segunda-feira, 31 de outubro de 2011

Lula lá

De uma hora para outra, uma quase beatificação de Lula, que teve diagnosticado um câncer na garganta.

Nos primeiros dias após a descoberta, horas e horas de espaço nobre na TV para explicar seu caso, a operação de guerra já montada para a cura, as correntes de fé de quem segue Lula e seus comparsas com fervor religioso, os casos garimpados de quem já venceu a doença, um acompanhamento minuto a minuto do tratamento.

Até meu time, que é também o time de Lula, foi fazer-lhe homenagem em campo, e ainda assim conseguiu ganhar e voltar à liderança do campeonato. Nunca vou receber homenagens do meu time.

Lula, à sombra de sua doença, é convertido em um quase mártir. Só não é mártir porque não morreu, claro. E vira alvo de mensagens que se acumulam em profusão. Às personalidades, é obrigação prática do momento enviar a Lula bem elaboradas mensagens manifestando votos gentis, quase todas criadas por assessores.

Lula não perfaz exatamente o perfil de garotão natureba que economiza saúde. Está a caminho dos setentinhas, toma os goles dele como toda gente que se preze, fumou até um ano atrás. O corpo cobra essas contas todas.

Sem trocadilhos, não tenho nenhum voto de especial apreço por Lula e não vai ser seu novo drama que vai me pôr em demagógica condição de bom moço. Não torço contra, claro, apesar do meu azedume dos últimos dias, também decorrência de um problema recente – o meu é bem menos grave que o dele, de ordem material, e em comum entre os dois só o fato de que vou pagar as duas contas.

Há pouco foi-se José Alencar, vice de Lula em seu tempo na presidência. Foi tratado e apontado como guerreiro, batalhador, um herói, termos com que discordo com veemência. Guerreiro é o pai de família que, mesmo tendo expediente completo a cumprir no dia seguinte, passa a noite numa fila de posto de saúde à espera de uma concorrida senha para que um médico do SUS dê alguns instantes de atenção a seu filho enfermo, e que seja seu mal qual for haverá de lhe receitar uma aspirina e mandá-lo para casa. Guerreira é a mãe que, depois de dois dias e duas noites em corredor de hospital com a filhinha doente nos braços, volta para casa amargando a falta de atendimento e de dignidade e prepara um chá para a menina, garantindo-lhe estarem ali as soluções para o que a faz sofrer.

Lula terá do bom e do melhor em seu tratamento, é mais do que justo, e de seu drama sairá vencedor, como já saiu vencedor de outras tantas situações adversas. É uma certeza que tenho. E estará lá daqui a três anos, retomando seu lugar ao trono que a maioria lhe conferirá pela terceira vez. E, uma vez estando lá, que reconheça a importância do bom tratamento que lhe terá sido dispensado e dela faça uma sólida plataforma de ação.

O povo pobre para quem Lula prometeu governar quando assumiu em 2003, e que continua dormindo na fila do posto de saúde, por vezes em vão, também precisa de médico. E não tem.

E segue o bonde

Meu dia começa tarde, como sempre. E dou, nem tão como sempre, uma folheada virtual na CGN, que vem a ser o site da Central Gazeta de Notícias. Um suspiro mais forte diante da chamada de que a polícia recuperou em Cascavel, entre a noite de ontem e a madrugada de hoje, quatro veículos roubados ou furtados.

O meu não está na lista. Uma moto CG que fora roubada na mão grande, um Gol furtado quarta-feira da semana passada e mais uma Quantum e uma Saveiro furtadas de uma garagem de automóveis, no caso desses dois a PM perseguiu os larápios, que conseguiram fugir a pé, e tal, os dados estão todos lá, na nota assinada pela colega Néo Gonçalves.

Bom, até certo ponto, saber que os homens da lei estão recuperando carros, em que pese o fato de ninguém ter sido preso, foi isso que concluí da breve leitura. Ruim constatar que a bandidada está fazendo a festa em roubos e furtos de carros na alegadamente pacata Cascavel. Que, também nisso, tem-se feito a casa-da-mãe-joana.

Talvez não tenha sido mera coincidência o fato do material peito pela Néo ter sido publicado sob o chapéu "Cotidiano".

domingo, 30 de outubro de 2011

Sertanejão na veia

video
Mais uma exceção que surge na série, e como o blog é meu eu abro a exceção que bem entender e ninguém tem nada com isso, ora bolas.

O cidadão aí do vídeo é Tomy Sell, um uruguaio que leva a vida cantando e vendendo CDs nas ruas de Buenos Aires. Fiz esse vídeo com meu mambembe telefone celular alguns meses atrás. Era meu aniversário, coisa que não se comemora mais a partir de uma certa idade, mas saí para comemorá-lo num boteco portenho com o Andrei Spinassé e os irmãos Cardoso - Rodrigo, Fabinho e Ricky, a rapaziada da equipe "Motores Velozes".

Tomy, que não tem site - pelo menos não tinha, cinco meses atrás -, não canta músicas sertanejas. Não é seu costume. O repertório prima por músicas internacionais que fizeram sucesso nos anos 70 e 80. São as músicas que estão nos CDs, e comprei dois, custaram 50 pesos. Em que pese o inglês carente de algum ajuste fino, Tomy é muito bom cantor. Manda bem, como dizem.

Conheci-o em 12 de maio cantando numa rua de Buenos Aires, ele, no caso. Até pensei que estivesse dublando, tamanhos eram a qualidade da cantoria e o alcance do microfone sem fio que utilizava. Não dublava. Enquanto cantava, uma moça simpática oferecia os CDs aos dezenas de transeuntes (ainda dizem "transeuntes"?) e um tiozinho se encarregava de puxar os aplausos.

A nosso pedido, Tomy Sell se dispôs a uma musiquinha sertaneja. Está aí, "Dormi na praça", é um dos maiores sucessos de Bruno & Marrone. E por que trazer à série de um blog brasileiro o uruguaio que canta em inglês em ruas argentinas? Porque os CDs de Tomy Sell, lembramos ontem, integram o prejuízo da semana passada, o furto do carro aqui na frente de casa. Estavam no portaluvas. Sobraram os três vídeos que fiz com o celular - os outros dois trazem "Dust in the wind" e "Hotel California".

Ano que vem, quando voltar à Argentina, vou procurar o Tomy para comprar mais CDs. Numa dessa ele possa estar na frente do mesmo shopping.

sexta-feira, 28 de outubro de 2011

Sertanejão na veia

Aí que Zezé di Camargo & Luciano vão ter muita mídia nos próximos tempos da próxima semana.

Separa, não separa, fato é que no show de ontem em Curitiba o Zezé subiu ao palco, explicou o problema entre irmãos e começou o show sozinho. Lá pelas tantas, o Luciano voltou ao teatro, foi pro palco e também deu sua versão ao ocorrido. Consta que Luciano, hoje, está internado, consequência do que teria sido uma overdose de remédios. Troço complicado.

Como sou um maria-vai-com-as-outras reconhecido, trago Zezé e Luciano - ou Mirosmar José e Welson David - à série do blog, hoje, com um combo que gostei muito. "Tristeza do Jeca", uma das três músicas mais belas já gravadas no Brasil, e "Último dos apaixonados", uma música que já usei para fazer paródia lá na Capital FM. Ainda bem que a paródia sumiu dos registros, esse não é o tipo de brincadeira que se deve fazer com amigos. Prefiro parodiar sobre políticos ladrões e sacanagens afins.



Por falar em ladrões, agradeço se alguém tiver notícias do meu carro.

Os caras do meio: Marcus Zamponi

Sempre prometo manter, aqui no blog, séries que nunca avançam. Semana passada lancei mais uma, “Os caras do meio”, na vã pretensão de fofocar um pouco a respeito dos caras que falam e escrevem sobre automobilismo.

Começamos com uma entrevista mequetrefe, de resultado salvo pelo Victor Martins. E a série miou já na segunda semana. Por motivo de força maior, já que nos últimos dias tenho lidado com caras de outros meios, na tentativa também vã de reaver o carro furtado sob as minhas barbas, na frente de casa. Correria total, enfim.

Assim, a título de reposição do material, apelo para o mau jornalismo, pautado no control-cê e control-vê. Reproduzo aqui um material elaborado e publicado pelo afável (?) Américo Teixeira Júnior na segunda edição da Revista da FASP e também em seu Diário Motorsport. O personagem, hors concours, é o Zampa, figura folclórica que, salvo novos imprevistos, pretendo trazer de volta aqui.

E meus agradecimentos ao Américo pela cessão da matéria. Devo (mais) uma.

Revista da FASP homenageia o jornalista Marcus Zamponi

Se você é apaixonado por automobilismo e devorador de publicações especializadas, seguramente é leitor assíduo de Marcus Cícero Zamponi, jornalista de tal forma diferenciado que sua trajetória foi e continua sendo referência para muitos dos atuais e, certamente, para futuros profissionais do setor. Ele dispensa sobrenome editorial. É o Zampa, e ponto final.

