está aqui:
Os anúncios de Rubens são numerosos, como vemos. Agora é esperar o anúncio que ele próprio tem esperado com certa ansiedade. E que, palpite meu, deve sair na terça-feira, dia 17.
Quando abri o MSN, agora há pouco, um amigo de Cascavel veio saudar e perguntar sobre a festa de premiação do Capacete de Ouro, a que fomos, Juli e eu, ontem à noite. Aos que não sabem, acho que são poucos, é algo como o “Oscar do automobilismo”, definição que tomo emprestada de um colega de profissão. Concurso promovido pela revista Racing, foi a 14ª a edição. Cada categoria seleciona três pilotos numa pontuação própria que considera os resultados obtidos nos campeonatos de automobilismo, esses três são submetidos à votação de uma comissão formada por jornalistas especializados. Simples assim.
Não vou lembrar textualmente e já desativei a janela de conversa online, mas a pergunta que me foi feita era algo como “qual piloto foi o destaque da festa?”, algo assim. Não tinha pensado nisso até então e, de bate-pronto, respondi que nenhum. Quem roubou a cena mesmo, no ato final do evento no Via Funchal, foi Kiko Loureiro. Um músico, jamais deve ter sentado num carro de corridas.
Kiko é guitarrista da banda de rock Angra. Coube a ele o último ato do evento que a editora promoveu. Feita a premiação da categoria Fórmula 1, que mais uma vez teve Rubens Barrichello como campeão – Felipe Massa levou Prata e Lucas di Grassi ficou com o Bronze –, o mestre de cerimônias pediu a Rubens que permanecesse no palco. Viria homenagem, como já se tinha feito momentos antes a como Graziela Fernandes, Bird Clemente, Bia Figueiredo e Bruno Senna.
Foi melhor, muito melhor. Era, de fato, homenagem a Rubens. Convertida em um show de Kiko. Diante da lembrança dos 300 GPs disputados na F-1, marca que o piloto atingiu na etapa da Bélgica, a organização do evento pôs no telão a imagem de uma câmera on-board, uma volta de Rubens com a Williams na pista de Spa-Francorchamps. Sem áudio. Enquanto os gráficos padronizados da categoria indicavam na tela as mudanças de marcha, Kiko simulava em sua guitarra, com perfeição, o som do motor do carro, respeitando as passagens de marcha, as reduções, tudo.
Interpretação perfeita, digna dos efusivos aplausos que recebeu. Já houve algo parecido circulando na internet, parece-me que um jovem tirando da guitarra o som de um F-1 para simular uma volta de Felipe Massa com a Ferrari. Que foi bom, mas não se compara ao que Kiko fez aos olhos e ouvidos de todos os presentes poucas horas atrás. Emocionou Rubens, que assistiu atônito ao show ao lado de Isabel Reis, da Editora Motorpress. Rubens, ultimamente, tem se emocionado com muita coisa. Coincidentemente, e isso não tem a mínima relevância, Kiko e Rubens têm 38 anos.
No mais, a festa foi o que deve ter sido sempre – foi a primeira vez que pus-me entre os presentes. Oportunidade para rever amigos, colegas, pilotos, gente do mundo das corridas que, cada qual a seu modo, passa ano após ano dentro de autódromos, vivendo e vendo a vida passar enquanto tira do automobilismo o proveito e os prazeres que ele pode oferecer.
Também há quem vá perguntar quem foram os vencedores do Capacete de Ouro, embora os sites especializados já tenham noticiado, mas vai lá a lista de quem levou o troféu principal em cada categoria: Barrichello (Fórmula 1), Helio Castroneves (Top), César Ramos (Internacional), Max Wilson (Nacional), Alexandre Barros (Porsche GT3), André Posses (Porsche GT3 Light), Felipe Giaffone (Truck), Patrick Gonçalves (Turismo), Gabriel Sereia (Revelação), Valdeno Brito e Matheus Stumpf (Itaipava GT), Ulisses Bertholdo e Eduardo Silva (Rali), Jean Azevedo e Emerson Cavassim, (Off-Road), Yann Cunha (Fórmula), Cacá Bueno (Trofeo Linea), Nicolas Costa (F-Future), Jonathan Louis (Kart) e Felipe Fraga (Novos Talentos).
A história do evento já deve ter sido contada por quem de direito com seus fatos mais interessantes. Como o BLuc é um espacinho meu e devo ser o único que o lê, faço aqui um registro meu da minha participação no Barrichello Kart Day, anteontem na Granja Viana. Foi a segunda edição de uma farra armada por Rubens Barrichello, onde jornalistas que atuam no automobilismo vão para a pista em provas de kart. Foram 36 participantes, fiquei em 16º lugar, nada mau para alguém que, até então, só havia estado lá para narrar as 500 Milhas do ano passado.
