sábado, 31 de dezembro de 2011

Valeu, valeu!

Sou da corrente que não vê sentido em comemorar uma data simplesmente porque o número final do ano vai mudar no calendário. A festa do Natal faria mais sentido, não fosse Papai Noel a estrela principal.

Enfim, é do Ano Novo que se trata, e é ele, o Ano Novo, que me tira da cama, há sempre os idiotas que começam a estourar rojões de manhã, outra coisa boba de datas assim, estourar rojões. Deve ser um torcedor santista frustrado, para aproveitar a piada em voga, mas fato é que muitos rojões vão ser queimados hoje. Bom para os donos das casas de fogos de artifício, tomara que aproveitem o período de bom lucro e deem uma mãozinha a quem não tem o que comer.

E que importância tem esse feriado (sim, é feriado, mesmo que desta vez caia no domingo)? Anos atrás eu gostava da virada de ano porque tinha a São Silvestre perto da meia-noite, e aquela que o João da Mata ganhou não lembro em que ano foi a primeira grande festa que fiz num boteco, mas hoje a corrida acontece à tarde e ninguém vê. É também, o Ano Novo, um marco que coincide com o período de férias de muita gente, por isso aproveitam-no para viajar. Estar ali em vez de estar aqui, que é o que a maioria espera para ao menos uma vez por ano.

Propósitos são listados em profusão por todo mundo quando um novo ano se aproxima, e ninguém vai cumprir porra nenhuma do que prometeu a si próprio. Vai todo mundo continuar furando filas, dirigindo mal e sem responsabilidade por ruas e estradas, distribuindo tapinhas nas costas acompanhados de sorrisos amarelos; pior, uma parte vai continuar roubando, furtando, sequestrando, matando, legislando. A gente se perdeu e ninguém sabe pra que lado fica o caminho de volta.

Em que pesem o mundinho merda em que vivemos, sobretudo essa parte aqui, o Brasil, e o fato de não ver sentido em tanta festa por um dia que acaba e outro começa, aceito o momento de reflexão a que uma minoria se propõe. Faço a minha, que diz respeito a mim e quando muito ao pessoalzinho aqui de casa, e dela emergem dezenas, talvez centenas, de nomes a quem fiquei devendo um agradecimento gigantesco. À maioria, claro, agradeci como pude, alguns ficaram para trás, e de algum jeito vou conseguir dizer-lhes quão importantes foram durante 2011. Na vida, no trabalho, no lazer, em tudo, sempre há gente apoiando gente, gente que se difere da maioria e consegue se mostrar útil, prestativa, até gentil. Sim, o mundo tem salvação, é o que chego a pensar.

Os que tenham pisado no meu calo terão, claro, sido perdoados, embora não me julgue à altura de perdoar ninguém. Águas passadas não movem moinhos, alerta o ditado. Que não esperem uma segunda chance de decepcionar, que essa não vai acontecer.

Outra coisa que não dispenso do tal réveillon é o momento de festa, e a de hoje vai ser uma das melhores de todas, tenho certeza. Vamos de mala e cuia, a família toda, cunhados, sogra, alguns amigos, para Anahy, uma cidadezinha simpática aqui perto, fica a uns 60 km. A perda de tempo e dinheiro e o desgaste de tímpanos com fogos de artifício por lá são mínimos, foi o que disse um amigo que conhece bem o lugar, isso já faz Anahy amealhar minha simpatia. Amanhã, ou qualquer outro dia, eu conto aqui alguns detalhes da programação para hoje, que vou curtir bastante.

Por ora, não resta mais nada a fazer a não ser mentalizar um abraço a cada amigo que, vez ou outra ou como rotina obrigatória, passou os olhos aqui pelo BLuc em 2011. É um espaço que já deveria ter deixado de existir, visto que não traduz trabalho ou ganho, mas que por algum motivo persiste, absorvendo as abobrinhas que me saem da cabeça, e tenho visto que são muitos os amigos que acompanham tudo isso. Que vocês todos tenham discernimento suficiente para seguir a Lei de Ricupero, aproveitar de 2011 o que ele trouxe de bom e jogar o resto fora, algo assim.

A semana que vem está aí, o que ganha uma notoriedade maior por estar organizada cronologicamente em outro ano, que vai ser de muito trabalho, de muito desgosto, de muita alegria, de muito tudo, como são todos os anos. O que podemos fazer de diferente é cultivar melhor a convivência e os relacionamentos, é o que importa ao fim das contas. Vivam felicidades da virada de hoje à noite até a virada para 2013.

Cafunés a todos.

Sertanejão na veia

Não imaginava que houvesse na internet vídeos de Liu & Léu cantando ao vivo. Mas há, esse é um deles, num programa de 2004 da Rede Record, que tinha apresentação de Chitãozinho e Xororó.

Não sei se Léu acabou virando "Leo", como já li e vi em versões impressas e digitais de uma penca de material, mas é fato que a dupla dos irmãos Lincoln e Walter está prestes a completar 55 anos de atividade.

"Prato do dia" é um dos clássicos indispensáveis nas rodas de viola. Aprendi essa anos atrás, num boteco onde quem tocava o repertório da noite era o Andrade Paraná.


Também sou, afinal, um sujeito à disposição pra servir a moda que pede o freguês. E você, também é?

quinta-feira, 29 de dezembro de 2011

Dissemos na tevê

Aí estamos Luiz Alberto Pandini e eu, durante a transmissão das corridas que abriram em março, no circuito português de Estoril, a disputa da temporada de 2011 do Porsche GT3 Cup Brasil. Era o “Panda”, à época, meu comentarista nas transmissões pelo Speed Channel, função que na metade da temporada foi delegada ao André Duek.

Agora à tarde, pus para rodar o DVD com as corridas gravadas, sempre reservo uma cópia com o Thomaz Figueiredo – quase sempre, faltam-me várias edições do campeonato deste ano, vou tratar de conseguir em janeiro, e assim começa minha lista de propósitos para o novo ano, conseguir cópias em DVD das corridas que narrei.

Como eu dizia, aproveitei a agenda menos atribulada e revi hoje as corridas portuguesas. Em determinado momento, na narração, fiz um comentário elogioso ao autódromo, falando do sistema de câmeras de monitoramento da pista – expliquei o mecanismo todo aqui no blog, também. A partir disso, seguiu-se um diálogo entre Pandini e eu que, não sei por quê, quis compartilhar hoje com vocês aqui. Segue, transcrito:

Pandini – Faço questão de pegar uma carona no seu comentário, Luc, e de falar sobre o autódromo de Estoril, que é espetacular, tanto pelo traçado quanto pelas instalações sempre limpas, sempre bem cuidadas (nesse instante, Panda fez uma pausa em seu raciocínio para que pudéssemos ilustrar a forte disputa que acontecia entre Marcel Visconde e Tom Valle)...
Pandini – E faço questão de dizer: autódromo excepcionalmente bem cuidado, com funcionários, todos, secretários, diretores, cronometristas, equipe, toda a equipe, os seguranças, todos prestativos, gentis, uma boa vontade, uma simpatia...
Eu – É coisa que a gente não vê em todo lugar onde tem corrida lá no Brasil.
Pandini – Exatamente. Dá vontade de pegar esse autódromo, com todo mundo que tem dentro...
Eu – E levar embora.
Pandini – E levar embora.
Eu – E inclusive pegar alguns que tem lá no Brasil, com todo mundo que tem dentro, e mandar pra bem longe de lá.
Pandini – E jogar no meio do mar, né. Mas aí pode poluir o mar.
Eu – Já jogaram um no meio do mato, né. Interlagos, por exemplo, um pântano.

Vocês concluem o que quiserem dos comentários. Eu concluí que precisamos, todos, evitar o "né" quando a luz vermelha do "no ar" está acesa.

No clima

Na falta de algo que vá resolver problemas como o futuro da nação e o imposto predial, compartilho aqui a mensagem postada lá no Twitter pelo comandante Sérgio Rodrigues, que é, hã, um cara cheio de dedos.

É assim que vou brindar à chegada do novo ano, afinal. Sem energético, só com três pedrinhas de gelo, como sempre.

domingo, 25 de dezembro de 2011

E vale, não vale?

Não é novidade, os acessos estão há tempos no sétimo dígito, mas quem quiser enxerga facilmente aqui uma mensagem linda de Natal.


Em dias como o de hoje a gente faz questão de achar evidências de que o mundo vale a pena. Ainda dá pra fazer de todo dia um Natal.

quinta-feira, 22 de dezembro de 2011

Pintando o sete

Eis que, em plena programação de corridas do Itaipava GT Brasil, no fim de semana em Interlagos, flagrei o Marcão quietinho, numa das salinhas da organização. Passava o tempo fazendo o que mais gosta, que é desenhar.