Essa condição superlativa foi construída ao longo dos anos, sempre de forma apaixonada. Quem tem o privilégio da convivência, já presenciou cenas de todos os tipos. Da ira quase incontrolável (só não jogou um computador pela janela porque o pessoal da redação foi mais rápido e segurou a fera) às lágrimas de emoção diante de um simples gesto de carinho. Do humor afiado às inacreditáveis demonstrações de generosidade. Do texto irretocável aos rabiscos indecifráveis que nem ele mesmo entende, às vezes.

Zampa chegou ao jornalismo de automobilismo com uma bagagem de “piroco”, termo cunhado por ele próprio. Designa aquele cara tarado por automobilismo. Aventurou-se pela vida e foi buscar subsídios no “olho do furacão”. E foi justamente na equipe March de Fórmula 1, cujo dono, entre outros, era um “tal” de Max Mosley, onde Zampa foi trabalhar nos anos 70.

Seguiram-se a passagem histórica na Auto Esporte, assessoria de imprensa dos mais importantes pilotos e eventos do Brasil, coberturas internacionais, gerenciamento de carreiras, representação de categoria, repórter especial da Motorsport Brasil e eterno colunista da revista Racing. Desde a sua criação, por Sérgio Quintanilha, a Racing já passou pelas mais radicais mudanças. Até o próprio Quintanilha não está mais na empresa, mas nunca a coluna do Zampa deixou de ser publicada.

Tivesse conduzido sua carreira de jornalista de automobilismo em terras européias, Marcus Zamponi teria, seguramente, fama mundial. Não porque se atirou ao chão para, agarrado aos pés de Isabel Reis, fazer com que a big boss da Motorpress ouvisse uma idéia sua. Nem porque tropeçou numa carenagem, destruindo-a, correndo para dar uma paulada em José Pedro Chateaubriend, que o ofendera. Muito menos por ter pensado que Clay Regazzoni fosse viado, e vice-versa, tudo por causa de um gato que roçava as pernas de ambos durante um almoço na Inglaterra. Nada disso. Teria fama mundial pelo gênio que é.

Essa genialidade, felizmente, está viva, límpida, em uma cabeça brilhante. A produção jornalística é incansável e o seu livro, maravilha das maravilhas, está pronto, só esperando um patrocinador para torná-lo de alcance público. Enquanto isso não acontece, seus trabalhos estão por aí, em jornais, revistas, sites, rádio e TV.

Mundo sobre rodas

Uma providência que tem sido cada vez mais comum entre donos de automóveis é a de envelopá-los. Não, caro amigo do ABC paulista, não se trata de despachar o carro por correio para Nenhures, mas de substituir uma pretensa pintura pela aplicação de adesivos especiais.

Começou pelos donos de supercarros importados cujos preços de tabela passam dos seis dígitos, centavos excluídos. E virou moda, a ponto de contemplar carros cujos preços de mercado equiparam-se ao orçamento do serviço. Não é exagero.

Dia desses, cá ao lado do escritório, topei com um carrinho quase cinquentenário. Um Karmann-Ghia, devidamente convertido ao preto fosco da onda.

Imagino que o Flavio Gomes deva ter mandado envelopar uns três dos 15 exemplares do Karmann-Ghia que mantém em sua garagem. E estou pensando em envelopar meu Chevette tubarão, também.

Por falar nisso, tenho de ligar pro Cláudio Deitos lá na Speed Car. Por motivos de força maior, estou precisando daquele carrinho.

quinta-feira, 27 de outubro de 2011

Repetecos no Speed

E já estão disponíveis no site do Speed Channel as datas e os horários de exibição das corridas do Itaipava GT Brasil na etapa de Campo Grande. Todos esmiuçados aqui, como sempre.

As 15ª e 16ª etapas, disputadas no último fim de semana e vencidas por Wagner Ebrahim e Matheus/Valdeno Brito, serão reapresentadas, sempre uma logo após a outra, neste domingo, dia 30, a partir do meio-dia e, também, a partir das nove da noite.

Haverá outra apresentação na segunda-feira, dia 31, marcada para as sete da noite. Na terça-feira, 1º de novembro – véspera de feriado, aliás –, serão três exibições, agendadas para as duas da manhã, as sete e meia da manhã e as quatro da tarde. Uma outra apresentação está marcada para a segunda-feira seguinte, dia 7, a partir das duas da tarde.

As corridas do Itaipava GT Brasil, vocês sabem, têm minha narração. Aliás, ontem, postei aqui a íntegra da corrida de domingo, que foi mostrada ao vivo pela Band.

quarta-feira, 26 de outubro de 2011

Itaipava GT, na íntegra


Duvido que alguém tenha perdido a transmissão, mas para os que perderam há uma segunda chance. Graças ao Kico Stone, um sujeito multimídia social (inventei agora, essa).

Kico – que no Twitter ataca como Kiko – postou no YouTube a 16ª corrida do Itaipava GT Brasil, que a Band transmitiu ao vivo no último domingo lá de Campo Grande, com narração minha, comentário do Tiago Mendonça e reportagem da Ida Garcia, que é do time da TV Guanandi, afiliada campo-grandense da emissora.

A corrida foi postada em quatro partes. A primeira já está aí acima, prontinha para ser degustada. Aqui estão a segunda, a terceira e a quarta.

Desde que meus bons parceiros me abriram a oportunidade de narrar as corridas da categoria nas transmissões ao vivo na Band, foram seis corridas, cinco das quais vencidas por Valdeno Brito e Matheus Stumpf.

O Itaipava GT Brasil terá as corridas da nona e penúltima rodada dupla daqui a duas semanas e meia, no Velopark. Gosto daquele lugar.

ATUALIZANDO EM 26 DE OUTUBRO, ÀS 17h31:
Era só eu ter prestado um pouquinho mais de atenção, de início, para perceber que quem postou os vídeos no YouTube não foi o Kico, mas a própria equipe do Itaipava GT Brasil. O Kico me enviou os links via Facebook.

terça-feira, 25 de outubro de 2011

Carta ao desconhecido

Escrevo sem saber para quem, na verdade. Mas não é pretensão minha vasculhar a identidade e nem a intimidade de alguém que empreende tanto esforço para avançar em suas metas. Talvez leia-me, meu incógnito interlocutor, e saberá que são endereçadas a ele minhas gentis considerações.

Refiro-me, a título de mero esclarecimento aos que não estão a par da conversa, ao distinto cidadão que teve de estender às altas horas o fruto de suas aptidões e teve de se submeter à chuva forte da última madrugada, atípica para o verão em que nossa primavera tem-se convertido, para adir a seus domínios um bem meu. Um automóvel, ser por vezes inanimado.

Automóvel que pode estar, a essa altura, sob melhores cuidados que os meus ou de minha esposa. Ela e eu, insensíveis, submetemo-lo por vezes ao relento, às noites frias, à chuva. Algo que tocou você, seguramente. Compadecido diante dos inconcebíveis maus tratos que supôs terem sido dispensados a ele, meu automóvel, você não teve dúvidas: levou-o para você. Desculpe-me pelo “meu automóvel”. É a força do hábito, sabe? Não me leve a mal, estou ciente de que ele agora é seu.

Sei que você é um cidadão atento e seguramente terá notado em seu estudo de campo que ali de onde você tirou meu automóvel, para a ele dar acomodações mais dignas, havia mais um. Imagino que você não tivesse um automóvel até então, e é isso que pregam algumas correntes. Se ali havia dois e em seus domínios não havia nenhum, nada mais correto que um deles passar a ser seu. Noto, também, que você tem bons critérios. Das parcas opções que lhe ofereci, escolheu um automóvel muito bom. Bem rodado, é verdade, apesar da pouca idade, espero que isso não lhe cause transtornos.

Longe de mim, nobre desconhecido, atribuir a você adjetivos de cunho pejorativo. Você, afinal de contas, está coberto de razão. Atua de acordo com as regras do sistema que eu, tolo e irresponsável, faço questão de contestar. É a seu favor que rezam as regras oficiais, com as quais não posso contar. Aliás, é uma classe bem organizada, a sua. A ponto de ter elevado ao posto máximo de uma hierarquia uma pessoa que, suponho, lhe seja companheira de ofício. Entendo, claro, que todos fazem o que é possível para melhorar as condições de um grupo ou meio que lhe seja afim.

Entendo, igualmente, que suas condições de trabalho não eram as desejadas, e por isso as mudanças nas regras, que ampliaram suas benesses, diminuíram as satisfações que você tem de dar a nós, que injustamente nos julgamos tão superiores a tudo só por sermos gente honesta. Um parceiro seu me disse, tempos atrás, que ser honesto não leva ninguém a nada. Você acha que eu deveria tê-lo escutado?

