quarta-feira, 30 de março de 2011

Pelo boné do Pedrão

Fiz a brincadeira na primeira corrida da Fórmula Truck no ano, foi no fim de fevereiro, não houve acertadores e o prêmio, digamos, acumulou. Vale de novo, portanto, agora com um prazo a mais para que mais doentes por bonés de automobilismo possam participar.

Domingo tem corrida da Truck em Jacarepaguá. Ao vivo na Band a partir da uma da tarde, transmissão em HD, treino classificatório de sábado começando às duas da tarde com transmissão ao vivo no site da categoria, aquela coisa toda.

Pedro Muffato, piloto da categoria, cedeu ao BLuc dois bonés de sua equipe, autografados a caneta. Um deles vai para o eventual vencedor desta gincana virtual, que consiste num torneio de palpites. Vai escolher um dos dois o jogador que acertar, em resposta até a noite do sábado, qual terá sido a classificação final de Pedro na etapa carioca.

Havendo dois acertadores, o blog abre uma exceção e vão os dois bonés de uma vez, um para cada, cabendo o direito de escolha entre o verde e o rosa àquele que se manifestar primeiro. Se tivermos mais de dois acertadores, vão todos a sorteio, a critério da casa, e só um leva o brinde.

Antes que o Nei Tessari venha questionar nosso risonho e límpido regulamento, valerá como resposta correta à pergunta a classificação atribuída a Pedro ao final da corrida de domingo, mesmo em caso de abandono. No caso da corrida de um mês atrás em Santa Cruz do Sul, por exemplo, Pedro parou depois de seis voltas, com problemas na caixa de direção, e ficou em 21º - resultado não indicado por nenhum dos participantes.

Está valendo, pois. Os palpites, só um por jogador, devem ser enviados para meu Twitter, que é @lucmonteiro, acompanhado da hastag #PedroMuffato e do link dessa postagem, que é http://bit.ly/hY0HAT.

terça-feira, 29 de março de 2011

De volta ao começo

Faz pouco mais de um ano que fizemos, Luc & Juli, nosso primeiro show como dupla musical. Foi no palco do Square Bar, contei aqui como foi.

Foi o ponto de partida para ocuparmos os palcos de várias casas noturnas aqui de Cascavel no tradicional esquema voz & violão, sempre com o que se convencionou definir como sertanejo universitário.

E é com o sertanejo universitário que voltamos, Luc & Juli, ao palco do Square Bar na quinta-feira. Bem diferente daquele show quase improvisado de um ano atrás, agora estamos com banda fixa, repertório redondinho, que não se detém no sertanejinho - haverá umas coisas legais, para a freguesia curtir e dar risada.

E, "se pá" (nunca entendi essa expressão, mas parece que se aplica a esse caso), podem rolar uns convites cortesia aos interessados.

E vale, por que não?, relembrar aquela primeira experiência do ano passado, que foi viabilizada pelo Luiz Silvério durante um café morno num boteco simples. Vai aí:

sábado, 26 de março de 2011

Pastéis de Belém (32)

Ao estilo do "Conta-gotas", mais uma das séries que iniciei aqui no blog e às quais não dei sequência, registro minhas últimas considerações sobre a viagem rápida a Portugal:

*** Foi, de fato, rápida. Vou me programar melhor pro ano que vem, trazer a família a essa ou levá-la a outra etapa de sítio interessante, esticar por uns dias;

*** Fanta, aqui, tem realmente gosto de laranja, e os hambúrgueres - provei-os em lugares diversos - são fantasticamente mais gostosos. O ketchup que fornecem por essas bandas, por outro lado, tem exatamente o mesmo gosto do extrato de tomate que se usa no Brasil. Não estranhem, quando moleque eu comia extrato de tomate de colherada. Também comia cubinhos de caldo Knorr;

*** O único aspecto ruim da agenda corrida vai ser, mesmo, perder a transmissão da corrida da Fórmula 1 na Austrália. Essas novas e bobas regras vão tornar esse campeonato, como diria um músico que tocava com Luc & Juli, um festival de presepadas;

*** Voltando ao campo das guloseimas, os croquetinhos de bacalhau que preparam por aqui são ótimos, embora eu não seja exatamente um apreciador de bacalhau;

*** Brasil, Japão e Portugal são países onde o público do automobilismo nutre devoção por Ayrton Senna. Não necessariamente nesta ordem. Eu arriscaria adequar para Japão, Brasil e Portugal;

*** Se houver algum jacu, depois de mim, que nunca tenha provado ou ouvido falar dos pastéis de Belém e recorrer ao Google atrás de alguma referência terá a infelicidade de ser trazido a esse escanteado blog. E não, não provei nenhum pastel desses. Vou provar em Cascavel, no boteco que o João Passos indicou;

*** A viagem acabou, mas o trabalho do fim de semana, não. Amanhã narro em Interlagos as provas da segunda etapa do Pirelli Mobil Superbike, para o site da categoria. A página é essa aqui, disponibiliza áudio e vídeo. E, pelo que informou o Du Cardim, parece que enfim estão dando fim ao matagal por lá. Ainda bem, senão em pouco tempo ninguém conseguiria encontrar a pista de corridas;

*** A brincadeira de tentar imitar o jeito de falar dos portugueses, que só perde a graça quando alguém consegue - e sempre aparece um que consegue - pode levar a constrangimentos. No embalo da farra, chamei a atendente do hotel de "gaja". Ela própria, percebendo que a brincadeira da turma não tinha nada de maldade, tratou de me alertar para a gafe. Ainda bem. A coitada não tem aparência e nem idade para ser puta, afinal;

*** Por falar em satirizar o jeito de falar daqui, acho que vou pegar uma bicha enorme antes de voltar pra casa, embora minha torcida seja por uma bicha bem pequenininha;

*** E este é o último produto da pastelaria, já que só vou ver computador na frente de novo chegando a São Paulo - embora o primeiro pastel da série tenha sido assado em Guarulhos.