Sujeito emblemático, o Marcos Fernando Costa Dias. Em plena era dos programas de computador que fazem tudo sozinho, é assim que ele leva a vida: a lápis, giz-de-cera, tintas, canetas, o escambau que a arte manual lhe permita usar.

Já tinha visto vários dos trabalhos do Marcão, que costuma trabalhar para o mesmo público que eu, o do automobilismo. Perspectivas, projeções de uniformes, propostas de layout para estruturas de competição e para os próprios carros de corridas, isso tudo sai da cabeça e das mãos do Marcão. Que, em Interlagos, executava um F1 Copersucar tendo a foto impressa do carro como referência.

Que está no Facebook, a página dele é essa aqui. E que também aceita encomenda de trabalhos por e-mail, o endereço dele é maferdesign@gmail.com.

Tela veloz

As duas últimas corridas do Itaipava GT Brasil na temporada de 2011, disputadas no último fim de semana em Interlagos, serão exibidas no domingo de Natal pelo Speed Channel. Serão duas apresentações, uma às 8h e outra às 20h, com as duas corridas da movimentada etapa final.

As corridas serão mostradas também na segunda-feira, a partir das 14h. Na quinta-feira haverá mais duas exibições, sempre das duas corridas da rodada dupla – uma às 19h, outra às 23h. Na sexta-feira serão mais quatro exibições da rodada dupla, às 4h, às 12h, às 14h e às 22h.

No sábado, por fim, será reapresentada a partir das 20h a corrida que definiu os campeões das categorias GT3 e GT4.

quarta-feira, 21 de dezembro de 2011

Luc Parade

Porque de repente uma música do Zé Geraldo pode dizer muito.


"Cidadão", uma pérola. E, aproveitando o dia mais quente do ano de Cascavel, vou atacar o pote de salada de frutas que repousa na geladeira.

terça-feira, 20 de dezembro de 2011

Pare e pense

Parece bobinha, mas é bem válida. E você, se identifica com algum dos coelhos?

segunda-feira, 19 de dezembro de 2011

Nossas modas

É claro que faltam as definições que sempre ficam faltando, e algumas delas às vezes são proteladas perigosamente para os 48 minutos do segundo tempo, mas há um fato, e esse eu duvido muito que vá mudar: enfim, Luc & Juli farão um show para os amigos aqui de São Paulo.

Vai ser no dia 25 de janeiro, feriado do aniversário da cidade. E no autódromo, o que achei bem bacana.

A última semana do mês, como já devo ter comentado por aqui, vai ser de uma programação bastante intensa, na pista e fora dela, com a realização das 24 Horas de Interlagos. Shows musicais estão na vasta lista de atrações paralelas à corrida e o programa do dia 25, quarta-feira de treinos na pista, será preenchida com 12 ou 13 atrações do estilo sertanejo. O nosso, entre eles.

Vai ser uma horinha de música da nossa parte, só, talvez o suficiente para satisfazer a curiosidade de todos os amigos que vivem aqui, que convivem ou interagem comigo por conta do ambiente das corridas e que há tempos esperam por uma aparição musical também.

Por falar em Luc & Juli, cabe aqui, para a segunda-feira, uma palinha nossa. "Boa sorte pra você", de uma das apresentações que fizemos começo do ano no Pantanero Bar.


Quanto à corrida, as 24 Horas de Interlagos, essa vai acontecer entre os dias 28 e 29, largada e chegada às quatro da tarde. Vou atuar nessa, também, na locução de arena. Como ninguém em sã consciência se atreveria a ficar ao microfone durante uma prova inteira com esta duração, vou revezar a missão com alguns colegas. Palpites sobre essa escalação?

sábado, 17 de dezembro de 2011

A promoção da vez

Seria mais honesto eu produzir uma foto aqui, mas achei mais cômodo copiar a do blog xarope do Nei Tessari. Afinal, esse é o brinde da PromoBLuc deste fim de semana de Itaipava GT Brasil, Mercedes-Benz Grand Challenge e TNT Superbike em Interlagos.

O kit com uma camiseta cor-de-rosa e um boné da mesma cor, que a Michelle de Jesus distribuiu a algumas pessoas como promoção de sua participação na corrida dos Mercedes-Benz C250 Turbo, é o prêmio do sorteio para os seguidores do meu perfil no Twitter. Para concorrer, é só postar lá mesmo, no Twitter, a frase abaixo, acompanhada do link e da hashtag indicados:

Neste domingo tem @ItaipavaGT na Band, às 12h30, com narração do @lucmonteiro e comentário do @tiagomendonca. #PromoBLuc http://kingo.to/VWE

A corrida da Michelle vai ser logo em seguida, largada às 14h20, ao vivo na Rede TV!, é o Tatá Muniz quem narra. Assim que a corrida terminar, faço o sorteio.

Ayrton e Otávio

Não é novidade que Otávio Mesquita é um chorão de carteirinha, coisa que nem ele próprio faz questão de esconder. Falei do assunto meses atrás aqui no blog, depois de um pódio dele no Itaipava GT Brasil aqui em Interlagos.

Otávio esteve no pódio hoje de novo. Foi terceiro colocado da categoria GT4 na penúltima corrida do ano, que teve vitória do Marcello Sant'Anna ("chegou o dia!", ele gritava nos boxes durante a corrida) e do Christian Pons, e terminando entre os três primeiros, como é praxe, participou da entrevista coletiva. Abriu mão de falar de sua corrida e pediu licença para contar algo que, lá na minha terra, chamamos de causo.

Otávio falou de algo como uma aposta que fez com Ayrton Senna à mesa do boteco - é só licença para uso do termo, foi num restaurante. Ele já tinha me contado isso em 2007, quando ganhou pela primeira vez no Porsche GT3 Cup, àquela época nossa agência prestava-lhe assessoria de imprensa no automobilismo. E, falando do assunto aos jornalistas, chorou de novo, a foto aí de cima, feita pelo comandante Sérgio Rodrigues, não me deixa mentir.

Até pensei em compartilhar a história, que envolve Ayrton ganhando corridas na Ferrari e outros detalhes, descrevendo-a aqui no BLuc. Mas acho mais prático e honesto repicar esta matéria aqui, que ele apresentou em seu programa na Band, o "Claquete".

A aposta de Otávio está paga.

Luc Parade

Além de três corridas que vão estabelecer recordes de participantes, lembrei isso ontem, a programação de amanhã do Itaipava GT Brasil aqui para Interlagos destaca o show do RPM. Serve também como pretexto pra eu guardar aqui minha música preferida não do grupo, mas do Paulo Ricardo.

"Dois" é ótima.

Luc Parade

Além de três corridas que vão estabelecer recordes de participantes, lembrei isso ontem, a programação de amanhã do Itaipava GT Brasil aqui para Interlagos destaca o show do RPM. Serve também como pretexto pra eu guardar aqui minha música preferida não do grupo, mas do Paulo Ricardo.


"Dois" é ótima.

Luc Parade

Além de três corridas que vão estabelecer recordes de participantes, lembrei isso ontem, a programação de amanhã do Itaipava GT Brasil aqui para Interlagos destaca o show do RPM. Serve também como pretexto pra eu guardar aqui minha música preferida não do grupo, mas do Paulo Ricardo. "Dois" é ótima.

sexta-feira, 16 de dezembro de 2011

Adrenarock

Mais uma vez, a equipe ATW/BVA vai proporcionar rock de boa qualidade nos boxes do Itaipava GT Brasil. A banda SuperSonix, que já se apresentou em Interlagos durante a etapa de três meses e meio atrás, voltará à ação durante o intervalo de visitação aos boxes do autódromo paulista, no domingo.

Com Leandro Delta nos vocais, Leandro Mazzi na guitarra, João Castro na bateria e Thiago Garibaldo no baixo, a SuperSonix traz ao autódromo um som que convencionou chamar de “adrenarock”. “Nós demos esse nome porque nossa música é feita para estimular a adrenalina, nós colocamos os sons de motores e outros relativos às músicas que fazemos”, explica Delta.

A banda tem apoio da ATW/BVA. Já compôs e gravou músicas especiais para a equipe (que pode ser conferida nesse clipe aqui) e para o piloto Cristiano Federico, que lidera a categoria Itaipava GT4 na dupla com Caio Lara. Os dois revezam a pilotagem de um Aston Martin Vantage e precisam de dois décimos lugares nas corridas do fim de semana. O oitavo lugar em uma delas também já lhes vale o título.