Sua próxima noite de sono será mais tranquila e prazerosa que a minha. Nada mais justo. Não posso e nem devo vislumbrar vantagem em tudo e afinal, enquanto eu gozava de uma noite de sono tranquila algumas horas atrás, você exercia, exausto e sob condições adversas, o ofício que elegeu em seu minucioso estudo de vantagens e desvantagens.

Se houver a oportunidade de um contato nosso, e disso já estou convencido, não vou tentar pôr em prática nenhuma das 12 ou 13 reações com que minha mente se atreveu a planejar nas últimas horas. Em primeiro momento, por mera praticidade. Sou péssimo com burocracia, lidar com as gentes dos Direitos Humanos exigiria aptidão para papéis e protocolos. Mas, havendo um encontro nosso, vou, sim, tomar a liberdade de lhe solicitar uma consultoria. Sabe, distinto cidadão, o ofício que elegi para mim é um pouco menos gratificante que o seu. O da minha esposa, idem, imagino que ela lhe vá solicitar também algumas orientações. Seguimos, ela e eu, sob a necessidade de um jogo-de-cintura por vezes indigesto para colocar em dia o carnê que acompanhou nosso automóvel... Perdão, seu automóvel. Não somos bons em planejar essas coisas. O seu método é mais prático. Talvez tenha nos faltado um pouco de ousadia para pô-lo em prática três anos atrás, quando, tolos, adquirimos esse carrinho. Quando aos pagamentos, não se preocupe, resolvemos isso por aqui, mesmo.

Por falar na minha esposa, ela era quem utilizava o automóvel que agora está sob seu domínio. É possível que isso a deixe um tanto descontente, mas não vá se preocupar com bobagens assim. É coisa de casal, a gente administra sob o teto do lar. Você, douto autônomo, acabou até me oportunizando uma boa sensação de dever cumprido: não imaginei que tivesse capacidade e presença de espírito para explicar a meu filho de quatro anos o que havia acontecido e que tínhamos um pouco de pressa e que ele teria de ir conosco à delegacia de polícia, um ambiente que suponho ser-lhe bem familiar. Você precisava ter me visto fazendo isso, foi demais. Aquele papo de pai para filho.

Meu menino surpreende quando manifesta noção do valor das coisas, mas não as diferencia por preço. Talvez por isso, mesmo triste porque não tínhamos mais “o nosso carro”, ele mostrou-se extremamente sentido pelos brinquedinhos e doces que mantinha sistematicamente armazenados num compartimento qualquer ao alcance do espacinho que ocupava no banco de trás. Fique tranquilo, já esclareci para o menino que o carro não é nosso, mas seu. Ele, o menino, agradeceria bastante se você lhe pudesse devolver a elevação de assento que inadvertidamente acabou levando consigo – não tenha pressa, pode ser mês que vem, até sugiro que seja por volta do aniversário dele. Tinha algum apego àquilo. Mas só se não lhe for incômodo. É bobagem de criança.

Encerro por aqui, não quero lhe tomar tanto tempo. Talvez você esteja fora do país tratando dos assuntos de seu ofício e não o tenha em dose a dispensar à minha prolixidade. Peço que não se atenha aos erros ortográficos que eu possa ter cometido – aliás, seu ex-colega a quem me referi há pouco já fez piada, também, por minha preocupação excessiva em usar corretamente conjugações, pontos e concordâncias, falou-me que na organização de vocês ninguém dá a mínima para isso.

Peço que não me leve a mal, também, se eu fugir um pouco ao contexto dessa nossa conversa quando estivermos frente a frente. Vá relevando, desde já, qualquer mudança repentina de postura. A correria dos últimos dias tem me deixado um tanto confuso, eu às vezes me embanano com as palavras.

A foto que postei aí acima, insigne interlocutor, foi a única que consegui do seu novo carrinho. É de uns três meses atrás, quando dei-me o luxo de providenciar no meu próprio ambiente de trabalho, um autódromo, a instalação dos pneus novos que havia acabado de adquirir para ele. O senhor ou um seu cliente terá boa borracha para usar durante longo tempo. Sua comodidade é uma preocupação minha, afinal. Mesmo que eu não quisesse, meu país varonil preocupa-se bastante com você. Um dia, penso, ele vai se preocupar comigo, também.

Saudações.

P.S.: Imagino que seu grupo tenha alguém craque em computadores. É muito incômodo eu lhe pedir que encomende ao nerd da turma cópias dos CDs que estão em seu novo porta-luvas? Se puder, me mande a conta. Você sabe onde eu moro, afinal.

Cascavel: o bonde da história (3)


Tenho falado bastante às pessoas com quem convivo nos meus sítios de trabalho, nos últimos tempos, sobre a pista do autódromo de Cascavel. Sobre a pista, não sobre o autódromo, a diferença me parece bem clara.

Melhor que falar é mostrar. Então vai aí, completinho, o vídeo de uma corrida de Fórmula 2 que aconteceu pelas bandas de cá 25 anos atrás. A transmissão da TV Tarobá teve narração do meu bróder Edson Moraes, exímio sinuquista. Esse material veio à tona no trabalho de resgate da história do automobilismo das bandas de cá, empreendido pela família Tebaldi.

Assistam e me digam, vocês que nunca tiveram qualquer contato com o autódromo daqui, se nossa pista é ou não é a melhor de todas.

sexta-feira, 21 de outubro de 2011

Sertanejão na veia


Cezar & Paulinho, devo crer, são a dupla sertaneja que mais pauta suas letras em situações de sátira. "Pé de bode", essa do vídeo, é um dos exemplos mais clássicos.

Filhos e sobrinhos, respectivamente, dos integrantes da dupla Craveiro & Cravinho, os irmãos de Piracicaba estão em posição de destaque na lista de shows a que ainda tenho de assistir. Perdi um, dois anos atrás lá em Cascavel, por estar perdido em algum canto do país narrando corridas de carros. Que não eram pés-de-bode.

Com mais de 35 anos de carreira, a dupla ganhou especial notoriedade recentemente, com sua divertida entrevista ao Jô Soares. Armazenei o atalho para a entrevista toda há meses, mas acessei agora e o arquivo não está mais disponível no site do programa do Jô. Dá pra ver em três partes - aqui estão os links para a primeira, a segunda e a terceira.

É de Cezar & Paulinho, também, a expressão "xique no úrtimo", que a molecada arrota por aí a qualquer conveniência.

Nossas modas

No começo do mês fizemos, Luc & Juli, um show que acabou marcando o fim de uma era na noite cascavelense. Foi no Square Bar, contei aqui.

Enquanto vamos tratando de arredondar as próximas apresentações com toda a rapaziada da banda - por enquanto há três acústicos agendados -, compartilho com vocês algumas das fotos do show de 1º de outubro. Estão postadas no Facebook.

Só recebi algumas até agora, quando chegarem todas eu trato de colocar no "albinho". Foram produzidas pelo Dinho Crissi, cunhado, que pede seguidores para seu perfil no Twitter. Sigam o cara, pois.

quinta-feira, 20 de outubro de 2011

Três pares de credenciais

Sempre penso em inovar, fazer um negócio diferente, aquele papo todo, mas acabo desistindo. Então, para não forçar os meus neurônios e nem os de vocês, vamos na base do retuíte, mesmo.

Tenho aqui três pares de credenciais para a sexta etapa do Porsche GT3 Cup. As corridas vão acontecer sábado, no Autódromo Internacional de Curitiba. Amanhã, por volta das três da tarde, vou sorteá-los a três dos meus seguidores do Twitter.

Para concorrer ao brinde, basta aos tuiteiros postarem a seguinte frase em seus perfis, devidamente acompanhada do link e da hashtag indicados.

Neste sábado tem @PorscheGT3Cup no Speed Channel, a partir das 12h, com narração do @lucmonteiro. http://kingo.to/Rx6 #PorscheGT3Cup

E antes que perguntem, o Thomaz, encolhido que só ele, já avisou que desta vez não trouxe bonés e nem camisetas para sorteio.

A foto lá em cima mostra o líder do campeonato na categoria Cup, o mineiro-candango Constantino Júnior, que ganhou seis das dez corridas disputadas nesta temporada.



ATUALIZANDO EM 21 DE OUTUBRO, ÀS 14h55:
Os vencedores do sorteio das credenciais foram @JLAprigliano, @Emanuelaraujo e @tarso_greenflag. A URL do sorteio é http://sorteie.me/1XY6pl.

Sertanejão na veia

Dando uma sapeada nos sites, vejo que é hoje, e não amanhã, como eu imaginava, o vigésimo aniversário do tricampeonato de Senna na Fórmula 1.