Agora, de fato, vou para a fila do embarque. Para casos extremos, há área para fumantes, ao menos.

Cafunés a todos.

Pastéis de Belém (31)

Maldoso por natureza, o Antonio Contreras Muniz, que despacha no Twitter como @nico_contreras, fez questão de me enviar esta foto, que ele próprio tirou logo após uma das etapas do Porsche Cup em Interlagos. Segundo ele, na temporada de 2007.

Nico flagrou Constantino Júnior, vencedor da corrida de agora há pouco no Estoril, em prática pouco recomendável pelos chatos professores de etiqueta. Pode ser que a entrada dele, Nico, esteja providencialmente impedida em Interlagos na próxima passagem da categoria por lá.

Da esquerda para a direita, na foto, vemos Guilherme Figueirôa, Beto Posses, Constantino, o vencedor Tom Valle, Marcel Visconde e Clemente Lunardi. Os seis participaram do evento em Portugal.

Tinha aspectos diferentemente pitorescos, naquela época, o Porsche Cup Brasil. Eu nem lembrava que os macacões de todos os pilotos eram iguais.

Pastéis de Belém (30)

Da unidade da Cotapharma, logo à entrada do terminal 1 do aeroporto de Lisboa, dou as últimas internetadas enquanto aguardo o embarque para a volta.

Farmácia interessante, essa. Vende também bilhetes de loteria - só não comprei um porque não há como reclamar o prêmio a partir do Brasil - e disponibiliza uma pequena lan house, de onde, via webcam, conversei um pouco com o pessoal lá de casa.

Ver a Juli e o Luc Jr. ao vivo, ou quase ao vivo (esse troço tem delay e a imagem fica picotando) fez bater uma saudade ainda mais forte de casa.

É bom voltar.

Pastéis de Belém (29)

Dou de ombros às garantidas denúncias de marmeladas. É de Cascavel, minha cidade, o ganhador do prêmio bacaninha no torneio de palpites do fim de semana de Porsche GT3 Brasil no Estoril.

Beto Trento, que não entende patavinas de automobilismo e olhou os resultados dos treinos livres da quinta-feira para chegar a um palpite, foi quem mais pontos conseguiu na promoçãozinha que lancei naquele dia, essa aqui.

Trento acertou o quinto e o sexto colocado na corrida final da programação portuguesa, justamente as duas posições que valiam as maiores pontuações. Levou o boné com 11 pontos marcados.

Washington Luiz e Alexandre Braciak empataram em segundo lugar, com cinco pontos, cada. Outro empate na quarta posição, com Adriano Lubisco e Guilherme Marques fazendo três pontos, e ainda triplo na sexta posição, com Nico Contreras e Wagner de Freitas comemorando, cada um, um mísero pontinho.

Só metade dos participantes conseguiram acertar pelo menos uma posição do pódio. Dou os nomes dos que zeraram para que levem o sarro de toda uma nação: Antonio de Luca, Bruno Americano, Luiz Schneider, Marcelo Câmara, Tarso Marques Lima, Vinícius Lelis e Michelle Kapiche.

Os seis primeiros colocados na corrida que emprestou seu resultado final à brincadeira foram, do vencedor para o sexto, Constantino Júnior, Ricardo Rosset, Clemente Lunardi, Maurizio Billi, Marcelo Franco e Beto Posses.

Na semana que vem, com corrida de Fórmula Truck no Rio de Janeiro, vamos colocar dois bonés do piloto Pedro Muffato, autografados, em jogo para a galera do Twitter.

Pastéis de Belém (28)

Dizem que tudo que é bom dura pouco. Por outro lado, uma semana não pode durar mais que uma semana. E esta foi uma semana divertidíssima, e sobretudo de muito trabalho, por conta da vinda do Porsche GT3 Brasil a Portugal. E de contato com um novo parâmetro para nós, que no mundo ideal bem poderia – deveria – ser aplicado no automobilismo lá do Brasil.

Na programação de hoje, cuja transmissão pelo Canal Speed teve Luiz Alberto Pandini e eu aos microfones, vitórias de Gil Farah na classe Challenge e de Ricardo Rosset na Cup. Na terceira corrida, que teve na pista os 44 carros das duas categorias, vitórias de Sylvio Barros e Constantino Júnior, respectivamente. E a consagração de um evento que começou modesto, seis anos atrás, para chegar aos números invejáveis de ora.

Uma experiência interessante chega ao fim, dela só levo boas lembranças, apesar da água suja e dos botecos fechados com que demos de cara no Estoril. Foram dias em que deu gosto compartilhar com vocês, aqui pelo blog e lá no Twitter, um pouco, ou bastante, de coisas que a mim pareceram pitorescas acerca do evento, do lugar, do que me desse na telha.

Evento encerrado, fecho rapidamente o laptop, entro no táxi que já deve estar ali à minha espera e corro pra Lisboa. Tomo o voo de volta ainda hoje, amanheço o domingo em São Paulo, para continuar falando sobre velocidade com vocês – aliás, deixo já um abraço de gratidão a cada amigo que acompanhou o trabalho, que sugeriu, que criticou, que alertou, que retuitou.

Já vamos programando a vinda a Portugal em 2012. A parte boa da despedida é voltar pra casa. Já deu saudade.

Pastéis de Belém (27)








Só pra vocês terem uma ideia da corrida que teremos agora, com as duas categorias, Cup e Challenge, no grid do Circuito Estoril para a corrida que encerra a programação da primeira etapa do Porsche GT3 Brasil.






video

Pastéis de Belém (26)

Luiz Alberto Pandini e eu, comentarista e narrador, a postos aqui no autódromo do Estoril para a transmissão das provas do Porsche GT3 Brasil pelo Speed Channel. Estaremos no ar daqui a pouquinho, a partir do meio-dia aí do Brasil.