Mundo cor-de-rosa

A volta de Michelle de Jesus ao grid do Mercedes-Benz Grand Challenge coloriu o box da Manelão Competições. A moça, que já havia participado da categoria na etapa do Rio de Janeiro, tem participação confirmada na rodada dupla do fim de semana, formando dupla com Sérgio Martinez.

O marketing em torno da participação de Michelle incluiu dar motivos cor-de-rosa à equipe toda, dos uniformes à decoração dos boxes.

Fittipaldi em duas rodas

Esse, pra quem não conhece, é o Bruno Corano, piloto e organizador do TNT Superbike, categoria que acompanha o Itaipava GT Brasil e que encerra a temporada neste fim de semana.

Além da busca pelo resultado pessoal na corrida do domingo, Corano tem algumas missões especiais para o fim de semana cá em Interlagos. Amanhã à tarde, vai para a pista com Emerson Fittipaldi, para uma atividade de orientação ao ex-piloto. Emerson, que tomará a consultoria de Bruno alegando estar "um pouco fora de forma com motos", será o piloto da moto-madrinha da corrida de domingo cedo.

O modelo que o bicampeão da F-1 vai conduzir à frente dos 55 pilotos do TNT Superbike é o World Champion Edition, da Kawasaki, marca da qual é concessionário no Brasil. Corano já havia me falado que vai trocar de marca de moto para a temporada de 2012 e as contas tornam-se um tanto óbvias. Encosta a Suzuki e vai de Kawasaki.

A agenda extracompetição de Bruno Corano prevê para daqui a pouco, também, uma atividade de pista que terá participação da apresentadora Renata Fan e dos ex-jogadores Denílson e Cafu, vai valer gravação para o "Jogo Aberto", da Band.

Dívida quitada

Vá lá que tenha demorado, mas nem todo mundo que fica me devendo coisas demora uma eternidade e meia para solver as pendências.

Fabrício Vasconcelos saiu do subúrbio do ABC Paulista para vir hoje a Interlagos e me entregar o DVD comemorativo aos 40 anos de carreira de Léo Canhoto & Robertinho, com o que acabou comprometido pela força das redes sociais.

O Bruno Vicária até pediu para levar para casa, mas esse tipo de coisa a gente não empresta. Nunca se sabe se haverá devolução, sacumé...

Etapa de recordes

É fim de semana de recordes no Itaipava GT Brasil. Todas as categorias que compõem o evento atingem na etapa final, em Interlagos, os grids mais numerosos de suas histórias.

A começar pelo próprio Itaipava GT Brasil, que terá 35 carros na pista para as 19ª e 20ª etapas, amanhã e domingo. Uma das novidades da categoria para esta rodada dupla é a implantação da subdivisão GT Premium, em caráter experimental, para os modelos que deram início à história do evento em 2007.

O Mercedes-Benz Grand Challenge, que volta a Interlagos já tendo os gaúchos João e Márcio Campos como campeões, também registra o maior número de carros na pista de sua curta história, com 21 unidades do Mercedes-Benz C250 Turbo. As primeiras corridas da categoria aconteceram menos de sete meses atrás, em Curitiba.

O TNT Superbike, que neste ano teve média de 47 participantes, atingiu o limite de 55 motos no grid, estabelecido pelas equações da Federação Internacional de Motociclismo para a pista de Interlagos. O Flávio Bergmann, assessor de imprensa da categoria, confidenciou aqui que as inscrições foram encerradas na última terça-feira por não haver mais vagas. Ele supõe que teríamos mais de 70 participantes se houvesse tempo de pista para as devidas triagens.

Sem chicane

A pergunta que mais os fãs do Itaipava GT Brasil têm feito nesta semana da última etapa é sobre o uso da chicane do Café para os treinos e corridas em Interlagos.

A chicane, que foi utilizada na sexta etapa, em fim de agosto, será dispensada desta vez, com os pilotos cumprindo o traçado original, segundo acaba de me confirmar o diretor de provas Antônio Carlos "Magrão" Regall. A bandeira amarela permanente é mantida, como em todas as competições nacionais da temporada.

quinta-feira, 15 de dezembro de 2011

Atrocidade

Pela primeira vez, acho, coloco um vídeo aqui no blog sem vê-lo até o fim. Ou melhor, isso já aconteceu com a íntegra que não é íntegra do vídeo do GP do Brasil de F-1 de 1972, mas isso é outro assunto.


O assunto está tomando conta do Twitter, do Facebook, já foi repercutido em sites. Um animal, no caso a mulher de preto (vi os primeiros 15 segundos e desisti), espanca um cãozinho até a morte. E faz isso na frente de um bebê.

A selvageria foi filmada às escondidas por um vizinho de prédio. Pelo que andei lendo, a assassina - sim, dou-me o direito de tratá-la assim - já foi identificada. Menos mal, diante de mais esse episódio lastimável da história da humanidade, que os órgãos de proteção aos animais, e nesse caso me refiro ao pequeno yorkshire, são mais atuantes que a Justiça oficializada pelos homens para os homens. Ela vai pagar caro, não tenho dúvidas.

Justo seria localizarem-na e soltarem-na em local, data e hora previamente comunicados a todos que ficamos pasmos com o ato.

Essa a gente sabe pra onde vai.

Linha reta

Não se trata aqui de discutir preferências, até porque não há meio termo para o público do automobilismo quando o assunto são as arrancadas. Ou são amadas, ou odiadas.


Quem indicou o link do vídeo foi o Juliano Júlio, comprador de rifas de carros velhos contumaz que esteve no Autódromo Internacional de Curitiba no último fim de semana cobrindo o 18º Festival Brasileiro de Arrancada para o Westcars.

Conta o Juliano que mais de 40.000 pessoas estiveram nas arquibancadas do AIC para ver as arrancadas. As inscrições foram limitadas pela Força Livre Motorsport a 360 carros, e pelo pouco que acompanho desse meio imagino que muita gente deva ter ficado fora das disputas.

Há algum segredo não tão secreto assim no reino das arrancadas que, com um pouquinho de observação, estará ali, prontinho para ser aplicado nas demais competições de automobilismo - as corridas, propriamente ditas.

Mas é necessário que queiram.

A alma do negócio

Os puritanos ligados ao catolicismo vão encher o saco, claro. Já devem estar enchendo. Problema deles. A mensagem publicitária foi muitíssimo bem sacada.

A história do outdoor neozelandês está contada no Blue Bus.

quarta-feira, 14 de dezembro de 2011

Como é que é, Edu?

Quem comentou o assunto, via Twitter, foi o comentarista (parece redundância, mas não é) Eduardo Homem de Mello. Para não emitir juízo de valor, reproduzo os posts dele sobre o assunto:

"Terminou ha pouco o julgamento de Geraldo Piquet na CBA. 6 corridas de suspensão e 10 mil reais de multa e uma recomendação do procurador:

Recomendacão do procurador da CBA: ' Isso é prá família Piquet aprender'! A coisa ta pior do que eu pensava, até o tribunal foi contaminado!".


O julgamento citado por Edu refere-se ao episódio na penúltima etapa da Fórmula Truck, envolvendo Geraldo Piquet e Felipe Giaffone. Não questiono ou deixo de questionar a punição que Geraldo possa ter tomado. Antes da corrida que definiu o título, falei tanto com Geraldo quanto com Felipe a respeito, as duas conversas renderam abordagens sem muita relevância aqui no blog.

Em condições normais, duvidaria com veemência de que um procurador pudesse dizer algo de tamanha infelicidade. Como foi o Edu que falou, tento acreditar. Mas que é difícil, é.

Semana passada, Nelson Piquet foi a um programa de televisão e fez seríssimas acusações contra a cúpula da CBA. Deu nome aos bois, inclusive, que é o que deve fazer qualquer pessoa que vá acusar alguém de algo. Notinhas cifradas e comentários na base do "tem gente que..." são coisa de quem não tem personalidade.

O que intriga é que a CBA tomou como postura de praxe não se manifestar sobre as denúncias de que tem sido alvo.

Tela veloz

O Speed Channel inclui a partir de amanhã na grade a exibição das corridas da etapa final do Porsche GT3 Cup Challenge Brasil, que aconteceram sábado último em Interlagos.

O programa de duas horas com a íntegra das duas provas da categoria Cup e a corrida da Challenge será mostrado amanhã, a partir das sete da noite, na sexta-feira, às duas da tarde, no domingo, às oito da noite, e na terça-feira, às dez da manhã.

Muita gente viu as corridas no sábado, mesmo, na transmissão ao vivo. Que teve, como sempre, narração minha e comentário do André Duek.