Não tenho a pretensão de escrever a respeito. Só o que teria a contar são as coisas que fiz e vivi na noite daquela corrida, e isso não interessa a ninguém, a bem da verdade nem a mim mesmo.

O pitaco do BLuc ao tri de Senna, à moda da casa, resume-se a uma dose dupla da série "Sertanejão na veia". Obviamente, com duas músicas gravadas em homenagem ao piloto.

Aqui, Leandro & Leonardo, em participação no "Programa Livre" de 1994 (era o da Sílvia Poppovic, certo?), com "Cavaleiro do Asfalto". Filmagem do televisor, mas está valendo.



E, aqui, Milionário & José Rico, que já deram as caras aqui na série do blog, trazendo a um show do ano passado "Herói da Velocidade", também daquela época. Filmaram lá do meio da galera.

quarta-feira, 19 de outubro de 2011

Os caras do meio: Victor Martins

Com o devido e característico atraso, está lançada nossa série. Que, como já relatado na terça-feira, vai tentar trazer à parca audiência do BLuc um perfil das pessoas que falam e escrevem sobre o automobilismo – meus colegas, pois, que por muitos podem até ser vistos como concorrentes, não no caso de hoje. Não muda nada, enfim.

“Os caras do meio”, a série em questão, começa mal, com um torcedor palmeirense. Victor Martins é o primeiro personagem do trabalho. Editor-chefe do Grande Prêmio, site de conteúdo voltado ao automobilismo que integra o cardápio da agência jornalística Warm Up, o paulistano de 30 anos não necessariamente assumidos despendeu na véspera do GP da Coreia, corrida que marcou sua segunda atuação como comentarista de Fórmula 1 na Rádio Globo, parte de seu tempo desprezível para falar um pouco da vida, do trabalho e das pessoas.

Brincadeiras à parte, o arremedo de entrevista foi feito por e-mail, já que interurbanos ou passagens para São Paulo estão custando os olhos da cara. Victor – ou “Vitonez”, apelido antigo que há três anos identifica seu perfil no Twitter – dificultou bastante as coisas. Minha ideia inicial era a de um tijolão de texto falando do personagem de cada semana. Victor se empolgou um pouco, mandou quase 10 mil caracteres em respostas que, da forma como vieram, merecem sobreviver intactas. Alguns detalhes foram arredondados pelo MSN.

Somem-se a isso minha costumeira preguiça e a correria para a viagem que vai me levar no fim de semana a uma inédita jornada dupla e está feita a opção pelo formato pingue-pongue, do qual não sou exatamente um apreciador. Nem regra, nem exceção, pois, vai aí o pingue-pongue com o Vitonez – que, como maioria de nós, escribas e tagarelas das corridas, é amado por muitos, odiado por outros tantos. Umas três ou quatro entrevistas como essa, pelo menos, estão garantidas. Se der algum ibope, mantemos a série.

Luc – Qual foi sua influência para entrar nesse ramo de automobilismo? Foi uma opção feita antes de cursar Jornalismo?
Victor – Sempre gostei de automobilismo. Assistia desde os 6, 7 anos às corridas e achava que um dia seria piloto. Com 12, já tinha percebido que não dava, então fui inclinando para as vertentes. Tinha noção que queria Jornalismo, mas por um momento achei que fosse fazer Física. No fim, fui para o lado das Humanas, mesmo.

Luc – Seu início de carreira foi mesmo na Warm Up ou rolou algo antes?
Victor – Eu fiquei alguns meses, talvez dias, num jornalzinho de bairro. Devo confessar que era bem mequetrefe, a ponto de mal lembrar o nome. Era de um cara com quem havia estudado no colegial, mas era tão mal organizado, inclusive para pagar, que desisti. Daí prestei concurso e passei no Banco do Brasil. Fiquei cinco meses lá, três deles trabalhando concomitante, nos finais de semana, já na Warm Up. Quando Everaldo Marques e Tales Torraga deixaram a agência, entrei como fixo e abandonei a profícua e edificante vida de abridor de contas e afins.

Luc – A “bio” no seu blog diz que você pensava ter de cobrir futebol antes de chegar ao automobilismo. Nunca cobriu futebol?
Victor – Nunca cobri nada que não fosse automobilismo em esporte, embora a ideia me seja muito válida. Gosto de futebol – mas precisaria me preparar muito melhor pra isso –, principalmente internacional. E como joguei vôlei e handebol – sim, me julguem –, também manjo do assunto.
De futebol todo mundo acaba entendendo um pouco porque é o esporte nacional e todo mundo já jogou. A maioria dos jornalistas de automobilismo nunca competiu – tem gente que mal dirige. Aí se vê uma diferença grande. Não que seja imprescindível, mas conhecer de um carro é muito mais válido do que saber de quatro linhas, táticas e gols. Eu, vendo mais pela nossa área, tendo a dizer que há um nivelamento, por baixo, dos atuais profissionais. Jornalistas que querem ser assessores ao mesmo tempo, assessores que pegam contas conflitantes de interesses e éticos, gente que não entende do assunto, que inventa notícias, que até ‘aluga’ espaço de seus veículos para outros interesses. No futebol, isso deve acontecer, de uma forma ou de outra, mas a profissão não passa por uma fase das melhores.

Luc – O noticiário de Fórmula 1, uma especialidade sua, exige de forma especial que haja bons contatos e boas fontes, o que leva à construção de relacionamentos. Quando é que o jornalista sabe que está delimitando no ponto certo a relação com suas fontes?
Victor – Há uma relação, primeiramente, de respeito. A fonte conhece seu trabalho e sabe que não será revelada sob hipótese alguma. Nos anos em que cobri as corridas da Stock Car é que a relação foi aumentando, porque naturalmente fui conhecendo mais gente. E com o passar do tempo, creio que o resultado do trabalho, meu e dos meus colegas da Warm Up, acaba trazendo muitas outras fontes que, principalmente, querem apresentar algum tipo de denúncia por saberem que investigamos e vamos atrás.

Luc – O que levou a Warm Up à revista digital? É de fato um veículo revolucionário no meio automobilístico?
Victor – A necessidade de termos um braço eletrônico mais profundo nas matérias. As notícias diárias não nos permitiam focar em assuntos que precisavam de um trabalho mais intenso e próprio. E lançar uma revista impressa, mais uma, estava fora de cogitação. Eu não diria que é revolucionário porque já havia um espelho, a GP Week, mas foi um passo importante para que este meio fosse devidamente desbravado. O que falta, agora, é que as empresas e patrocinadores descubram que as revistas eletrônicas são uma mina de ouro ainda pouco desbravada.

Luc – Seu estilo de jornalismo, mesmo quando não opinativo, é marcado por uma postura crítica que, sem trocadilhos, rende-lhe muitas críticas, inclusive de colegas. Isso o incomoda?
Victor – Não. Podiam gastar as críticas com o objeto de trabalho deles, o automobilismo, as corridas. Mas a conveniência cala. Não me preocupo, mesmo, e nem com quem as faz. Cada um age da forma que acha melhor, e assim toca a vida. Eu me preocupo em ser justo com meu trabalho, exigente com o que faço, me preocupo com a Evelyn, com os Felipes, com o Fernando, com a Juliana, com a Paula, com o Flavio, com o site, com a revista, com projetos, os textos ou as reportagens. Tenho uma baita liberdade para falar do que quiser aqui, e disso me orgulho. Tenho uma ótima relação com todos eles, que sai da esfera do trabalho. Eles são muito maiores que qualquer crítica que fazem sobre mim, e é isso que carrego.

Luc – Você sempre escreveu. Agora, está falando, também. Como tem sentido a novidade?
Victor – Eu nunca pensei em fazer rádio. Não sou um exemplo de eloquência, bem como não sou um cara de vídeo, por exemplo. Quando surgiu o convite da Rádio Globo, fiquei um pouco receoso. Eu me peguei treinando às vezes nos dias anteriores à corrida, da Itália, no caso. Fui para o estúdio, mas até que estava tranquilo. Mas logo deixei a ansiedade de lado, e aí o negócio fluiu bem. E a companhia de pessoas que entendem do assunto, no caso do Alex Dias Ribeiro, do Oscar Ulisses e do Roberto Lioi, deixa mais seguro. Gostei bastante da experiência e pude repeti-la agora neste fim de semana. É algo que definitivamente gostaria de fazer mais vezes.