Há 22 anos, quando comecei a tomar algum gosto por automobilismo, eu lia esse baixinho, então assinando Beto Pandini, no material da revista "Grid". Hoje trabalho ao lado dele.

Pastéis de Belém (25)


Para que não haja muito a dizer sobre a etapa do Porsche GT3 Cup Challenge Brasil no Estoril, basta vermos esse clipe, preparado ontem pelo Henrique Cardoso, da equipe Motores Velozes.

Não sei quanto a vocês. A mim, até emociona.

Pastéis de Belém (24)

Não foi só no momento da foto, alguns minutos atrás. Das cinco bandeiras hasteadas em frente à área vip, e ao lado do pódio, a de Portugal era a única que tremulava, imponente.

Eu e essa minha mania boba de ver significado em coisas que são, ou devem ser, mera casualidade.

Pastéis de Belém (23)

Como já era de se prever, assim amanhece o sábado de corridas aqui no Estoril. Chuva fraca, pista encharcada.

Daqui a pouco teremos o início das corridas europeias do Porsche GT3 Cup Challenge Brasil, as que abrem a temporada de 2011. Que, como já disse à exaustão aqui no BLuc e também lá pelo Twitter, o público brasileiro poderá acompanhar as três corridas na transmissão do Speed Channel, narro-as ao lado do comentarista Luiz Alberto Pandini.

A grandeza da iniciativa e o nível atual da categoria já seriam motivos mais que suicientes para termos um espetáculo e tanto nas três corridas. O aguaceiro na pista tende a tornar ainda mais interessante o resultado da festa toda.

sexta-feira, 25 de março de 2011

Pastéis de Belém (22)

Eis aí um detalhe do carro de Paulo Moreno, português que toma parte do grid do Porsche GT3 Cup Brasil disputando a prova da categoria Challenge no Estoril.

Nove em dez leitores – só uma hipótese, claro; o BLuc não tem tamanha audiência – terão notado, de cara, a menção a Senna. Todos os 45 carros que estarão na pista das corridas de amanhã levam a peça que o homenageia acima dos números.

A ação dá-se no país onde, além de ter feito história pela conquista da primeira vitória na F-1, o tricampeão ainda conta com certa devoção do público do automobilismo. Uma das áreas vip do autódromo, como contei ontem, é decorada com painéis de Senna.

Pastéis de Belém (21)

Com a volta mais rápida de todo o fim de semana, o campeão Ricardo Rosset acaba de conquistar no Estoril a pole-position da categoria Cup, a dos carros novos, para a primeira etapa do Porsche GT3 Cup Challenge Brasil. Com média de 144,208 km/h, ele foi 0s361 mais rápido que Constantino Júnior, que larga a seu lado na primeira fila - foi Constantino, vice-campeão em 2008 e 2009, quem dominou a primeira fase do treino classificatório.

TOP TEN
1º) Ricardo Rosset (1), 1min44s399
2º) Constantino Júnior (0), 1min44s760
3º) Ricardo Baptista (27), 1min45s069
4º) Clemente Lunardi (7), 1min45s459
5º) Marcel Visconde (55), 1min45s486
6º) Beto Posses (52), 1min45s509
7º) Marcelo Franco (70),1min45s896
8º) Maurizio Billi (34), 1min45s957
9º) Daniel Paludo (89), 1min45s983
10º) Tom Valle (99), 1min47s053
TREINO CLASSIFICATÓRIO
11º) Guilherme Figueirôa (9), 1min46s499
12º) Charles Reed (36), 1min46s840
13º) Marcos Barros (997), 1min46s888
14º) Eduardo Souza Ramos (3), 1min47s320
15º) Adalberto Baptista (10), 1min47s452
16º) Sérgio Ribas (63), 1min47s985
17º) Omilton Visconde Júnior (11), 1min48s131
18º) Ésio Vichiese (16), 1min48s245
19º) Danilo Fernandez (18), 1min48s623
20º) Henry Visconde (15), 1min50s002

Cabe lembrar que tanto a classe Challenge quanto a Cup terão duas provas amanhã. Uma corrida de cada categoria e uma terceira reunindo todos os 44 pilotos inscritos, com classificação em separado.

Pastéis de Belém (20)

Terminou há instantes o treino classificatório da categoria Challenge na etapa portuguesa do Porsche GT3 Cup Challenge Brasil. E Gilberto "Gil" Farah - ele já me alertou, tempos atrás, que sua mãe fica fula da vida quando o chamo de "Gilberto Gil" -, que dominou os treinos livres de ontem, conquistou no Top Ten a primeira pole-position de 2011.

Piloto do carro número 81, Gil atingiu 139,269 km/h de média horária na volta mais rápida da fase decisiva do treino classificatório, a que reuniu os 10 mais rápidos dos 24 que foram à pista. Haverá pilotos de três países na pista - além da maioria brasileira, vão largar o mexicano Paco Salcedo, em 14º, e o português Paulo Moreno, em 24º.

O grid da corrida é este - entre parênteses, os números de cada carro:

TOP TEN
1º) Gil Farah (81), 1min48s101
2º) Eduardo Rocha Azevedo (88), 1min48s884
3º) Fernando Barci (46), 1min48s924
4º) Rodolfo Ometto Rolim (8), 1min49s135
5º) Sylvio de Barros (5), 1min49s406
6º) Christiano Freire (11), 1min49s440
7º) Gui Affonso (4), 1min48s711
8º) Edu Guedes (9), 1min49s884
9º) Marcelo Stallone (17), 1min50s185
10º) Jorge Borelli (57), 1min50s467
TREINO CLASSIFICATÓRIO
11º) Carlos Ambrósio (18), 1min50s073
12º) Alan Turres (99), 1min50s118
13º) Amilcar Collares (27), 1min50s206
14º) Paco Salcedo (3), 1min50s344
15º) Carlos Silveira (10), 1min50s657
16º) Daniel Moraes Schneider (77), 1min50s701
17º) Sérgio Maggi (69), 1min50s909
18º) Armando Marracini (21), 1min51s433
19º) André Lara (41), 1min51s487
20º) Benny Lago (63), 1min51s598
21º) Tommy Soubihe (7), 1min51s946
22º) Bernardo Parnes (54), 1min52s071
23º) Flávio Rietmann (33), 1min52s276
24º) Paulo Moreno (26), 1min58s289

Daqui a pouquinho vão à pista os pilotos da categoria Cup, a que estreia os novos carros com motores de 450 cavalos, também para a definição do grid de amanhã.