Manhã em território alheio

E foi-se a sonolenta manhã de uma quarta-feira no Consulado dos EUA em São Paulo. Missão trivial, confirmação do visto de entrada, mas que exige algumas das habilidades que tenho desenvolvido nos últimos meses para qualquer lido burocrático – paciência e um tantote de malandragem.

Passam mais de três mil almas por ali todo santo dia. Todo mundo com a mesma ladainha, as conversas na fila – e são várias filas – são um porre. Depois de assinar, entregar, retirar, carimbar, pegar senha, o cão a quatro, dei ares virtuais à minha estadia na fila. Detesto filas, como todo mundo. Fui tomar um café e comecei a exercitar um dos meus passatempos preferidos – ver gente envergonhando gente.

Comecei bem. Da porta de saída da saleta onde revistam até as orelhas do pessoal, veio uma senhora, já de idade avançada, gritando “eu não peidei, não!”, para quem lá dentro havia ficado e, pelo meu decibelímetro pessoal, para qualquer um que estivesse num raio de 200 ou 300 metros. A tia deve ter premiado os agentes da segurança com uma bufa. E depois a japinha que tomou um safanão do pai dela, acho que era o pai, porque estava falando alto que “não queria ir praquela merda de país”, convenhamos que não é o lugar mais adequado para se fazer uma observação como essa. E também o cidadão que externou seu dilema pessoal ao pedir uma esfirra de escarola com palmito, quando as opções eram esfirra de escarola e esfirra de palmito. Optou pela primeira, que deve ser horrível, e o problema seria só dele, desde que não estivesse logo à minha frente na fila da cantina. Ah, as filas.

Minha senha para tocar piano era 2728. Faltava um bocado para chegar minha vez, por isso fui pra cantina, que era ali a coisa mais próxima de um boteco, um habitat sempre agradável. Dei sorte, porque os números que surgem no painel não seguem exatamente uma ordem, vão convocando de acordo com as consultas internas e lido com documentos, algo assim. Poderia ter perdido a vez, mas não perdi. Do 2702 ao 2725 a sequência foi mantida. Pulou para 2730 e lá se foram mais uns 20 minutos até eu executar a enésima sinfonia de alguém no leitor digital, ou sei lá que nome se dá àquilo. Exceção da espera, que essa é inevitável em qualquer lugar abarrotado de gente querendo a mesma coisa, surpreendeu-me o ágil funcionamento de tudo. A entrevista, mesmo, não durou dois minutos, e dela saí com um belo sorriso de despedida e quase dando um autógrafo. Morar na lagoa e perder pra sapo não dá pé, é o que digo.

Alertado por marinheiros de viagens anteriores, estava pronto para despender todo o dia lá dentro. Sem celular, sem nada pra fazer, tive de elencar afazeres imaginários para evitar o tédio. Ou avoidá-lo, para usar um termo de outro idioma que estão lançando por aí. Apelidar mentalmente as pessoas que se apinhavam ali ajudou a passar o tempo.

Pôr apelido nos outros não é coisa que se faça, registre-se. Devo tratamento respeitoso a todo mundo, é uma convenção minha comigo mesmo, mas o que passa pela minha cabeça é problema meu e de mais ninguém, e se me fizer rir, problema meu, podem me chamar de maluco quando me virem rindo sozinho, não ligo. Todo mundo chama, mesmo.

E por isso pus-me a batizar todo mundo que me cruzava o caminho. Barbie chamava atenção de todos. Não pela beleza, que praticamente não tem, mas por ser uma loira pernalta trajando um fosforescente macacão rosa-choque. O cidadão que estava com ela, não sei se irmão ou namorado, é o Sivanei (piada interna). Também batizei Hermeto Pascoal, Alan Harper (o de hoje parece mais com ele que o André Duek, que é sósia), Homer Simpson (há um desse em cada lugar), umas dezoito versões da Lucy Liu (o que essas orientais tanto vão fazer lá pra cima?), Pierce Brosnan, Renato Russo, Gorete (não conheço ninguém com esse nome, mas essa tinha cara de Gorete), Vitantonio Liuzzi, Dilma Rousseff (pediu-me a caneta emprestada na fila, quando olhei exclamei “Dilma!” e ela não se surpreendeu, diz que todo mundo fala isso, vê-se que sou bom fisionomista), o primeiro baterista do Guns’n Roses (dei Google agora e vi que se chama Steven Adler), o padre Moisés (ainda estou devendo uma blogada sobre o velho “Moisa”). Tinha um sujeito lá bem parecido com o Fábio Seixas, também, mas aí é baixar o nível da conversa.

Festa estranha, cheia de gente esquisita. Mas eu tô legal demais, e até aguento uma biritinha no fim da tarde.

Quem vai?

terça-feira, 13 de dezembro de 2011

Festa veloz em Londrina

Papo bacana agora há pouco com o Kaká Ambrósio, que no último fim de semana esteve ao microfone das 500 Milhas de Londrina. A corrida teve a vigésima edição no sábado, foram 36 carros no grid, como sempre batendo data com a forte 12 Horas de Tarumã. Não acompanhei, estive cá em São Paulo envolvido com o Porsche GT3 Brasil e o Porsche Club Cup.

Kaká falou-me de uma das várias iniciativas que marcaram o número redondo, de 20 edições ininterruptas da "Londrina 500". Um livro escrito pelo jornalista Bernardo Pelegrini, contando a história da prova - que é rica, diga-se. Chama-se "500 Milhas, 20 anos - Londrina a toda velocidade", publicação de boa qualidade editorial, textos e fotos convivendo na medida exata. "Texto macio, escrito por um cara poeta e músico", segundo descreve o Kaká. Vou tratar de descobrir onde compra e providenciar o meu, o Daniel Procópio deve aparecer aí na área de comentários, já, já, dando a dica.

O pessoal de Londrina sempre dá um show nas 500 Milhas. Assisti a várias edições da prova, trabalhei como locutor em três delas, é um clima de competição bem diferente daquele a que frequento o ano todo. Nem melhor, nem pior, só diferente e bem agradável. E desta vez, eu soube, substituíram a tradicional costela bovina por uma costela de carneiro "que só os deuses conhecem", segundo a descrição do Kaká, que comeu até lamber os beiços.

A vitória na prova foi do trio da Ferrari número 33, que teve sua pilotagem revezada pelos cariocas Lucas Molo e Anderson Faria e o paranaense Beto Richa, que é o governador do estado. Sujeito que tem a mão da coisa, é piloto de corridas há 27 anos. Terminaram 12 voltas à frente do protótipo Spyder vice-campeão, pilotado por Leandro Totti e Paulo Totaro, que ficaram com a vitória no grupo 3. Odone Ranocchi e Gualter Pinheiro formaram a dupla vencedora do grupo 2, enquanto a família Pardo, representada na pista por Diego, Bruno e Admir, ganhou a corrida no grupo 4.

E desta vez, conforme informa o press-release que recebi do evento, também houve o grupo 5, com vitória de Márcio Ymagawa, Arthur Tellis e Maicom Tumiate, e o grupo 6, com Renan Pires e Reinaldo Galli Júnior em primeiro. Com tanta gente a ser premiada, e conhecendo o eleitorado automobilístico de lá, imagino quão animada tenha sido a farra no pódio, adentrando a madrugada do domingo.

Como sempre, o povo saiu das 500 Milhas já sabendo quando vai ser a 21ª edição – vai ser de 6 a 8 de dezembro. Eu, aqui de longe, já sei que vou perder a festa de novo, o que é uma pena.

sábado, 10 de dezembro de 2011

Highlights

Nunca fui exatamente um admirador de Damon Hill, mas foi ele a vítima de um dos momentos que mais me marcaram em minha parca trajetória de 23 temporadas assistindo às corridas de Fórmula 1 pela televisão.


Foi no GP da Hungria de 1997. Hill havia levado para a pequenina Arrows o número 1 que assegurou no ano anterior com o título pela então poderosa Williams. Liderava em Budapeste até a última volta, quando, sem combustível, perdeu o ritmo e a vitória para o ex-parceiro Jacques Villeneuve. Seu segundo lugar foi considerado heroico.

Eloquência não é uma marca da transmissão pela TV alemã. Há uma versão com a narração em português, do Galvão. Mas a imagem do vídeo aparece invertida. Alguém sabe por que isso acontece?

sexta-feira, 9 de dezembro de 2011

Dúvida cruel

O que Sebastian Vettel cometeu com seus adversários de Fórmula 1 nas duas últimas temporadas foi red-bullying.