O que passa pela cabeça de Rubens para ter tamanho empenho? Nada mais que dar aos jornalistas, àqueles que noticiam suas atuações nas pistas, a oportunidade de um contato direto com uma ultrapassagem, uma rodada, uma batida, uma retomada de curva, um contra-esterço, enfim, com tudo que um piloto de fato faz. É bem verdade que vários desses escribas são kartistas muitíssimo bem treinados, o que não lhes tira o mérito pela vantagem quase covarde sobre nós, simples mortais. Vamos ao resumo, antes que comece a minha choradeira.
Como contei no post aí de baixo, eu não sentava num kart há uns bons quatro anos. Já podia antever trocadilhos infames como “Luc Duno” ou coisa do gênero. Antes de todos irem à pista, Rubens distribuiu dicas sobre traçado, zebras, retomada, essas coisas. Veio me pedir umas dicas, também, não as neguei. Sou humilde, afinal. Durante tomadas de tempo e corridas, metia-se entre os pilotos na pista, seguia os participantes para analisar o que estavam fazendo, depois pulava à frente para que os jornalistas pudessem ter sua referência de pilotagem. Cortesia que me permitiu acrescentar ao parco currículo apresentado no post anterior “um totó em Barrichello na curva 4 da Granja Viana”, deve ter sido meu maior feito numa pista. Até então, porque na própria prova de anteontem eu consegui fazer história.
Já chego lá, vamos por etapas. Rubens e o capitão Anderson Marsili, que ralou duro para organizar todo o evento festivo, contabilizaram 36 participantes. O suficiente para duas corridas com 18 jornalistas, cada, vê-se que sou um gênio da matemática. Cada prova classificava os oito primeiro para a corrida final. Fui escalado para a segunda eliminatória. Na tomada de tempos, fiquei com o nono lugar no grid - observem ali, o kart número 34, na fila da direita, sou o de macacão azul escuro. E meu drama começou duas curvas depois da largada.
A curva três da Granja Viana, um grampo à direita, foi o palco do primeiro salseiro do BKD. Com um monte de gente rodando por ali, fui lá fora para evitar a confusão. Perdi tempo e algumas posições. Cada volta servia para eu assimilar um pouquinho melhor o traçado, até que meu número 34 apareceu no painel da reta, onde só há espaço para os 10 primeiros. Não faltava muito para conseguir a vaga na final. O oitavo lugar veio a umas cinco voltas do fim. Consegui abrir um pouquinho de vantagem, o suficiente para ficar por ali até o final. Nas últimas duas voltas, depois de analisar as besteiras que eu estava fazendo, Rubens veio à minha frente para dar referência, como na foto lá de cima.
Consegui a vaga na final, cruzei a linha de chegada comemorando feito bobo, acho que Carsten Horst fotografou isso – quero consultar seus copiões digitais tão logo quanto possível. Definidos os 16 nomes da final, o céu fechado e eu preocupado com o horário de tomar o avião de volta, fez-se o sorteio dos karts. Para as eliminatórias, cada um podia escolher o kart que quisesse. Para a final, o sorteio me deu o kart número 25. Bem mais rápido que o da prova anterior. Foi o que começou a me trazer problemas.
Primeiro, porque o kart era tão bom que, nos cinco minutos de tomadas de tempo, fiquei receoso ao final da reta. Não fiz a curva um de pé cravado nenhuma vez. Na “Eau Rouge”, depois da retinha oposta, tinha que dar uma bombeada no pedal da direita, escorregava um pouquinho. Não conseguia me acertar com a zebra da penúltima curva, também, na terceira tentativa de volta rápida saltei por sobre ela. Acabei batendo com a costela na parte de cima da lateral do banco e quase parei por ali mesmo, mas respirei fundo, resolvi continuar. Doía pra cacete, e ia continuar doendo se parasse ali.
Toda essa lambança, claro, me deixou em último no grid. Eu tinha inventado um truquezinho na largada que funcionou na eliminatória, mas acabou não funcionando na final. Fiquei em último até a segunda volta, quando começou o que, uau!, poderia ser uma épica corrida de recuperação. Na terceira volta fiz a minha melhor volta no fim de semana, 49s051, bem melhor que os 49s210 que foi o máximo que consegui na primeira corrida. Na quinta, peguei carona numa tentativa de ultrapassagem ao final da reta, houve um toque, rodei, perdi tempo.