Pastéis de Belém (19)

Enquanto aguardamos o reinício de treino, durante a primeira bandeira vermelha do fim de semana, dou uma olhada no CD "60 Hinos Nacionais", bastante útil em autódromos, free shops e presídios fronteiriços. E que contém os hinos de 59 países, de Albania a United States of America.

Lendo o encarte, concluo que um tal "Anon" foi o maior compositor de hinos da história. Leva o crédito por 10 das 59 faixas.

Pastéis de Belém (18)

A alemã Schuberth, fabricante de capacetes que fornece os cascos utilizados nas principais competições do mundo, expõe seus últimos lançamentos cá nos boxes do Estoril.

Em meio aos produtos, chama atenção exemplares utilizados na última temporada por Michael Schumacher e Felipe Massa. Que parecem não ter peso algum.

Os técnicos da empresa que estão no autódromo têm na ponta da língua explanações sobre seus produtos. Que custam, alguns, qualquer coisa em torno de cinco mil euros.

Considerando todos os vastos atributos citados pelos alemães, uma pechincha.

Pastéis de Belém (17)

Treinos livres no automobilismo, sobretudo em pistas desconhecidas dos pilotos, caso da do Estoril para quase todos os participantes do Porsche GT3 Cup Brasil, servem mais para que se assimilem referenciais da pilotagem do que propriamente para o ajuste dos carros.

Via de regra, os pilotos aplicam as experiências das primeiras voltas por um circuito onde nunca competiram para experimentar as tangências e os pontos de reaceleração e frenagem que lhes possibilitem o melhor desempenho possível ao cronômetro.

Os treinos de ontem no Estoril começaram com os pilotos prevendo as frenagens ao final da reta dos boxes na marca dos 60 metros, ou 80, ou 100, antes da curva Um. Ao fim do dia, os prognósticos eram outros. “Vou frear às 15 para as duas”, planejou Guiherme Figueirôa.

Atribua-se o referencial exótico ao painel que os pilotos visualizam em frente aos boxes, que indica no display direito o tempo restante para o fim de um treino ou prova e, no esquerdo, o horário local.

Pastéis de Belém (16)

Depois de dois dias de tempo limpo e temperaturas baixas para os nossos padrões, o dia amanheceu carrancudo hoje no Estoril. Choveu na madrugada (só fui perceber à saída do hotel) e a pista, a pouco mais de meia hora do início dos treinos, está bem úmida.

Indica a meteorologia que a sexta-feira, dia de treinos livres e classificatórios do Porsche GT3 Brasil, deve seguir nublada, com a temperatura entre 11 e 19 graus. Chance de 20% de chuva. Pelo aspecto das nuvens que cobrem o autódromo e encobrem os morros vizinhos, eu aumentaria esse percentual. Não é minha pretensão interferir no que apontam os especialistas.

Para amanhã, dia das provas que abrem a temporada, já se espera humor ainda menos evidente por parte de São Pedro. Temperaturas com mínima de 12 e máxima de 18 graus e possibilidade de chuva na casa dos 70%.

Sem ilações saudosistas, deveremos ter boas corridas com chuva no Estoril.

ATUALIZANDO EM 25 DE MARÇO, ÀS 10h31 LOCAIS (7h31 de Brasília):
Eu não estava errado - nunca estou, aliás. Acaba de começar a chover no Estoril, a 14 minutos do fim do primeiro treino oficial. Todo mundo pro box, claro.

Pastéis de Belém (15)











Pouco antes de chegar a Lisboa, na quarta-feira de manhã, condicionei-me a ler todos os avisos, anúncios e demais mensagens escritas que visse. Poderiam me dar algum indicativo do ambiente que me esperava. Desisti da estratégia poucos minutos depois do desembarque. A primeira coisa que pude ler no aeroporto foi uma placa de uns 30 metros quadrados com uma peça turística sobre a Bahia.

A chance seguinte, um painel com peças rotativas, informava primeiro que o papel de Portugal é importante, porque o país produz 62% do papel de escritório que a Europa exporta ao Oriente Médio, inovar na produção em linha de artefatos bélicos poderia ser mais útil para aquele mercado, fiz as contas. Virando o painel, fui informado que poderia sacar em euros do saldo da conta em determinando banco brasileiro. Não tenho conta bancária e continuei limitado aos poucos cêntimos trazidos de casa.

Esperava amor à primeira vista, o que o convite para ir à Bahia e a proposta tentadora de sacar euros de um caixa eletrônico brasileiro não foram capazes de despertar. No caminho entre Lisboa e Estoril, já amanhecendo o dia, pude perceber duas coisas: que o café da manhã servido a bordo não tinha caído legal, já contei isso aqui, e que os arquitetos lusos especializaram-se em distribuir conjuntos geminados pelo acidentado relevo português. É só o que se vê, além dos geradores de energia eólica.

A agenda aqui não permitiria grandes abusos, claro. Nunca permite. Sobretudo por eu ter trazido trabalho de casa para fazer depois do autódromo. Mas conhecer um pouco da noite estorilense seria mal mais que necessário. E, depois de uma rodada de uísque no hotel, fomos atrás de um lugar onde fosse possível comer qualquer coisa. Com um pouco de sorte, seria enfim apresentado aos tão propalados pastéis de Belém.

Nova decepção. A impressão que tive foi a de que Portugal fecha às nove. Andamos um bocado pelos arredores do Cassino Estoril e fiz questão de sair do único restaurante aberto porque o garçom foi grotesco ao dizer que só serviria meu pedido no balcão – o cardápio era pouco variado e minha opção seria por um sanduba.