É um trocadilho tosco e até óbvio demais para não ter sido aplicado em canto algum. Mas ainda não o ouvi, nem li. Não posso ter sido o primeiro a inventar isso. Posso?

Nelsão rasga o verbo

O "Supermotor", programa de Celso Miranda, teve na edição do início desta semana uma participação mais que especial. A de Nelson Piquet. Que nunca foi famoso por ter trava na língua e que, na entrevista, viabilizada por seu parceiro das antigas Eduardo Homem de Mello, manteve o hábito de rasgar o verbo. Na alça de mira do ex-piloto, a Confederação Brasileira de Automobilismo.

Não há o que comentar. Melhor é assistir. Foi postada na internet em cinco partes. Aí acima você tem a primeira. Caso seu navegador não conduza às demais, aqui estão os links para a parte 2, a parte 3, a parte 4 e a parte final.

Há quatro anos

Foto tirada pela Juli no dia 5 de outubro de 2007, no autódromo de Curitiba, durante a programação de treinos de uma corrida da Fórmula Truck. Aí estamos Rafael Sperafico, eu, Luc Júnior e o Fabiano Sperafico, parceiro dos bons. Foi a última vez que vi Rafael.

Hoje, como lembrou lá no Twitter o Felipe Paranhos, faz quatro anos que Rafael morreu num acidente aqui mesmo, em Interlagos, numa corrida da Stock Car V8 Light. O automobilismo, esse ambiente tão intenso e prazeroso, é uma coisa besta, às vezes.

Isso é Porsche GT3 Cup, bebê!

Etapa de encerramento de temporada, e como manda a ocasião o Porsche GT3 Cup Challenge Brasil preparou algumas ações promocionais antes dos treinos, que acabaram de começar.

Na pista, nada menos que 72 carros. Quatro deles, modelos clássicos que marcaram a história da Dener Motorsport, equipe única da categoria. São os que estão à frente, na foto acima, feita pelo intrépido e irreverente Luca Bassani.

Da esquerda para a direita, cabe a apresentação desses quatro exemplares à audiência do BLuc: o 911 GT3 RSR 997, de Endurance, vencedor das Mil Milhas Brasileiras e dos 500 Quilômetros de Interlagos em 2008; o 911 GT3 RS 996, vencedor das Mil Milhas de 2001 e 2002 e dos 500 km de Interlagos também em 2002; 911 GT2 993, carro vencedor dos 500 km de 1997, com que a Dener Motorsport conquistou o quarto lugar em sua categoria nas 24 Horas de Daytona no ano seguinte com um quarteto brasileiro de pilotos - Régis Schuch, Maurízio Sala, André Lara Resende e Flávio Trindade Neto; e o 934/5 fabricado em 1977, que foi trazido depois de temporadas de ter servido ao ex-Fórmula 1 George Follmer na IMSA norte-americana. Esse carro, inclusive, mantém o mesmo layout e as mesmas características daquela época, em que teve seu ponto alto na vitória de Follmer na etapa de Laguna Seca em 1978.

Depois dos modelos clássicos, os exemplares 911 GT3 Cup 997, que hoje compõem o grid das categorias Cup e Challenge - as diferenças são sutis, e várias delas estão ocultas sob as belas carenagens, como motorização e câmbio -, além dos os 911 GT3 Cup 996, que a categoria levou à pista em suas três primeiras temporadas, de 2005 a 2007.

Além, é claro, da família Porsche GT3 Brasil, em que somos centenas de pessoas. Pessoas que vivem isso aqui, que curtem esse ambiente. Somos uma família que já vai ficando com aquele nozinho na garganta por conta do fim da temporada, mas que flagramo-nos já em contagem regressiva para o campeonato do ano que vem, que deve começar daqui a uns três meses.

E que, a julgar pelo que vi e vivi nesses três anos em que estou na categoria, vai começar bem maior e bem melhor. Esse pessoal, apesar da descontração, não brinca em serviço.

quinta-feira, 8 de dezembro de 2011

Robin

Gabriel Pandini. 11 anos. Pelo visto, um tarado por automobilismo desde sempre, ou pouco antes, ou pouco depois disso.

Já tinha trocado alguns cumprimentos com o pirralho meses atrás. Hoje passamos o dia juntos em Interlagos. O gosto pelas corridas veio no combo genético - é filho do Luiz Alberto Pandini, o cara que eu lia na "Grid" quando tinha a idade do Gabriel, e da Alessandra Alves, também jornalista da área. E dois bons amigos, mais o Panda que a Ale, que essa eu conheço faz pouco tempo.

Carinha invocado, esse Gabriel. Tem seu próprio blog, o "Saco de Batatas", onde escreve sobre carros e corridas com mais desenvoltura e correção que muitos profissionais da área. Semana retrasada ganhou ainda mais fama na internet por conta da entrevista que fez com Mark Webber - foi pé-quente, inclusive, já que o pescoçudo ganhou o GP do Brasil dias depois.

Notei que o Gabriel tem certa fixação por locução. Hoje, dia tranquilo de programação, passou o tempo que pôde com o microfone à mão - devidamente desativado -, treinando sua locução de olho nas informações do monitor de tempos, na movimentação dos carros na pista, no contexto que envolve o campeonato. Simulei ouvidos moucos, mas prestei atenção ao que, talvez, tivesse um toque de brincadeira. Minha conclusão foi a mesma de todo mundo que o conhece: é do ramo.

Foi justamente aos 11 anos, já contei isso várias vezes aqui, que tomei gosto por corridas. Aos 11, Robin - dei-lhe esse apelido hoje - entende bastante do assunto. Já tem a história e os episódios da F-1, por exemplo, devidamente decorados, o que você pode identificar como defeito ou como qualidade, vai do gosto do freguês.

Gabriel Pandini. Guardem esse nome e me cobrem a aposta daqui a uns, sei lá, 15 anos. Robin vai longe.

Trunfo alvinegro

Omilton Visconde Júnior descobriu como ganhar bons décimos de segundo por volta na etapa final do Porsche GT3 Cup, aqui em Interlagos. A foto feita pelo vascaíno Jorge Sá revela o segredo do piloto, no capô do carro.

Já sei por quem vou torcer nas corridas de sábado. Que serão mostradas a partir do meio-dia, pelo Speed Channel, com minha narração.

quarta-feira, 7 de dezembro de 2011

Sertanejão na veia

Ontem, como toda terça, foi "Noite do Artista" lá no Pantanero Bar. O time de cantores amadores estava bem reforçado, festa animada. Até que lá pelas tantas, a Juli identificou lá no meio do povo um cidadão que de amador já não tem nada.

Era o Fernando, da dupla Pedro Henrique & Fernando. Essa dupla, aos que ainda não conhecem, estourou nas rádios e no som de portamalas com "Afoga o ganso", a música do vídeo de hoje, que mereceu até um clipe. Os caras fazem um show divertido, que lhes rendeu o apelido de "Mamonas do sertanejo". Eu ainda não fui ao show, a Juli foi com a turma e deu nota dez.

Não é a primeira vez que o Fernando dá as caras lá no Pantanero, tem notável simpatia pela casa e pela galera de lá. Como apareceu na "Noite do Artista", é claro que foi convocado para uma modas, também. Fizemos lá uma seleção, ele eu, além de afogar o ganso musical e alguns outros clássicos também apresentou "Tô mais bonito", que eu jurava ser de João Carreiro & Capataz - também a gravaram, eu não estava tão errado.

E não custa avisar aos artistas incautos de Cascavel e região que, a partir de agora, a "Noite do Artista" deixa de reunir os bons de goela às terças. Vai ser sempre aos domingos, começando por volta das sete e meia ou oito da noite. Começando já neste domingo.

terça-feira, 6 de dezembro de 2011

F-3 Sudam em três países

A parceria com a Top Race V6 argentina, como já comentei aqui no blog, pode ser a salvação para a Fórmula 3 sul-americana a partir de 2012. Tanto é que é eles, os argentinos, vão receber a maior parte das corridas da próxima temporada.

Não há datas disponíveis, ainda, mas sabe-se que serão oito rodadas triplas. Um pouco de esforço leva-nos à conclusão de que serão 24 as corridas que vão valer o título sul-americano no ano do fim do mundo.

Desses oito eventos, quatro acontecerão em pistas da Argentina – duas já têm sede definida, nos autódromos de Buenos Aires e Paraná. Na capital do país, aliás, a F-3 deverá dividir programação com as provas da Fórmula Truck e da própria Top Race V6.