Luc – Que significado você vê no fato das transmissões/coberturas de eventos automobilísticos terem se tornado notícia e alvo de análises mais detalhadas?
Victor – O fato de os eventos em si, principalmente no Brasil, serem tratados não como corridas de automobilismo. Há sempre um interesse (ou desinteresse, vendo por outro ponto) por trás de tudo, principalmente de dirigentes e diretores. Por exemplo: por um tempo, chegou a se pensar que o automobilismo poderia conviver com o futebol enquanto esporte prioritário no Brasil. Hoje o vôlei já passou, o MMA vai passar fácil, se o basquete se reorganizar, também vai pra frente, e o automobilismo só tende a cair. Não produzir ídolos, nesta cultura já dita, representa perda de interesse. E quando o interesse se vai, o jornalista tem um público menor pra escrever. E o veículo de comunicação começa a destinar menos espaço e demanda para tal. A F1 na Globo começa minutos antes das corridas. A Stock Car mal tem sua temporada passada ao vivo. A Indy, absurdamente, não terá transmissão ao vivo nem da Bandeirantes nem do Bandsports. Eu não entendo como é que os patrocinadores renovam seus acordos sendo que não estão sendo exibidos no horário programado. Qual a graça de ver uma corrida em VT? A TV está acabando com sua cobertura de automobilismo, é a verdade, e isso acaba virando notícia. Sem contar o desserviço imenso que presta a CBA.

Luc – Na análise de quem está há oito anos nisso, no caso você, qual é o maior problema e qual é a maior qualidade do jornalismo brasileiro voltado ao automobilismo?
Victor – O maior problema é o interesse do jornalista e do veículo em sobreposição à notícia. Uma coi$a conta demai$ no meio. A qualidade... a internet proporcionou que pessoas realmente boas se lançassem. Antes, havia uma restrição clara, TV e rádio, e agora você tem uma amplitude de informações muito grande. Ressalto que não necessariamente haja uma qualidade alta, mas com essa pluralidade, há quem se destaque e se veja com bons olhos.

Luc – Quem você aponta como os papas do ofício?
Victor – Não é porque é o chefe. Mas Flavio Gomes está lá. Se um dia eu tiver meu negócio no meio, é ele quem vou querer “bater”. No mesmo nível, Castilho de Andrade. Os dois dividem esse papado. É que o Castilho teve de abrir mão agora por seu envolvimento na assessoria do GP do Brasil, mas sua cobertura e seu texto, além de sua postura, foram e são admiráveis. Gosto muito do Fábio Seixas também, mas o nariz dele atrapalha um pouco.
E na questão de assessoria de imprensa, há duas pessoas que estão no estrelato: Márcio Fonseca e Fernanda Gonçalves. O Márcio é imbatível no que faz. Qualquer um percebe no Márcio a qualidade no texto e a diferenciação que ele dá aos seus releases, procurando também informar. É um jornalista em sua essência. Sem contar que se trata de alguém absolutamente ímpar.
E a Fernanda, é meio suspeito eu falar pelo laço de amizade, mas ela está no mesmo patamar. Eu gosto, sobretudo, Luc, de pessoas éticas e honestas. A pessoa pode ser uma péssima profissional, não saber escrever, mas pra mim tem de ser gente decente. A Fernanda não só é uma excelente jornalista e assessora como é uma pessoa que considero exemplar. Eu tenho um respeito profundo e imensurável por ela. É alguém que carrego pro resto da vida. E para quem estou devendo o próximo almoço.

Luc – Qual seu conselho ou alerta básico a futuros jornalistas que o procuram atrás disso?
Victor – Teoricamente, quem tem conhecimento (acompanha corrida, tem bom português e inglês, quem se interessa pelo assunto). Na prática, hoje estão indo muitos jovens (e até nem tanto) que gostam de corrida e se contentam em tirar foto e falar pelo Twitter com os pilotos. A dica que posso dar não deve fugir a nenhuma que qualquer um daria: aperfeiçoar-se, ser um diferencial, ir atrás, ter fontes confiáveis, checar a informação, ouvir os dois lados, jamais inventar algo, as regras básicas do jornalismo. E procurar saber do que e de quem está falando: mergulhar nas histórias dos pilotos e das equipes, saber o que significam os termos, ter noções básicas da parte técnica de um carro, conhecer as pistas. Conhecer. Saber. É o que vale. E muito.

Nossa tríplice coroa

Dia desses cometi uma, digamos, injustiça com o Valdeno Brito. Cometi e não cometi, se é que me entendem. Se não entendem, explico.

Depois de sua vitória na Stock Car em Brasília – foi um trabalho brilhante, aliás, o do piloto e de sua equipe –, Valdeno recebeu via Twitter os cumprimentos de muita gente. Inclusive do colega jornalista Bruno Vicaria, que manifestou ter impressão de ser ele, Valdeno, o único piloto a vencer corridas em três categorias nacionais do automobilismo brasileiro em um mesmo ano.

Retuitei a observação do Vicaria, contrapondo com o que também não passava de impressão: a de que Allam Khodair e Daniel Serra também poderiam estar nessa estatística.

Engano meu, como sempre. Allam encara neste ano de 2011 sua primeira jornada tripla nas pistas, conciliando o Trofeo Linea, a Stock Car e o Itaipava GT Brasil. Na Stock, sua última vitória aconteceu no ano passado, o que o elimina da estatística vicariana (do Vicaria, não da Vicar, promotora da categoria; sou péssimo em trocadilhos).

Para meu conforto, a gafe foi só parcial, já que Daniel também conseguiu esta façanha. Como sou péssimo pesquisador, deleguei trabalho extra ao impagável, incansável e imprestável Nei Tessari, que me confirmou: o piloto, não por acaso seu cliente, conquistou a nossa “tríplice coroa” em 2009. Ele conquistou vitórias no Brasileiro de Endurance, em São Paulo – lembro de duas, que narrei para o público presente, nos Mil Quilômetros e nos 500 Quilômetros –, a bordo da Ferrari F430 GT2, e no Itaipava GT Brasil, no Rio de Janeiro, com a Ferrari Scuderia, nos dois casos defendendo a equipe Via Italia, além de ter faturado a etapa carioca da Stock Car.

Registro feito, continuo devendo um abraço ao Valdeno pelo ótimo trabalho no fim de semana. Dívida que será saldada no fim de semana em Campo Grande, onde ele vai defender a liderança do Itaipava GT.

terça-feira, 18 de outubro de 2011

Supermáquinas nas ruas

O Lamborghini LP560 de Cleber Faria e o Ford GT de Valdeno Brito e Matheus Stumpf

A primeira apresentação do Itaipava GT Brasil em Campo Grande será marcada por uma novidade. Pela primeira vez, carros e motos das três categorias que compõem o evento vão ganhar, também, as ruas da cidade que acolhe a etapa.

No caso, as supermáquinas do próprio Itaipava GT Brasil e também do Mercedes-Benz Grand Challenge e do TNT Superbike serão atração da carreata (diz-se carreata quando há motos na frota?) marcada para a manhã de quinta-feira.

O público campo-grandense poderá ver as máquinas de perto na atividade que transcorrerá das dez às onze da manhã, com ponto de partida no Centro da Cidade – precisamente na esquina das avenidas Padre João Crippa e Afonso Pena.

Depois do desfile pelo centro da cidade, a agenda será concentrada no Autódromo Internacional, onde já na tarde de quinta haverá os primeiros treinos extra-oficiais da etapa. A programação completa do evento está aqui, no site da categoria.

Os caras do meio

Vá lá que o título da nova série seja digno, no máximo, de um prêmio bóbil, questionável comenda imaginária que resulta de uma brincadeira de determinada confraria que integrei. Ele próprio, “Os caras do meio”, reproduz uma outra piada interna, que não vem ao caso. Não me costa, no entanto, aproveitar esse espaço tão desconexo para apresentar aos que me leem – que não são tão poucos quanto eu pensava – sujeitos que são, cada qual a seu modo e a sua grandeza, referência nesse ofício ao qual me lancei meio que por acaso, o jornalismo voltado ao automobilismo.

Já foram muitas as séries lançadas aqui no blog, algumas tiveram sequência, outras morreram na casca. Lanço mais uma, “Os caras do meio”, sob a pretensa meta de intercalar semanalmente perfis de escrevinhadores e faladores do automobilismo. Sempre usando como muleta minha ciência de que o BLuc não é produto jornalístico, mas algo que segue a lógica de “querido diário”, assumo comigo mesmo apenas o compromisso de converter em personagens momentâneos aqueles que aproximam o público do mundo das corridas com seu trabalho em emissoras de rádio e TV, em revistas, em sites, em jornais.

Em meio à correria da terça-feira, penúltimo dia de expediente físico aqui na agência, vou tratando de editar aqui a primeira entrevista, que fiz no último fim de semana. Ficou bacana, e bem mais extensa do que supus. É bem possível (até provável, eu diria) que só consiga colocá-la no ar amanhã cedo, antes de encarar céus e estradas na jornada dupla que me aguarda no fim de semana. Enfim, quem quiser pode ficar à vontade para tentar adivinhar o nome do primeiro personagem da série. Que é um cara batuta, por assim dizer.

segunda-feira, 17 de outubro de 2011

O que se escreveu

Inevitável que a morte de Dan Wheldon rendesse considerações e análises por parte de todo mundo que fala e escreve sobre automobilismo. Todo mundo leu muito ontem e hoje sobre a fatalidade, tomo a liberdade de repicar aqui alguns links sobre o assunto.