O saldo não era tão positivo na 12ª das 25 voltas. Àquela altura, eu vinha em 12º ou 13º lugar e tinha como meta clara não levar volta do líder, embora não fizesse a mínima ideia de quem estivesse ganhando. No mesmo grampo, alguém rodou à minha frente, não lembro quem era. Ficou parado. Era fácil desviar, mas, por condenável reflexo, fiz um movimento muito brusco no volante. Rodei também, ficamos os dois parados na contramão, fora do traçado. Quando pensei em sair dali, surgiu o kart 38, de um tal Milton. Que, em vez de aliviar o pé e ganhar as posições, cravou lá embaixo. Resultado: veio para cima e me acertou de frente.
Lembram da costela que doeu na tomada de tempos? Pois é, tripliquem o golpe com a pancada frontal do Milton. Acho que não freou, sei lá. Ali, sim, era fim de corrida para mim. Ou não. Dor por dor, vai continuar doendo, pensei de novo, então vamos em frente. E voltei. No primeiro trecho em que precisei frear, percebi que a pancada do Milton tinha arrebentado alguma coisa no meu freio. Não tinha nenhum. Pedal frouxo. Ergui o braço e fui para o box.
Aí, outro drama e outra demonstração de falta de preparo por parte de Crocodilo Dundee, no caso eu. A pista de rolamento dos boxes configura uma descida. E eu chegando ali, sem nada de freios. Um monte de gente andando pelo box. Não fazia idéia de como parar o kart. Tentei forçar o pé sobre o pneu dianteiro direito. Não funcionou. Pus o pé à frente do pneu, vejam meu grau de burrice. O pneu “abraçou” meu pé e o foi arrastando por uns 15 metros. O kart parou, minha tática de frenagem foi muito eficiente. Nem Rubens conseguiu, em toda sua carreira, parar um kart do modo como parei o meu nos boxes. Considerando que por um milagre qualquer eu não quebrei o tornozelo, foi melhor ainda. Vendo como ficou o meu tênis, dá para ter uma ideia da consequência que minha besteira poderia ter alcançado.
Mas fiz história, acho que o Felipe e a Vandeide vão encomendar uma placa com meu nome para exibir no kartódromo, "primeiro a atropelar o próprio pé para parar o kart", e cada vez que alguém olhar para a placar vai rir e dizer "não era mais fácil provocar uma rodada?". Na hora do sufoco, não pensei na possibilidade da rodada, que era a melhor solução, claro.
Eu mal conseguia levantar do kart. Na verdade, não consegui, o pessoal da equipe médica me ajudou. Em princípio, o enfermeiro disse que provavelmente havia uma costela trincada, do que não cheguei a duvidar, aquele voo na tomada de tempos rendeu uma batida realmente forte. De qualquer forma, o tempo passava, havia o trânsito paulistano para me complicar a viagem de volta. Dei um tchau generalizado e vim embora, de macacão, mesmo. No aeroporto, vesti uma jaqueta por cima e tudo certo.
Valeu principalmente por rever a galera das salas de imprensa e dos bastidores de autódromos, parceiros como Alexander Grünwald, Betto D’Elboux, Celso Miranda, Déa Amadeo, Érica Hideshima (que não quis correr), Fred Sabino, Lipe Paiga, Natali Chiconi, Nei Tessari, Rafael Lopes, Rafael Munhoz, Rodrigo França, Téo José (também não correu), Victor Berto, Zé Eduardo Martins, acho que ficou explícita aqui a disposição em mera ordem alfabética. E mais o Felipe Motta, a quem fiz questão de procurar depois da primeira eliminatória para me desculpar pelo toque que nele dei numa disputa por posição, e mais um sem-número de novos amigos.
Munhoz, Luiz Vicente, França, D’Elboux e Cássio Cortes foram os cinco primeiros na corrida. Eu fui levantar o meu troféu já em Foz do Iguaçu, a foto não mente. Assim que cheguei a Foz – moro em Cascavel, mas essa várzea aqui não tem um aeroporto decente, e só tocam nesse assunto em época de eleição –, procurei atendimento médico. Enquanto não vinham as chapas de raios-X, doutor Osmar preparou um coquetel molotov com analgésicos e coisas do gênero. Os raios-X mostraram que não houve fratura nenhuma, só uma forte lesão. Devo estar recuperado pra próxima corrida.
(ATUALIZANDO EM 18 DE AGOSTO, ÀS 12h38) Para quem ainda não viu, um pouco mais do Barrichello Kart Day pode ser visto na matéria que a japa gente fina Érica Hideshima produziu no dia do evento para o "Linha de Chegada", do SporTV. Vídeo do YouTube:
Jornalista, locutor e narrador de corridas, cantor de música sertaneja por esporte e, o que é melhor, corintiano. O que faço nas horas vagas? Não tenho horas vagas.