Três rodadas triplas serão trazidas ao Brasil. A perspectiva é de que, dessas, duas também entrem no combo Truck-Top Race – em 2011, a categoria dos caminhões e a dos carros argentinos estiveram juntas também em Santa Cruz do Sul e em Interlagos. A outra rodada dupla vai acontecer no Uruguai. Meu palpite seria Punta del Este, embora El Pinar e Piriapolis também estejam no páreo.

São as infos que chegam, nada de ciência exata. A mim, o que soa estranho por parte dos argentinos é considerarem ter a F-3 na mesma programação da F-Truck em três de seus oito eventos. Mera impressão minha.

Ao que ouvi e li, Augusto Cesário é aguardado para reunião com Alejandro Urtubey e Fernando Croceri na sede da Top Race, nos próximos dias, para que definam e anunciem as datas e os locais das corridas.

Credenciais para a etapa final

Termina sábado agora a temporada 2011 do Porsche GT3 Cup. Uma pena, em se tratando de um evento que, dependesse de mim, teria corridas a toda semana. Um momento de festa, visto o notório salto que o ano marcou para nós, tanto como evento quanto categoria automobilística.

Teremos dois meses e pouquinho, ou três meses, sem corridas. O calendário de etapas de 2012 ainda não saiu. Mas, enquanto o ano não acaba, vamos agitar mais uma promoçãozinha para os fãs da categoria.

Tenho à disposição oito credenciais de box para as provas de sábado em Interlagos. Vou distribuí-las em quatro pares, já que, exceção a mim, acho que ninguém programa uma ida ao autódromo sem ter companhia.

A promoção vai rolar lá no Twitter. Gostei da sugestão dada pelo Léo Gomes. Vou lançar, entre hoje e quinta-feira, quatro perguntas sobre a categoria. O primeiro que der a resposta certa a cada uma delas vai levar um par de credenciais. vou acatar também a sugestão da Cíntia Azevedo. Serão perguntas cuja resposta vai exigir algum trabalho dos participantes, para contemplar aqueles que realmente querem o prêmio. É claro que, para participar, o tuiteiro tem de ser seguido do meu perfil, o @lucmonteiro.

Esse é o post número 666 do blog. Acho que se diz seiscentésimo-sexagésimo-sexto. Espero que isso não dê azar aos participantes da brincadeira. E a foto aí de cima é do carro do Sylvio de Barros, que já conquistou o título da classe Challenge na temporada que termina nesta semana. Isso pode ser uma dica...

ATUALIZANDO EM 6 DE DEZEMBRO DE 2011, ÀS 15h17:
As respostas às perguntas da promoção serão endereçadas ao meu perfil no Twitter e deverão vir acompanhadas do link e da hashtag indicados, conforme o modelo abaixo:

"(Resposta da pergunta). @lucmonteiro #PromoBLuc bit.ly/tojqYn"

ATUALIZANDO DE NOVO EM 6 DE DEZEMBRO DE 2011, ÀS 16h31:
O primeiro vencedor é o Leonardo Gomes. Pedi os sobrenomes dos nove pilotos que venceram corridas oficiais e extra-oficiais da categoria Challenge desde a criação da categoria, em 2009 - à época, era tratada como “Light”. O tweet dele veio às 15h52 de hoje:
"@leogomes83: Resp: de Barros,Azevedo,Ferraiolo,Affonso,Barci,Piquet,Farah,Ometto Rolim e Posses! @lucmonteiro #PromoBLuc bit.ly/tojqYn"


ATUALIZANDO MAIS UMA VEZ (VAI LONGE..) EM 7 DE DEZEMBRO DE 2011, ÀS 16h31:
O segundo vencedor é o Leonardo Marson. Na pergunta, lembrei que é de Miguel Paludo o recorde de ter vencido na história do Porsche GT3 Cup largando da pior posição. Pedi a posição, a pista e o ano da façanha. O tweet com a resposta certa veio às 12h36 de hoje:
"@leonardomarson: Paludo largou em 19o em Jacarepaguá em 2009. @lucmonteiro #PromoBLuc bit.ly/tojqYn"


ATUALIZANDO OUTRA VEZ EM 8 DE DEZEMBRO DE 2011, ÀS 9h20:
O terceiro acertador é o Emanuel Araújo. Perguntei em qual hotel fiquei hospedado durante a primeira etapa da temporada de 2011, que aconteceu oito meses atrás em Portugal. Depois de pesquisar na série "Pastéis de Belém", o Emanuel mandou às 9h06 a primeira resposta certa:
"@Emanuelaraujo: (Hotel Estoril 7) @lucmonteiro #PromoBLuc bit.ly/tojqYn"

ATUALIZANDO PELA ÚLTIMA VEZ EM 8 DE DEZEMBRO DE 2011, ÀS 19h53:
Apelei na última pergunta valendo credenciais. Pedi de quanto foi a menor diferença entre dois pilotos ao resultado final de uma corrida da categoria, em que ano, em que pista e quem foram os pilotos envolvidos. O Nathan Bruck foi pesquisar e indicou, inclusive, as posições de chegada dos dois, às 17h23:
"@nathan_bruck: @lucmonteiro na 3ª corrida de 2005, Interlagos, 0s000 entre Guilherme Figueirôa (3º) e Marcel Visconde (4º) #PromoBLuc bit.ly/tojqYn"

A bandeira do Ale

Dias atrás, acompanhando pela internet um capítulo decisivo do drama de um rapaz, perguntei à minha mãe se sabia de quem se tratava. Li no blog do Rodrigo Borges, em bela crônica, que ele participou de um BBB, programa que ela acompanha como poucas pessoas.

Ale Rocha, o nome do rapaz. Jornalista, mais novo que eu. Não, ela não lembrou, disse que não lembra mais de muitos dos personagens que já passaram pelo programa. Perguntou por que eu queria saber daquilo. Contei a ela o pouco que sabia do caso do Ale, a hipertensão pulmonar, os três anos de vida a que os médicos o sentenciaram, que se multiplicaram, chegaram a seis, até que o esperado transplante chegou, na semana passada. Ela perguntou se era meu amigo, falei que ainda não o conhecia. Ainda.

As notícias do pós-operatório eram animadoras, afinal. Hoje, via Twitter, perguntei ao Borges, a quem também não conheço pessoalmente, se estava tudo bem com Ale Rocha. Talvez estivesse, há valores que somos incapazes de mensurar. Ale morreu, não resistiu ao complicado processo clínico.

Seus amigos, e tenho contato com vários deles, citam Ale Rocha como um cara intenso, com sede de vida. Coisas que assumo, nesse caso, como bem mais que bordões para um momento de luto. Predicados que ouço e leio há tempos associados a Ale Rocha. Que acabou convertido, em seu meio e por seu público, em bandeira da luta pela doação de órgãos, e é aqui que eu queria chegar.

O momento de comoção que acompanho à distância – e nesse caso o termo da moda, “virtual”, aplica-se bem – suscitou, como forma de homenagem a Ale Rocha, uma campanha para que mais pessoas declarem-se doadoras de órgãos. Não é a maior, mas uma das maiores dificuldades enfrentadas por pacientes que dependem de transplantes. Encontrar doadores.

Há um mecanismo para isso que permite uma citação no documento de identidade, o que leva a alguns temores. Não é, na ótica de boa parte das pessoas, uma informação que se deva carregar no bolso, à disposição de quaisquer más intenções dessas que permeiam o mundo. O assunto tem abordagem desagradável, claro, envolve morte, e morte é algo que bobamente não se considera. Mas deve ser discutida no lar, a intenção da doação.

Andei fuçando rapidamente na internet e vi que não há necessidade de fazer constar a condição “doador” na cédula do RG. Uma declaração da intenção de doação de órgãos assinada e autenticada em cartório, que pode bem ser armazenada em casa na pasta de documentos, sob conhecimento dos familiares, é suficiente. Tem lá seu custo, R$ 88,83, segundo acaba de me informar por telefone o Camilo, de um cartório aqui da cidade. É muito pouco se você considerar que pode valer uma ou mais vidas. A sua, talvez.

Sem clichês, é momento de todos que manifestam comoção pela morte de Ale tratarem de sacramentar, pela bandeira que ele deixa, a intenção de doação. Que se o faça na discussão do assunto no lar, no pleno convencimento dos familiares sobre tal intenção, o que dispensa documentos - a resistência de familiares no momento de dor costuma inviabilizar possíveis doações. A bandeira vai perder força com o tempo, é sempre assim que as causas se dissipam.

Vai fazer a diferença para vários outros Ales. Esse, o de verdade, eu não conheci.

segunda-feira, 5 de dezembro de 2011

Sertanejão na veia

Quem deu a dica foi o Mikael Lincoln, ilustríssimo presidente das redes sociais da Capital FM.