Fatalidade, aliás, foi a definição do Téo José para o que aconteceu. Em seu blog no Yahoo!, ele lembra a desconfortável estatística de já ter narrado três mortes na categoria – não as cita, mas presumo que as outras duas tenham sido as de Jeff Krosnoff e Greg Moore. Téo, diga-se, esbanjou competência, presença de espírito e domínio do ofício quando, apesar da situação desconfortável, interveio ao vivo às 20h13 na Rede Bandeirantes, em meio ao VT da corrida, para anunciar a morte de Wheldon.

Rodrigo Mattar, escrevendo sobre o episódio no blogA mil por hora”, observou falhas estruturais do carro, que fazia sua despedida da categoria.

O desenvolvimento do carro que será utilizado a partir de 2012, aliás, vinha sendo conduzido por Wheldon, conforme observou Fábio Seixas em seu blog no UOL. Fábio incluiu o assunto em seu tradicional “Pilulas do dia seguinte”, supondo que o longo intervalo até a próxima corrida - a primeira do ano que vem - vai dificultar a assimilação do fato pelos demais pilotos, e dedicou à tragédia outra sessão frequente de seu espaço: a da foto que toda segunda-feira vale como destaque do fim de semana. É a que reproduzo aí acima, creditada pelo Fábio ao fotógrafo Robert Laberge, da Getty Images.

André Forastieri, da equipe do R7, deu destaque ao seu ponto de vista sobre o automobilismo, em que vê a morte como sentido. Outro que abordou o sentido das coisas ao comentar o acidente fatal foi o Flavio Gomes, ao escrever sobre mortes e corridas. Em seu espaço no iG, ele já havia observado que o que mais choca na morte de Wheldon é a possibilidade de ser vista.

Destacando a homenagem que a IndyCar prestou a Wheldon, Rafael Lopes, do "Voando baixo", reproduziu os vídeos de todo o trágido episódio no oval de Las Vegas.

Também do time do iG, Victor Martins, em seu blog Victal, manifesta uma experiência familiar com a morte e destoa dos demais jornalistas ao citar um episódio que viveu com Dan Wheldon quase cinco meses atrás em Indianápolis, que teve como saldo palavrões em português com que o piloto se divertia.

Na análise de Leonardo Felix, que abordou o assunto no blog do Tazio, a tragédia de ontem em Las Vegas ressalta a fragilização da Fórmula Indy. Já em seu blog no Total Race, Luís Fernando Ramos, o "Ico", conta ter encontrado numa letra de Neil Young ilações com o que aconteceu na pista.

ATUALIZANDO EM 17 DE OUTUBRO, ÀS 23h55:
Agora à noite, o Américo Teixeira Júnior também publicou as palavras dele sobre Wheldon. Tal qual havia feito o Victor Martins, Américo valeu-se de uma experiência vivida em Indianápolis para destacar suas impressões sobre o piloto. "O que dizer a Sebastian e Oliver?", perguntou o jornalista, citando os filhos de Dan e Susie, em seu Diário Motorsport.

ATUALIZANDO DE NOVO EM 18 DE OUTUBRO, ÀS 12h44:
Meu parceiro Luiz Alberto Pandini deu o ar da graça hoje, dois dias depois da tragédia, com uma abordagem totalmente diferente. Nada discorreu sobre o piloto, mas abordou um aspecto, digamos, curioso: o site da IndyCar deu fim a boa parte do material que havia postado sobre a corrida em Las Vegas. Vale conferir a análise lá no PandiniGP.

O último tweet

“Hoje cedo eu tuitei uma piada ao Dan e ele me respondeu. O último tweet dele. Estou arrasado, também. RIP ‘my man’”.

Foi isso o que Bobby Hillin, não faço a mínima ideia de quem seja ele, postou ontem à noite em sua conta no Twitter.

A brincadeira em questão foi uma sugestão de Bobby a Dan Wheldon para ganhar a etapa final da Indy em Las Vegas. Como piloto convidado e pela regra particular da corrida, Wheldon poderia, se vencesse, dividir com um fã da categoria um prêmio em dinheiro de cinco milhões de dólares.

“Hey, @danwheldon, pague 20 mil a cada piloto para ultrapassá-los, pague 40 mil pelo segundo lugar e 50 mil pelo primeiro lugar. Ainda vai sobrar dinheiro pra você e pra todo mundo”, foi a sugestão dada por Hillin.

“Esse não é o caminho para vencer, cara”, respondeu-lhe Wheldon, no Twitter. “Cara” é tradução livre que corre por minha conta. O que o piloto escreveu foi “my man”, uma dessas expressões do inglês às quais não cabem tradução.

O perfil de Dan Wheldon no Twitter, com quase 29.000 seguidores, teve sua última postagem feita por outra pessoa – talvez Susie, sua esposa. Foi “Green!!!!”, indicação do início da corrida que, poucos instantes depois, tiraria sua vida.

Wheldon e nós










Minha primeira resolução à notícia da morte de Dan Wheldon foi de um egoísmo ridículo e, mais que isso, insignificante. Não vou escrever uma linha a respeito, foi o que prometi, a mim mesmo, em silêncio.

Óbvio, estou quebrando minha promessa. É doloroso ver – apreciar poderia ser um termo mais cabível aos midiáticos tempos de hoje – a morte de alguém que viveu do e para o esporte que mais aprecio, o das corridas de carros. Isso leva a reflexões, sobre o esporte e sobre a vida, mas tudo isso passa, a vida continua e as corridas, também, já disse isso meses atrás quando morreu Gustavo Sondermann.

Causou comoção, causa, um episódio como o que vitimou Wheldon. Bem mais que a realidade cotidiana varrida para baixo do tapete, de que um sem-número de crianças morrem todo dia aqui mesmo, por estas bandas, vítimas da fome, de maus tratos, da inexistência de políticas que lhes pudessem prover condições melhores de saúde.

Morreu Wheldon, um sujeito que se deu bem no ofício que escolheu. Mais novo que eu, tinha 33, já estou na fase de tratar como meninos ou moleques quaisquer sujeitos que estejam abaixo dos meus 34. Fiquei triste, de verdade. Uma tristeza de origem quase virtual. Wheldon não foi meu amigo, não foi meu ídolo direto, nunca tirei uma foto com ele, contra ele cheguei a torcer quando ganhou a Indy 500 pela primeira vez, porque em segundo estava Vitor Meira, esse sim um sujeito próximo, com quem tenho, tinha, contato direto, e a quem não trato como moleque por ser 45 dias mais velho.

Meu sentimento ruim talvez possa ser traduzido no que observou pertinentemente o Bruno Mantovani. “A insegurança ou irresponsabilidade de colocar 34 carros naquela pista não é nada quando penso nessa foto”, escreveu o designer, numa postagem em sua conta no Twitter acompanhado da imagem aí ao lado.

Morreu Wheldon, marido de Susie, pai de dois bebês, um de dois anos e outro de poucos meses. “Pode parecer piegas, mas estou abraçado ao meu filho desde a hora que soube da morte dele”, contou, mais à noite, um amigo do mundo da internet, cujo rosto desconheço, com quem nunca dividi uma refeição ou um happy hour. O mundo anda muito artificial, a ponto de eu tratar como amigo alguém que nunca vi mais gordo.

Foi no mundo virtual que constatei, à noite, a chuva de manifestações de consternação. Grande parte de pessoas que Wheldon sequer sonhava que existem – isso é fruto do fascínio implícito no automobilismo, um fascínio que faz emergir a falsa impressão de que Wheldon, por pilotar carros de corrida, era dos meus, eu que eventualmente ponho a bunda em karts de aluguel e nada mais que isso.

Uma aproximação muito diferente da de gente como Kanaan, Franchitti, Meira, Dixon, Castroneves, Papis, gente que viveu e conviveu com Wheldon, que com ele se relacionou, riu, discutiu, comemorou.

A imagem do acidente, em que estiveram envolvidos 15 pilotos, impressiona. Choca. Entristece. Pelo homem que se foi, o rapaz que casualmente alcançou sucesso na profissão.

No momento da corrida eu estava na casa do Ronaldo, amigo de longa data. Que não tem perfil no Twitter, com quem converso na casa dele, na minha, à mesa do bar. Veria o VT da corrida momentos depois, a TV não a mostrou ao vivo, mas o enredo dramático me foi antecipado por mensagens de texto no celular. Por obra e graça do mundo virtual, as pessoas sabiam que eu não estava acompanhando a corrida.

Passamos, Ronaldo, eu e as esposas, a aguardar o VT da tragédia anunciada. “Ele era bonito”, foi a reação comum de Tati e Juli diante das imagens preparadas pela Rede Bandeirantes para ilustrar a cobertura do que havia acontecido.