Mandei o gajo à merda – baixinho para ele não escutar, é verdade – e dali saí para uma outra coisa que jamais havia feito na vida: entrar em um cassino. É bem verdade que só o fizemos na tentativa de cortar caminho até o outro lado, onde supúnhamos haver mais restaurantes, mas não havia saída pelos fundos e tivemos de voltar. Casa lotada e expressões infelizes. Pencas de gente perdendo o suado dinheirinho em roletas e caça-níqueis de todos os tipos. Houve tempos em que me sentiria tentado. Não torrei um cêntimo sequer.

O jantar de quarta acabou se resumindo a um hambúrguer de qualidade questionável numa moquifa indicada por um taxista, devidamente disfarçada pela porta fechada e pela fachada escura. Fosse no Brasil, seguramente seria um ponto de putaria e venda de drogas. Era uma bodega humilde, nada mais. A experiência inglória não deixou dúvidas, e ontem tratamos de jantar no hotel, mesmo, antes do merecido descanso.

Ao amanhecer, aumentaram minhas ricas impressões sobre o país. Portugal fecha às nove e tem água suja. O plano de uma imersão na banheira naufragou na água marrom. Será que bebem isso por aqui? Pelas teses de Jackie Stewart os pilotos portugueses jamais teriam campanhas assombrosas no automobilismo, logo concluí.

Amanhã à noite volto pra casa e vejo-me sob o risco de medir todo um país por alguns metros do caminho repetido todos os dias, como já fiz condenavelmente com a Argentina. Lugar interessante, esse aqui. Cheio de gente simpática, prestativa, de fala cativante e sem a merda do gerúndio.

Já estou a ficar com saudades de Portugal.

quinta-feira, 24 de março de 2011

Pastéis de Belém (14)

Sem maiores chorumelas, então, vamos ao miniconcurso em que os espectadores do Porsche GT3 Cup Brasil vão disputar, a tapa, um boné especial, da série alusiva ao evento deste fim de semana no Estoril. Esse das fotos.

Para concorrer você não precisa comprar carnê, recortar cupom de embalagem ou abastecer na rede de postos indicada. Basta deixar aí abaixo, na área de comentários, seu palpite para o resultado do pódio da terceira e última corrida da programação de sábado, que vai começar às 13h de Brasília, tendo na pista todos os pilotos das duas categorias – Cup e Challenge. O pódio, vale lembrar, é composto por seis pilotos.

Vale o resultado geral, independentemente da categoria em que os pilotos estejam inscritos. Quem acertar o vencedor soma um ponto. O acerto do segundo colocado vale dois pontos; do terceiro, três; do quarto, quatro; do quinto, cinco; do sexto, seis. É necessário que o jogador indique, também, sua própria ID no Twitter, para facilitar o contato. O concorrente que somar mais pontos, adivinhem só, leva. Havendo empate, caso eu não consiga viabilizar o número correspondente de bonés – o que é bem provável, já que só consegui salvar um –, os vencedores serão submetidos a sorteio.

Os palpites devem ser postados conforme o modelo abaixo, em que utilizo nomes de pilotos que já competiram no Porsche GT3 Cup Challenge Brasil não participam do evento do fim de semana no Estoril:

Nome: Luciano Monteiro
Twitter: @lucmonteiro

1º) Totó Porto
2º) Luiz Zattar
3º) Alexandre Barros
4º) Miguel Paludo
5º) André Posses
6º) Haroldo Pinto

Se você não está tão familiarizado com a categoria, acompanhar a cobertura no site da categoria, esse aqui, pode ajudar. Vão valer os palpites postados até a noite brasileira de sexta-feira.

Vai ficar olhando o modelo por muito tempo? Poste logo o seu palpite aí abaixo e cruze os dedos. A corrida, torno a lembrar, será transmitida ao vivo pelo Speed Channel, com minha narração e comentário do Luiz Alberto Pandini.

ATUALIZANDO EM 25 DE MARÇO, ÀS 16h50 LOCAIS(13h50 em Brasília):
Outra lambuja aos que não sabem para onde correr. O
grid da primeira corrida da categoria Cup é esse aqui. Já as posições de largada para a primeira da Challenge estão aqui.

Outra informação que pode ser útil. O grid da terceira corrida, a que vale para a promoção, terá à frente todos os carros da Cup, reproduzindo a ordem de chegada da primeira corrida, com inversão absoluta das oito primeiras posições - o vencedor larga em oitavo, o segundo sai em sétimo, o oitavo larga da pole. Depois desses 20 é que vão alinhar os da Challenge, esses sem inversão nenhuma de posição em relação ao resultado da primeira corrida do dia.

Pastéis de Belém (13)

Eu poderia só atualizar o post aí de baixo, mas internet não cobra por espaço utilizado – aliás, não pago nada para ter o BLuc, talvez motivo principal para ainda não tê-lo extinto.

Além do “Bar Paddock”, perambulando há pouco pelo autódromo do Estoril, encontrei esse quiosque – que, devo dizer, serve um hambúrguer muito bom. De conversa fácil como todo típico português, o proprietário, esqueci de perguntar seu nome, falou por alguns minutos das dificuldades que por vezes enfrenta com o modesto negócio.

O contrato que cumpre com a administração do autódromo exige que atenda aos eventos visitantes, haja ou não clientela para seus lanches e bebidas. "Eles entendem que é necessário estar à disposição de quem usa o autódromo. Nem sempre me é vantagem", observou. "Bom é quando temos o MotoGP", lembra, contando orgulhoso que seus pontos de venda abastecem dez setores distintos do autódromo, entre área interna e arquibancadas – ou "bancadas", como citou. De novo, um exemplo que os manda-chuvas de Interlagos deveriam anotar em suas cadernetas.