Sócrates, ele mesmo, já atacou também como cantor de música sertaneja, quem diria. Ele gravou um disco com clássicos do gênero em 1980, conforme o site da rádio conta nessa postagem aqui, que traz um link para download do álbum. Foram 50 mil exemplares, há até alguns deles à venda no Mercado Livre.

Corintianos cantando música sertaneja, vejo que Sócrates e eu temos, enfim, mais algo em comum. A diferença é que ele gravou um disco. E jogava bola com um pouco mais de desenvoltura que eu.

domingo, 4 de dezembro de 2011

Mais que mil palavras

Abração, doutor Sócrates. Estamos festejando, também.


Abraço especial ao Bruno Tanq e ao Rodrigo Mattar, cada qual por seu motivo.

Boa, Pedrão!

E no dia em que a primeira de suas centenas de corridas completou 45 anos, lá estava o Pedro Muffato, no pódio, comemorando.

Foi dele o terceiro lugar na última etapa da Fórmula Truck, agora há pouco em Brasília. Largou em 13º, rodou no óleo que outro piloto despejou na pista quando o motor de seu caminhão estourou, perdeu posições, recuperou-se e lá estava, em terceiro.

Terminou a corrida acelerando forte, resistindo ao cansaço físico que, aos 71 anos, poderia lhe aplicar efeitos ainda mais devastadores. Economizou saúde ao longo da vida, é o que costuma dizer, e por isso sente-se bem enquanto acelera.

Pedro termina o campeonato em 12º, melhor posição entre os cinco pilotos que disputam a Truck com caminhões Scania. E promete ainda mais para o campeonato do ano que vem, já até confirmou participação.

Vai longe, esse garoto. Agora, com a licença do Pedro, que é palmeirense, eu vou lá pro Pantanero Bar, é de lá que vou ver o Timão ser campeão brasileiro pela quinta vez.

Mais que mil palavras

Em dia de decisão de campeonato, Corinthians e Vasco querendo o título, é a imagem que guardamos. Foi cedo, Doutor.

A foto foi feita pelo Ricardo Nogueira, da Folhapress, em 2008, antes do jogo número 5.000 (quintomilésimo? pentamilésimo? cincomilésimo?) do Corinthians. Faz parte da galeria do UOL.

sábado, 3 de dezembro de 2011

Highlights


Esse é um dos acidentes mais impressionantes da história das 500 Milhas de Indianápolis. É da edição de 1981 e foi protagonizado por Danny Ongais. A imagem mostra seu corpo exposto fora do que sobrou do cockpit. A perna esquerda, cujas fraturas ficam evidentes na imagem, ficou cinco centímetros mais curta. Essa imagem aqui mostra seu acidente por outro ângulo.

Ongais sobreviveu e, mais que isso, voltou a pilotar no ano seguinte, na IMSA. Ganhou duas corridas e se afastou das pistas até 1987, quando, aos 45 anos, foi inscrito para mais uma participação na Indy 500, pela Penske. Um novo acidente, desta vez nos treinos, deixou-o em coma. Acabou substituído por Al Unser Sr., que venceu a prova pela quarta vez.

Ex-piloto de sucesso em provas de arrancadas com dragsters, Danny Ongais foi o primeiro havaiano a participar da Indy 500. Antes teve uma passagem pela Fórmula 1 no fim dos anos 70, alternando as equipes Penske, Ensign e Shadow, pela qual nunca conseguiu classificação para uma largada. Disputou seis GPs e se mandou para Indy. Em 1978 venceu cinco corridas, mas uma sucessão de quebras do carro o impediu de disputar o título.

sexta-feira, 2 de dezembro de 2011

Muffato, 45 anos: piloto setentão

É possível que Pedro Muffato, no auge de sua carreira, não tenha imaginado que estaria competindo em plena forma aos 71 anos. Em fevereiro de 1984, por exemplo, conquistou o terceiro lugar no GP Interamericano, em Daytona, pilotando um Oldsmobile. Meses depois, comentando a prova para a “Placar”, disse que ele e Mario Andretti, ambos quarentões, “eram os bebês naquela guerra”. Pedro mostrou-se impressionado ao constatar que havia pilotos beirando os 60 anos demonstrando o que viu como “garra indescritível”.

O acidente na F-3 parecia ter representado o fim da carreira de Pedro Muffato como piloto. Até que no ano 2000, atendendo a convite do promotor Aurélio Félix, participou de uma das etapas do Campeonato Brasileiro de Fórmula Truck, em Londrina. Era o reinício de uma das trajetórias mais notáveis do automobilismo nacional. Desde então, tem empreendido um trabalho consistente na categoria. Em 2006, valendo-se da competitividade do caminhão eletrônico da Scania, alcançou conquistas inéditas na categoria – a primeira pole e a primeira vitória, na segunda etapa, em Fortaleza.

Na temporada de 2007, Muffato disputou cinco corridas – em outras, em caráter excepcional, seu caminhão foi pilotado por David Muffato, seu filho, campeão da Stock Car quatro anos antes. David foi o único piloto da história a conciliar as duas competições. Na última das corridas que disputou naquele ano, Pedro largou em 22º e terminou em quinto, mesmo debilitado fisicamente por uma forte virose – desceu do pódio sentindo-se mal e foi levado para o ambulatório do autódromo. Depois disso, uma seqüência de procedimentos clínicos decretou seu afastamento temporário das pistas.

De volta à ativa na Fórmula Truck desde o início de 2008, Pedro Muffato segue sua trajetória nas pistas e já enumera os planos para a temporada de 2012. A disposição plena para seguir competindo traduz sua paixão pelo esporte. Paixão demonstrada, anos atrás, num pingue-pongue com um repórter. “Por que o senhor perde tempo com o automobilismo?”, perguntou o jornalista. “Pelo contrário, eu ganho tempo com o automobilismo”, respondeu. Este é Pedro Muffato.

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Nelson Piquet e Pedro Muffato: amizade cultivada nos autódromos dos anos 70

Em sua trajetória no automobilismo, Pedro Muffato fez uma legião incontável de amigos. “Os amigos que se faz no automobilismo valem bem mais do que os troféus”, costuma dizer. A lista de amizades destaca um nome muito conhecido do público brasileiro: Nelson Piquet. O estilo extrovertido e brincalhão e a paixão pelo automobilismo resultaram numa identificação forte entre os dois ainda nos tempos de Super Vê, no início dos anos 70. Amizade que permanece inabalada até os dias de hoje.

Em 1992, Piquet recuperava-se do acidente que lhe esmigalhou os pés nos treinos para as 500 Milhas de Indianápolis. Uma equipe da Rede Globo entrevistou-o no jardim de seu apartamento nos Estados Unidos. As imagens levadas ao ar mostravam a poucos metros dali um despreocupado Pedro Muffato preparando um churrasco para o almoço com os convidados da imprensa. Coube a Muffato, também, proporcionar ao amigo um dos momentos mais marcantes de sua trajetória nas pistas.

Ainda em 1992, 16 anos depois de ter vencido a prova “Cascavel de Ouro”, Nelson recebeu de Pedro o convite feito pelo então prefeito de Cascavel, Salazar Barreiros, para vir à cidade receber uma réplica do troféu da conquista de 1976 – o original entregue no pódio daquela corrida havia ficado com Gilberto “Giba” Magalhães, preparador de seu carro. Convite aceito, Nelson desembarcou na cidade na véspera da corrida. Trazia, consigo, o capacete que usava quando bateu em Indianápolis, ainda com as marcas do acidente. Capacete que foi doado para uma rifa cuja arrecadação foi destinada ao Natal das crianças carentes.

A volta de Piquet a Cascavel coincidia com a realização da etapa final do Sul-Americano de Fórmula 3, também válida como Cascavel de Ouro daquele ano. Ainda andando com auxílio de muletas e sem esconder a dificuldade que o esforço lhe trazia, o tricampeão de F-1 tinha como único protocolo receber o troféu das mãos do prefeito. Mas Muffato queria mais, e convenceu o amigo a ocupar o cockpit de seu Ralt/Mugen-Honda número 8. Algumas voltas pela pista, as primeiras depois do acidente, tornaram aquela manhã de 20 de dezembro histórica para o automobilismo brasileiro.