É isso. Para elas, alheias ao mundo das corridas, a notícia da noite de domingo foi a de que morreu um rapaz bonito, Wheldon fazia de fato o tipo galã, tinha feição para isso. A mim, apesar de ter uma atenção especial ao ambiente das corridas, restou o já manifestado pesar pela partida do jovem, do pai de família, do bom profissional. Dan Wheldon e todos os que com ele dividiram espaços em pistas de corridas souberam, sempre, do risco que seu esporte oferece. Sobretudo os velocíssimos ovais da Fórmula Indy. Um risco só trazido aos debates quando acabam de fato custando a vida de um piloto ou de um espectador.

O automobilismo é perigoso e mata, desde sempre. Uma realidade amarga, à qual pilotos como os meninos que rompem os limites do bom senso em campeonatos como a Copa Montana, do Brasil, deveriam se fiar com maior assiduidade. Não adianta só chorar quando vai-se um piloto. Algumas mortes podem ser evitadas.

domingo, 16 de outubro de 2011

Chance única para Max

O que interessa, mesmo, é a caça ao título. E são três os pilotos da Stock Car que seguem na disputa, justamente os mesmos que ganharam os três últimos campeonatos. Vamos, portanto, às projeções de sempre para delimitar as necessidades de cada um na corrida de daqui a duas semanas no Velopark, lembrando que cada piloto descarta o pior de seus quatro resultados na Superfinal.

Vai conta, vem conta, duas conclusões simplificadas. Primeiro, Ricardo Maurício, embora tenha assumido a vice-liderança do campeonato na pontuação bruta, está fora da disputa pelo título. Na melhor das hipóteses, conseguirá um empate em pontos com Cacá Bueno, que teria a seu favor os critérios de desempate - no caso, número de vitórias. Segundo, existe apenas uma combinação de resultado capaz de impedir o quarto título de Cacá: uma vitória de Max Wilson no Velopark, sem que ele, Cacá, seja o segundo.

Apenas isso. Qualquer coisa diferente de Max em primeiro e Cacá de terceiro para trás colocará o carioca da Red Bull-A. Mattheis ao lado do tetracampeão Paulo Gomes na lista dos campeões da Stock Car. Se essa combinação acontecer, é o baixinho paulista da Eurofarma-RC quem se igualará a Giuliano Losacco como bicampeão.

São quinze pras duas da tarde, até agora nada do resultado oficial da corrida.

ATUALIZANDO EM 16 DE OUTUBRO, ÀS 13h52:
O Nei Tessari acaba de me alertar, por DM no Twitter, que o resultado da corrida já está no site da Stock Car - de fato está, aqui. Eu estava buscando esse resultado na página da cronometragem da categoria, onde até agora não está.

A propósito do Nei, como tem muito tempo ocioso, ele preparou, em seu "Bobo da Corte", todas as contas da temporada. Estão aqui.

Parece que o Valdeno ganhou

Ninguém entendeu muito bem como terminou a corrida de agora há pouco em Brasília. Giuliano Losacco esteve no pódio, de onde saiu com cara de poucos amigos, e Cacá Bueno nem perto do pódio estava quando foi chamado pelo sistema de som.

A penúltima etapa da Stock Car começou com safety car na pista e chuva. Na sétima volta, a constatação de que não havia condições para a corrida no aguaceiro de Brasília – como Bueno e Thiago Camilo, que dividiam a primeira fila, já haviam alertado depois de serem chamados à sala da Just... Ops!, dos comissários instantes antes da largada – e a interrupção com bandeira vermelha.

Minutos depois, enquanto a pequena fatia do público telespectador que queria ver corrida acompanhava um VT de um jogo de futsal, a corrida recomeçou. Teve, na pista, vitória de Valdeno Brito, uma estratégia irretocável do paraibano, que soube esperar o momento certo de calçar seu carro com pneus para pista seca. Allam Khodair, parece, terminou em segundo. Losacco, parece, ficou em terceiro. Só na pista, não no resultado final, porque saiu do pódio de cara amarrada, e Bueno, que nem perto do pódio estava, foi chamado às pressas para ocupar o degrau do terceiro colocado, e admitiu não saber que deveria estar ali.

A cronometragem oficial deixou muita gente a pé na corrida. Pelo Twitter, o Jorge Guirado informou que a cronometragem havia caído e era feita manualmente. Todo mundo que freqüenta pistas tem história para contar dos tempos da cronometragem manual, mas nisso vão-se anos, muitos anos.

Somaram os tempos das, digamos, duas baterias da etapa de Brasília para se chegar ao resultado final, foi essa a conclusão. A minha, pelo menos. É meio-dia com quarenta minutos, até agora nada de resultado oficial na página da cronometragem – que ainda mostra a classificação parcial da corrida.

Tudo indica que a disputa pelo título tenha ficado restrita aos três últimos campeões – Bueno, Ricardo Maurício, que parece ter terminado em quinto, e Max Wilson, que fazia uma corridaça depois de largar em vigésimo, mas ficou sem gasolina a poucos instantes da bandeira quadriculada. Não pontuou.

Vamos considerar o resultado que foi anunciado na transmissão pela TV. Bueno foi a 271 pontos. Maurício, com os pontos de um alegado quinto lugar, vai a 258, agora na vice-líder. Wilson cai para terceiro, continua com 248 e terá, na decisão de daqui a duas semanas no Velopark, a vantagem de não precisar descartar pontos – cada piloto tem de desprezar o resultado de uma das quatro corridas da “Superfinal”.

Sites, muitos, e jornais, os poucos que dão espaço ao automobilismo, vão usar e abusar do trocadilho com "corrida maluca" em seus títulos de hoje. Mas essa foi, mesmo.

sábado, 15 de outubro de 2011

E pra Copa Engebrás, nada?

Vivem uma situação no mínimo pitoresca, os pilotos da Copa Engebrás de Marcas & Pilotos. Que vem a ser o Campeonato Paulista, maior competição oficial do automobilismo brasileiro, tendo chegado a mais de 70 carros inscritos em algumas das etapas da temporada de 2011.

A situação atípica a que eu me referia é fruto da falta de habilidade dos dirigentes, os da FASP e os da CBA, para o lido com algo de inalcançável compreensão como uma planilha com datas. Não haveria, isso era sabido, data disponível em Interlagos para as últimas etapas do Campeonato Paulista – para quem não lembra, já toquei no assunto dois meses atrás.

O Paulista de Automobilismo, cabe lembrar, é composto por trocentas categorias, que dividem uma programação bastante movimentada a cada etapa. Refiro-me aqui apenas à Copa Engebrás, com a qual tenho algum contato por narrar suas corridas nas transmissões em VT pelo Speed Channel.

A FASP foi a última a assinar embaixo de sua falta de planejamento e só assumiu a descoberta da América – a de que não haveria data disponível em Interlagos para terminar o Paulista ainda neste ano – no início de outubro, mesmo dia em que a associação que gere a Copa Engebrás transmitiu tal posição dos dirigentes a seus filiados. Pois bem. Os pilotos veem-se diante de três opções para fecharem sua temporada, opções colocadas em votação pela associação.

Uma, a de terminar o campeonato deste ano só em 2012, com uma rodada dupla entre os dias 20 e 22 de janeiro, uma semana antes da disputa das 24 Horas de Interlagos. Outra, a de disputarem as baterias da nona etapa em Curitiba, entre os dias 18 e 20 do mês que vem, com a etapa final acontecendo igualmente de 20 a 22 de janeiro do ano em que o mundo vai acabar. E, uma terceira, a de manter o evento de novembro em Curitiba, com rodada dupla para que os pilotos reúnam os familiares para os festejos de fim de ano já sabendo quem são os campeões de 2011. Correr em Curitiba não seria uma novidade para a categoria paulista, que realizou lá, no último fim de semana de setembro, uma rodada dupla extra-campeonato.

A oitava etapa da Copa Engtebrás aconteceu quase dois meses atrás, nos dias 20 e 21 de agosto. E serão exibidas neste domingo, a partir das oito da manhã, no VT do Speed, com reapresentações na sequência da programação do canal.

Luc Parade

video
Chegou por e-mail pra Juli, foi ela quem me encaminhou.

Também escrevo minhas paródias - aliás, estou num atraso danado com o "Telefone Pirata" da Capital FM -, e em algumas delas gosto de abusar do lugar-comum para dar um cacete inútil na roubalheira da política.

Letrinha honesta, a do melô de hoje. Animaçãozinha divertida, o Luc Jr. gostou.

Por Marco

Homenagem em família na etapa brasiliense da Stock Car.