No quiosque, atentei também para uma curiosidade: havia à disposição o guaraná Antarctica, da indústria brasileira, e o até então desconhecido concorrente da marca Brasil. Que é produzido em Portugal. Amanhã vou provar um.

Pastéis de Belém (12)

Dentre várias outras, no que diz respeito a autódromos, uma vantagem de Estoril sobre Interlagos: aqui há uma lanchonete.

Até agora não entendi, não sei se seria dever de alguém tentar me fazer entender, por que diabos acabaram com a lanchonete que havia logo atrás dos boxes de Interlagos até o ano passado, que por sinal tinha nota azul nos meus criteriosos conceitos botequísticos.

Talvez os administradores de lá construam outra logo, assim que derem fim ao matagal que está engolindo a pista.

Pastéis de Belém (11)

Péssimo repórter que sou, não consegui extrair de muita gente, por aqui, informações mais precisas sobre o protótipo aí da foto, discretamente estacionado num dos boxes (ou "numa das boxes", como dizem por aqui) do autódromo do Estoril. O Dú Cardim, entusiasta da recém lançada Fórmula Vee, será um dos primeiros a cobrar mais explicações.

Há três como esse, contaram-me. O “MP”, e batizei-o assim pela inscrição “Made in Portugal” nas laterais, é um protótipo construído aqui nos arredores por um grupo de jovens engenheiros para teste de motores a diesel e, como sugere a construção em formato biposto, para a execução de voltas rápidas com convidados pela pista. “Quando não há nenhuma outra atividade no autódromo”, conforme esclareceu outro frequentador assíduo daqui.

Não há carenagem. O carro é o que se vê nas fotos. O engenheiro que criou o “MP”, revelou outro patrício, pode aparecer por aqui durante o fim de semana. Caso venha, mesmo, vou procurar saber mais.

É um laboratório bastante aprazível, não há dúvida.



Pastéis de Belém (10)

Ano passado o Porsche Cup Brasil saiu do país pela primeira vez. Fomos à Argentina em setembro, para três provas extracampeonato – uma de cada categoria e outra unindo as duas categorias na pista, pela primeira vez. O nome daquele sábado, embora na narração para o Speed Channel eu tenha definido seu dia como “um domingo perfeito”, foi Alexandre Barros. Depois de alguns meses de sua estreia no automobilismo, já tendo até liderado o campeonato, Alex ganhou as duas corridas em Buenos Aires. Foram as primeiras vitórias de sua carreira.

Uma hegemonia internacional que não será mantida cá em Portugal – afinal, em 2011, Alex não disputa o Porsche Cup. Enquanto trata da lesão no ombro que sofreu em uma prova festiva de Supermoto, segue ministrando seus cursos de pilotagem em São Paulo e tratando de dar forma ao campeonato de motovelocidade que promete lançar aí no Brasil em maio.

Estaria em casa, Alex, caso viesse. Foi aqui no Estoril, em 2005, que ele conquistou a última de suas sete vitórias no Mundial MotoGP. Com direito à pole-position, à volta mais rápida da corrida e a uma recuperação mais do que eficiente depois da largada pouco produtiva, domando a moto da Camel Honda com pneus slick no asfalto molhado para colocar no bolso os italianos Valentino Rossi, da Yamaha, e Max Biaggi, também da Honda, segundo e terceiro.

A torcida presente ao autódromo naquele 17 de abril esteve toda ao lado do brasileiro, que saiu de Portugal como vice-líder do campeonato.

Pastéis de Belém (9)

Apesar de algumas decepções com a cidade, assunto para um pastel nas próximas horas, a estrutura e a condição de trabalho aqui no autódromo do Estoril são formidáveis. É piada recorrente – não avalizada pela chefia, aliás – que o Porsche GT3 Cup Brasil deu um tiro no pé vindo fazer corridas em Portugal, por ter oferecido a seus pilotos um padrão que não será possível praticar nas corridas brasileiras.

Brincadeiras bobas à parte, todos os integrantes da categoria veem-se maravilhados com o que o autódromo oferece, as instalações, o serviço, o estado de conservação, a presteza e a cortesia de todos que aqui trabalham. Alheios a essa admiração, os portugueses gabam-se, dizem que o circuito do Algarve dá de dez a zero no do Estoril. Logo devo estar por lá para tirar meu parâmetro próprio a respeito.

Atenho-me, no caso desse post, a apenas um dos fatores que chamaram atenção nesse princípio de fim de semana de trabalho. O modo como direção de prova e comissariado, ou colégio de comissários, como chamam aqui, acompanham treinos e corridas. Uma das coisas que faço melhor é importunar, e há pouco fui à sala de controle importunar a equipe de trabalho. Que, com a cortesia a que já estamos nos acostumando, me mostraram detalhadamente o funcionamento de tudo.

Há tempos, postei lá no Twitter uma foto da sala da direção de prova na etapa brasileira do WTCC. Havia uma estante com 12 monitores de 20 polegadas, em que o diretor de provas Eduardo Freitas - português, casualmente - e sua equipe acompanhavam tudo que se passava na pista. Pois bem, aqui no Estoril nada menos que 28 monitores estão instalados às fuças dos comissários, como mostra a foto aí de cima.

Cada monitor exibe a imagem de uma das câmeras fixas do sistema interno, equipamento que nada tem a ver com a geração de imagens das corridas para a televisão. E as imagens de todas as câmeras são armazenadas em disco rígido, num dispositivo pouco maior que um vídeo-cassete (lembram?). Os comissários podem rever quantas vezes quiserem a imagem de qualquer ocorrência de pista, desde o primeiro treino livre de um fim de semana de corrida. A margem de erro nas decisões e eventuais punições, com uso desse sistema, cai a quase zero.

No automobilismo do Brasil, por exemplo, essa revisão de imagens só é possível a partir do momento em que a geradora de imagens, que normalmente é a minha conterrânea MasterTV, conclui sua preparação para gerar um evento para a televisão – mesmo assim, nem todas as imagens captadas são armazenadas.