Pedro com José Carlos Pace, em 1974, ano em que foi campeão da Divisão 4, e com Helio Castroneves no pódio da F-3, em 1993

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Muffato, na década de 70, ficou conhecido como “o prefeito mais veloz do Brasil”, diante do fato de conciliar a atuação nas pistas com a função política, para a qual foi eleito com 10.800 votos em 1972 pelo antigo MDB, derrotando outros quatro candidatos, num colégio eleitoral formado por 18.200 eleitores. Quatro anos antes, de 1969 a 1972, fora vereador na cidade, tendo iniciado sua campanha uma semana antes da eleição. Paralelamente, ganhou projeção por ter inaugurado, como prefeito, o traçado asfaltado do Autódromo Internacional de Cascavel, em 22 de abril de 1973.

Embora tivesse participação direta no advento do autódromo, Muffato sempre fez questão de frisar que a obra era fruto do esforço de um grupo de abnegados e que todos os méritos deveriam ser endereçados a Zilmar Beux, homem a quem atribui o sucesso na iniciativa de se fazer uma pista de corridas na cidade. “Se Cascavel tem um autódromo, deve isso ao Zilmar. Ele passou dois meses sem sair de dentro da área que aquele grupo comprou para construir um autódromo, dormia sentado em retroescavadeiras, queria ver aquilo pronto”, conta o piloto. Beux morreu em dezembro de 2005.

Foi justamente na pista de Cascavel, em 1996, que Muffato sofreu seu mais grave acidente de sua carreira no automobilismo. Durante uma corrida de Fórmula 3, foi tirado da pista pelo também paranaense Sérgio Paese Filho, seu companheiro de equipe – foi a única vez em que Muffato atuou na categoria pela Amir Nasr Racing – e as conseqüências da forte batida no barranco à beira da pista o deixaram entre a vida e a morte por quase três semanas na UTI do Hospital Albert Einstein, em São Paulo. Reabilitado depois de alguns meses, desistiu da vida de piloto e retomou seu convívio com o automobilismo como comentarista das provas da F-3 nas transmissões da ESPN Internacional.

Zilmar Beux (de óculos) e Pedro Muffato (à direita) na inauguração do autódromo de Cascavel

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Pedro e a equipe encarregada da construção dos chassis Muffatão na Vila Cancelli

A transição da década de 70 para a de 80 foi marcada, na carreira de Pedro Muffato, pela participação na Fórmula 2 Codasur, precursora da Fórmula 3 sul-americana. Além de atuar como piloto, obteve destaque como construtor de carro. O trabalho que desenvolveu na construção dos chassis Muffatão, em Cascavel, valeu-lhe o apelido de “Colin Muffato”, atribuído pela revista “Placar” numa alusão clara ao inglês Colin Chapman, lendário fundador da equipe Lotus de Fórmula 1.

A empreitada da construção dos chassis Muffatão, batizados inicialmente como M1, foi motivado pela indisponibilidade de carros para a F-2 brasileira, então a categoria mais veloz do país. “Nós tínhamos uma falsa Fórmula 2. Na verdade, era a mesma antiga VW 1600, com alguma liberdade de preparação. O que eu fiz foi fabricar um carro que tornasse a categoria uma novidade, mais brava e competitiva”, declarou, à época. Muffato mandou seus mecânicos para um estágio de 45 dias na Argentina, nas oficinas de Oreste Berta, considerado um mago na construção de carros de corrida.

A obstinação não parou por aí. Muffato, que assumiu a veia de construtor num momento em que demonstrava profunda desilusão com a vida política – fora prefeito de Cascavel entre 1972 e 1976 e jurou a si próprio que não queria mais saber do assunto –, também “importou”, temporariamente, três técnicos que serviam à estrutura de Berta para auxiliar e supervisionar o trabalho de construção dos chassis Muffatão em Cascavel, num pequeno galpão com 352 m² numa ladeira de terra vermelha da Vila Cancelli.

Na estréia do carro, em 1981, Muffato largou em quinto, assumiu a liderança antes da primeira curva, abriu mais de 20 segundos de vantagem e abandonou a uma volta do final, com um cabo da bateria solto. Mas o sucesso do novo carro estava sacramentado, e no mesmo dia houve uma série de encomendas de modelos iguais. “Eu não visava lucro, um empate na receita já me satisfazia. Se fosse egoísta, teria fabricado só dois carros para mim”, era o que dizia. Em 1982, Ronaldo Eli, pilotando um Muffatão, foi campeão brasileiro da F-2.

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Muffato, 45 anos: piloto batateiro

Pedro Muffato iniciou sua vida no automobilismo no final da década de 60, participando das corridas promovidas nas ruas de Cascavel, no Paraná. Domingo, 4 de dezembro, vai completar 45 anos de carreira. Pedro teve envolvimento direto com a construção do autódromo cascavelense e comandou a inauguração do traçado asfaltado, em abril de 1973, na condição de prefeito. No ano seguinte, conquistou o título brasileiro da Divisão 4, equivalente, para os padrões da época, à atual Stock Car V8.

O início da carreira aconteceu logo depois de Muffato chegar a Cascavel vindo de Irati, cidade onde nasceu e onde cresceu trabalhando na roça, plantando batatas. O que, de certa forma, contribuiu com o trabalho que teria nas pistas. “Aprendi mais dirigindo um caminhão F-6 ano 1951 do que nas pistas”, declarou, na década de 80. “Eram dois dias de viagem, trazendo mercadoria de Curitiba em estrada de terra que, às vezes, ficava mais lisa que sabão. Quando o bicho quebrava, então... A gente tinha de se virar, consertar até com os dentes, porque ferramenta era coisa que não tínhamos por perto”.

Em 1966, Pedro foi convidado por Willy Tien para ser seu parceiro na disputa das 300 Milhas de Cascavel. Para quem costumava assistir às corridas nas ruas da cidade sentado no muro do cemitério, o convite foi uma espécie de prêmio. “Era a única diversão da gente. Eu só fui chamado para correr porque o Willy estava de olho na minha irmã e, logicamente, queria se aproximar mais”, recorda o piloto, aos risos. Foi o início de uma carreira que chega hoje, na etapa da Fórmula Truck em Brasília, a seu Jubileu de Platina.

Vários destes momentos foram marcados por momentos únicos, como a atuação de Muffato em competições no Paraná com um carro com dois motores. Era o protótipo Bimotor, idealizado em Cascavel por Deoclides Carpenedo - esse da foto aí abaixo, que acabei achando e pirateando do antigo blog do Flavio Gomes. “Era uma loucura controlar o bicho, com dois aceleradores, duas embreagens e duas alavancas de câmbio”, recorda. O Bimotor, um dos marcos da história do automobilismo de Cascavel, foi alvo, nos últimos anos, de um trabalho de restauração. Tem sido utilizado em exposições e exibições em eventos na cidade.

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quinta-feira, 1 de dezembro de 2011

Sangue cascavelense no box da Williams

Com o atraso de sempre, vai lá um pequeno e insuficiente registro de uma valorosa atuação cascavelense no GP do Brasil de Fórmula 1, domingo lá em Interlagos.

Juraci Massoni, com quem convivi anos a fio no ambiente das corridas aqui em Cascavel, atua pelas bandas de cá como diretor de provas, como comissário, como o que precisar. É, como dizem, pau pra toda obra. No fim de semana passado, trabalhou pela primeira vez na comissão técnica da F-1, lá em Interlagos.

Uma experiência revigorante, segundo relatou ao ex-piloto Guinho Biberg quando encontraram-se em Congonhas para a viagem de volta. Jura estava encarregado de aferições no Williams de Rubens Barrichello, de quem conseguiu um boné devidamente autografado, seu troféu do fim de semana. Consta que recebeu, também, o convite da CBA para ser comissário efetivo.

Se bem o conheço, terá dificuldades para isso, mas vai recusar o convite. Tem empresas e uma vida para tocar, afinal.

Bom saber que o automobilismo de Cascavel esteve representado de alguma forma na F-1. E Juraci Massoni é, acima de tudo, figura de bom trânsito nas searas das corridas. Tem paciência de Jó – se o vi irritado uma vez, foi muito, ainda estou tentando lembrar de algum episódio. Encampou como poucos a questão automobilística em Cascavel, sobretudo nos anos 90, quando empurraram-lhe no colo o abacaxi representado pela presidência do Automóvel Clube.

Sempre que Juraci está num assunto, como tema ou como participante, acabo lembrando do episódio de 25 anos atrás, o acidente envolvendo vários carros na primeira volta de uma corrida de Hot-Dodge, no autódromo de Cascavel. O próprio aparece no vídeo aí abaixo, entre 1min36s e 2min13s, manifestando suas impressões ao então novato João Carlos Gallo (lembram?), da TV Tarobá.


E eu não lembrava que a Band, à época, era "Ban", como delata a canopla do Gallo.