Sou beneficiado direto dessa condição toda. Aqui na aconchegante sala reservada aos locutores, tenho à disposição nada menos que seis monitores para a cronometragem e a imagem de cinco das 28 câmeras. Pela foto, vê-se que dei outro fim à comodidade e vou acompanhando aos poucos a programação do Eurosport. De forma ou outra, os Capellos, Chicões, Kakás, Lucs, Murilos, Pernas e Valérios, que fantasio serem os locutores aqui do automobilismo português, têm o trabalho muito mais facilitado que seus equivalentes brasileiros.

O costume feio que nós brasileiros temos de fazer piadas com português, em certos pontos, precisa de freio rápido. No automobilismo, de modo especial, essa mania de atribuir burrice aos patrícios é, sim, de uma burrice e tanto.

Pastéis de Belém (8)

Cá em Portugal recebo, via MSN, o contato da colega Rosane Richetti, agora integrante da Comunicação Social da Prefeitura de Cascavel. Que convida para a solenidade de amanhã, a partir das 10h, lá no terceiro andar do Paço Municipal, em que o prefeito Edgar Bueno vai sancionar a lei que autoriza o Executivo a receber, como doação, a área o autódromo da cidade.

Na prática, é o ponto de partida para que possam ocorrer investimentos públicos na tão necessária reestruturação do complexo. A chance de Cascavel voltar, em médio prazo, a frequentar os calendários nacionais. Ótimo fruto da dobradinha bem sucedida que Miguel Beux, dirigente de ora, estabeleceu com o Edgar. Há um texto que está sendo distribuído à imprensa a respeito, pode ser lido nesse link aqui.

Agradeço à Rosane e ao Miguel Dias pela lembrança, mas não vou poder me fazer presente, por motivos óbvios. Não é a única coisa importante que a viagem a Portugal me terá feito perder.

Outra, de importância ainda maior, será hoje à tarde. Luc Jr., meu ferinha, vai começar a jogar futsal. Faria tudo para estar lá, babando, da arquibancada do ginásio.

Pastéis de Belém (7)

Apesar das espinafradas que levei ontem por um comentário sobre Senna, aqui no blog, cabe informar aos parcos e incautos leitores deste espaço que os portugueses guardam, sim, suas reverências ao brasileiro. A foto aí de cima, tirei-a agora, é de um dos espaços vip aqui do autódromo do Estoril. Duas imagens de Senna no pódio.

Curiosamente, nenhuma daquela histórica vitória de 21 de abril de 1985.

Pastéis de Belém (6)

As câmeras amadoras de bolso que costumo portar não permitem milagres, mas são o suficiente para proporcionar uma ideia do tamanho do evento que Dener Pires conseguiu formatar.

Neste momento, ali na reta principal do autódromo do Estoril, a equipe de produção do Porsche GT3 Cup Brasil posiciona todos os carros da categoria para que se faça a foto oficial de abertura da temporada da categoria.

Uma imagem que marca. E que, para quem em menor ou maior grau de importância faz parte disso aqui, significa bastante.

Puxação de saco à parte, embora não vão faltar observações a respeito, Dener é o cara.

quarta-feira, 23 de março de 2011

Pastéis de Belém (5)

Mereceu até um painel gigante numa das inúmeras instalações aqui do autódromo do Estoril. Devidamente autografado pelos dois protagonistas.

Era a 16ª e penúltima etapa do Mundial MotoGP de 2006. A data, escancarada na peça, 15 de outubro. E o resultado da corrida, diriam os antigos, só foi conhecido no fotochart.

A vitória no GP de Portugal foi do espanhol Toni Elias, de Honda, que cruzou a linha de chegada indefiníveis 0s002 à frente da Yamaha do italiano Valentino Rossi. Dois milésimos de segundo!

O americano Kenny Roberts Jr., terceiro com uma KR211V, recebeu a bandeirada menos e dois décimos de segundo depois do vencedor. Nicky Haiden, que conquistaria o título duas semanas depois em Valencia, abandonou.

Uma parede é pouco para contar a história de mais um desses momentos memoráveis do esporte.

Pastéis de Belém (4)


O assunto é o autódromo do Estoril, e é impossível abordá-lo sem lembrar de Ayrton Senna. Foi nessa pista aqui, afinal, que ele protagonizou, ao cockpit da McLaren, uma das maiores besteiras de sua carreira na Fórmula 1. Dela, lembro como se fosse hoje.

O GP de Portugal, 13º dos 16 daquele ano, estava na fase final quando Senna, segundo colocado a léguas de distância do líder Gerhard Berger, era ultrapassado pela outra Ferrari, de Nigel Mansell. O toque foi inevitável, o abandono também. Agravante: Mansell já tinha sido desclassificado por uma manobra irregular nos boxes e, tonto por natureza, fez questão de ignorar a bandeira preta.

Berger venceu, Alain Prost foi segundo e Stefan Johansson, sujeito que conheci ano passado na etapa brasileira da Indy, foi o herói do dia dando à Onyx (lembram?) o único pódio de sua curta existência.

E a TV brasileira não mostrou a corrida até o final. Poucos segundos antes do meio-dia, Galvão Bueno desculpou-se como pôde por não ter havido autorização da Justiça Eleitoral para a Globo adiar a exibição do horário político - que traria as imperdíveis considerações de Marronzinho, Armando Corrêa, Celso Brandt, Enéas e outras aberrações.

E eu, para assistir à corrida, deixei de ir ao velório de um grande amigo da família. Estava uma chuva dos diabos em Cascavel.

ATUALIZANDO EM 23 DE MARÇO, ÀS 13H15 (horário local):Caso você seja um dos que vieram a este post esperando odes à primeira vitória de Senna na F-1, também aqui no Estoril, vai querer acessar esse link aqui. Em 13 partes, a corrida de 1985, completinha. Como é padrão do YouTube, um vídeo vai conduzindo ao outro.

Pastéis de Belém (3)

Cá do Estoril, já instalado no autódromo, honro um compromisso inadiável que venho adiando há semanas - o preenchimento dos formulários de apostas do BRV, o bolão da Fórmula 1 que uma confraria de patifes jornalistas organiza desde 2004, acho, e ao qual despendo meu suado dinheirinho desde a primeira edição, certeza.

Temos de apostar até na cor da cueca de quem for largar em 16º. Ao fim do ano, algum insalubre apostador amealha alguns dinheiros. Em 2006 cheguei ao último GP, o do Brasil, como líder, mas Kubica ficou uma posição aquém do que devia e por isso caí para terceiro.

Nada disso importa. Fato é que a precisão matemática do DataLuc acaba de me certificar: a corrida de domingo, na madrugada, vai acontecer durante meu voo de volta ao Brasil. Há tempo hábil para providenciarem TV ao vivo nos jatos da TAP?

Pastéis de Belém (2)

De cara, o título que escolhi para a série de bobagens que vou postar cá de Portugal soa indigesto. Na chegada à Europa, afinal, vomitei.

Que não se observe aqui qualquer menção de reprovação a nada. De fato, e sem maiores cerimônias, pus para fora a refeição servida a bordo e que me fez desembarcar num mal-estar dos diabos às seis da manhã em Lisboa. E no frio, o que não costuma deixar o meu questionável humor em seus melhores dias.

O problema foi que o rango, até bom, mostrou-se incompatível com o preço que meu sistema digestivo tem cobrado pelos maus tratos a que o tenho submetido nas últimas décadas. Nada mais que isso.

Pouco passava das seis e meia da manhã aqui, três e meia no Brasil, quando usei as últimas gotas da bateria do celular para avisar o povo lá de casa que havia chegado. Isso é praxe. Desci do voo 196 da TAP sob um frio de 10 graus e, em novo exemplo de maus tratos ao corpo, vali-me do ambiente reservado a fumantes, aqui fumadores. Foram mais de 12 horas sem uma tragada. Destinam a isso algo parecido com a tal "casa de vidro" do BigBrother, que entendo ser uma espécie de repescagem do jogo.

Os centenas de metros entre o finger e os guichês da imigração, penso, valeram para repor uma das várias tardes de caminhada em que dei o cano nos últimos dias.

O café da manhã começou a mandar lembranças já na longa fila da imigração, onde um dos atendentes assustava gentes de várias partes do mundo com sua visível falta de disposição de aplicar seu carimbo azul a passaportes estrangeiros. Preparei para ele um repertório que acabei não tendo de sacar. Quem me atendeu foi sua simpática colega, que mostrou-se solidária a mim diante da informação de que fico por aqui só até sábado. “Tão pouquinhos dias?”, sorriu.

Antes disso, logo atrás na fila, um colombiano roía unhas diante da constatação de que sua conexão para Madri partiria em 20 minutos e havia coisa de uma centena de passaportes à nossa frente. Estava acanhado, ainda mais depois da tentativa malfadada de pedir orientação a um agente que, mostrando no peito a insígnia policial, esnobou em bom português, sem trocadilhos, que aquilo não era problema dele. Fiz o colombiano furar a fila, dei-lhe dicas que supus serem eficientes para ir direto ao guichê. E assim fez, e deve ter conseguido embarcar para a Espanha.

Depois de 50 minutos na fila à espera do carimbo, retirei a bagagem nas esteiras e fiz menção de procurar os pontos de táxi. Até que um agente alfandegário encucou com a caixa que eu trazia a pedido do pessoal que veio antes, e que me foi levada ontem à tarde em Guarulhos. Por algum motivo, pensava serem adesivos, e foi o que respondi ao fiscal ávido por encontrar ali algo que me pudesse estragar a quarta-feira. Abriu a caixa. “Isto lhe parecem autocolantes?”, indagou, apontando para o conteúdo da embalagem – suportes metálicos não sei do quê. “Talvez com umas gotinhas de Super Bonder...”, foi o que respondi, e fui liberado.

Calculo que 120% dos táxis de Portugal, ao menos da frota de Lisboa, são veículos Mercedes-Benz. “A opção é dos patrões. Estes são os melhores carros”, apontou Carlos do Rosário, taxista que me trouxe ao hotel Estoril 7. Tive praticamente de lhe ensinar o caminho, constatação dele próprio. “Ah, pois, sou taxista há tantos anos e é um rapaz do Brasil quem tem de me ensinar os caminhos cá no Estoril. Seguramente vais fazer piadinhas de português com os seus”, anteviu, coberto de razão e exercendo o sotaque pátrio em que vejo boa dose de simpatia.

Foram algumas voltas, é verdade, até chegarmos ao hotel que, minutos antes, eu já lhe havia apontado de longe. “É lá, olha o letreiro”. A essa altura, estávamos no portão do autódromo, que será o escritório de todos nós do Porsche GT3 Cup Brasil no fim de semana. O fiscal responsável por liberar a cancela à entrada do complexo esportivo não soube informar a Carlos do Rosário a rota para virmos à hospedaria; o taxista viu-se em dificuldade também com os complicados trevos que trazem até aqui. “Não há boa sinalização, parece coisa de português”, tentou brincar. Os brasileiros devem abusar da sacanagem com o pessoal daqui.

Enfim, não consegui administrar meu estômago até a chegada ao Estoril 7. Pedi a Carlos do Rosário que estacionasse em qualquer lugar e, tendo o autódromo como paisagem, tratei de aliviar meu mal-estar. Missão cumprida, um guardanapo, um chiclete e tudo certo.

O relógio do laptop indica que são seis da manhã. Na verdade, são nove. Vai continuar indicando meu horário habitual. Ia arriscar uma imersão em água quente na banheira, mas deixo pro fim da tarde. Vou dar um pulinho ali no autódromo. Que, olhando daqui, a algumas centenas de metros, parece muito bonito.