Júlio Campos, paranaense que compete pela equipe de Ricardo Zonta, a Crystal-RZ, disputa a corrida deste domingo com um capacete diferente. Em vez do desenho preto e vermelho que sempre usa, encomendou ao Paolo Messano, da X1000, um casco azul e amarelo, igual a que seu irmão Marco Campos usava quando corria.

Hoje faz 16 anos que Marco morreu no Hospital Lariboisiére, em Paris, dias depois de sofrer um violento acidente numa prova da Fórmula 3000 internacional em Magny-Cours. O toque com o italiano Thomas Biagi na última volta da corrida, durante uma tentativa de ultrapassagem, fez seu carro decolar e capotar violentamente, causando-lhe várias fraturas e traumatismo craniano. O vídeo com a imagem impressionante do acidente está aqui.

Marco Campos defendia a Draco Engineering e tinha 19 anos. Passou seus últimos dias em coma.

sexta-feira, 14 de outubro de 2011

Os horários de CG

João e Márcio Campos, pai e filho, lideram o Mercedes-Benz Grand Challenge

O horário de verão, que vigora a partir de amanhã à noite, somado à diferença de uma hora de Mato Grosso do Sul em relação ao horário oficial de Brasília, levou à formatação de uma programação um tanto diferente da habitual para a etapa do Itaipava GT Brasil, semana que vem em Campo Grande.

No domingo, 23, a corrida do TNT Superbike, que normalmente é a primeira do dia, será a última, com largada às 14h30 locais, 15h30 em Brasília. E a visitação aos boxes, que sempre intercala a corrida de motos e as de carros, vai acontecer antes de todas as largadas, das 9h37 às 10h37 locais, ou das 10h37 às 11h37 na maioria do país.

A 16ª etapa do Itaipava GT, que vou narrar ao vivo para a Rede Bandeirantes, vai começar às 11h30 pelo horário local, para que se mantenha o horário habitual de 12h30 em Brasília. Pelo mesmo motivo, a 12ª etapa do Mercedes-Benz Grand Challenge vai começar às 13h20 de lá, 14h20 daqui.

No sábado, sem TV ao vivo, segue tudo como sempre foi: largada do Grand Challenge às 13h35 e do Itaipava GT às 16h, sempre pelo horário de lá, 14h35 e 17h aqui.

quinta-feira, 13 de outubro de 2011

Na conta do Abreu

Quem costuma pitaquear sobre Stock Car com mais contumácia (adoro essa palavra) é o Nei Tessari, mas cabe aqui um registrinho dessa iniciativa.

O Átila Abreu, vencedor de duas corridas da categoria nesta temporada, vai correr domingo em Brasília com um capacete novo, pintado especialmente para a etapa.

Logo após a corrida, o casco vai ser leiloado, com reversão da renda para uma instituição assistencial. Foi o que anunciou o próprio piloto pelo Twitter, canal pelo qual aguardam-se mais instruções a respeito.

Se a rapaziada não pegar pesado, vou fazer meus lances, também.

ATUALIZANDO EM 13 DE OUTUBRO, ÀS 16h49:


Agora há pouco o Átila postou lá mesmo, no Twitter, a foto do capacete "especial" da corrida em Brasília. Bota especial nisso! E informou o que a foto já induzia a crer: a renda da promoção será revertida ao Instituto Ayrton Senna.

Mais matemática na Stock Car

Domingo tem corrida da Stock Car em Brasília, penúltima do ano, penúltima do Playoff, que agora é Superfinal. É corrida que pode até definir o tetracampeonato de Cacá Bueno, embora a aposta maior, inclusive dele próprio, é de que o campeão de 2011 saia no dia 6 de novembro, no Velopark.

O BLuc, que mantém convênio com DataLuc, faz, como sempre, as contas que escancaram ou delimitam as chances de título de cada superfinalista (?). Os três primeiros colocados no campeonato vêm dominando a categoria há seis temporadas - Cacá Bueno foi campeão em 2006, 2007 e 2009, tendo suas conquistas intercaladas pelo título de Ricardo Maurício em 2008. Max Wilson, que chegou à Stock Car em 2009, foi campeão no ano passado.

Sem mais delongas, vamos aos números do instituto chutístico.

1º) CACÁ BUENO, 255 pontos
O carioca da Red Bull-A. Mattheis liquida a fatura sem contas se ganhar a corrida da semana que vem em Brasília e Wilson não for o segundo. O tetracampeonato virá com dois segundos lugares se as duas vitórias não forem nem de Wilson e nem de Maurício. Um terceiro lugar será suficiente para o quarto título se o melhor resultado de Wilson for um segundo lugar (desde que não se repita nas duas corridas) e Maurício não vencer nenhuma corrida. Qualquer resultado aquém do terceiro lugar servirá imediatamente como descarte. De 10 corridas já disputadas em 2011, foi vencedor de três.

2º) MAX WILSON, 248 pontos
Ganhando as duas, acaba com a festa. Com dois segundos lugares, leva o segundo título consecutivo, desde que não haja vitórias de Cacá. Dois terceiros lugares lhe podem ser suficientes, se o melhor resultado de Cacá for um quinto lugar e a campanha de Maurício se resumir a um segundo e um quarto lugar, ou a uma vitória e uma corrida fora do pódio – nesta hipótese, Camilo não pode ganhar as duas corridas e Popó tem de ficar limitado a dois segundos lugares, ou a uma vitória e uma corrida fora do pódio. Dois quartos lugares podem ser suficientes a Wilson, desde que terminando à frente de Maurício, seu companheiro na Eurofarma-RC Competições, e com Cacá tendo um oitavo lugar como melhor resultado.

3º) RICARDO MAURÍCIO, 246 pontos
Dispensa a calculadora e chega ao segundo título se ganhar as duas corridas que tem pela frente. Ou mesmo com uma vitória e um segundo lugar, se não houver mais nenhuma vitória de Cacá. Esta combinação permitiria até mesmo uma vitória de Wilson, desde que o outro resultado do atual campeão não o levasse ao pódio. Dois segundos lugares seriam suficientes a Ricardinho, também sem que houvesse vitórias de Cacá ou de Wilson – Popó e Camilo poderiam vencer uma, no máximo. Sua matemática é bem parecida com a do parceiro Wilson, o que pode sugerir, de acordo com o resultado em Brasília, a conveniência de um trabalho em equipe na etapa final de daqui a duas semanas no Velopark.

4º) POPÓ BUENO, 233 pontos
Tem falado bastante no eventual primeiro título na Stock. Para chegar lá, o piloto da CompraFacil.com/A. Mattheis depende, na hipótese mais viável, de vencer em Brasília e no Velopark, desde que o irmão mais velho, líder do campeonato, não seja segundo em nenhuma das duas. Com dois segundos lugares, Paulo Eduardo fica na dependência do melhor resultado de Cacá ser um oitavo lugar, de Max ser no máximo quarto em uma corrida e quinto em outra e de Maurício e Camilo não estarem mais entre os dois primeiros colocados. Dois terceiros lugares, por exemplo, praticamente inviabilizam o título inédito de Popó – um 15º lugar de Cacá, neste caso, já o tiraria de combate.

5º) THIAGO CAMILO, 225 pontos
Vive uma inesperada condição de franco-atirador, depois de fechar a fase de classificação, compreendida pelas oito primeiras corridas, como líder isolado, com três vitórias - uma delas foi comemorada na Corrida do Milhão. Se ganhar as duas que faltam, a única combinação necessária ao primeiro título do piloto paulista da RCM-Ipiranga será Cacá e Max não repetirem segundos lugares. Uma vitória e um segundo lugar também resolvem a vida de Thiago, desde que não haja uma vitória de Maurício ou de Wilson. Cacá, neste caso, teria de ficar fora do pódio nas duas corridas.

6º) LUCIANO BURTI, 223 pontos
Vencedor da etapa de Campo Grande, o piloto da Itaipava Racing foi décimo em Santa Cruz do Sul e sétimo em Londrina. Para ser campeão, basta-lhe vencer em Brasília e no Velopark, desde que Cacá não esteja entre os cinco primeiros em nenhuma delas. Wilson teria de se limitar a uma vitória e uma corrida fora do grupo dos cinco primeiros, ou a um terceiro e um quarto lugar. Neste caso, Maurício até poderia vencer uma corrida, desde que não fosse ao pódio na outra. Com uma vitória e um segundo lugar, Burti dependeria de Cacá ter o décimo lugar como melhor resultado, de Wilson não ficar nenhuma vez entre os quatro primeiros, de Maurício ir ao pódio uma vez só – e em terceiro – e de Popó e Camilo, caso conquistem uma vitória, ficarem no máximo em sexto lugar na outra corrida.

7º) ALLAM KHODAIR, MARCOS GOMES e ÁTILA ABREU, 216 pontos
Empatados, os três seguem exatamente a mesma matemática para considerar a retoma chance de título. Allam, da Blaü-Vogel Motorsport, tem como melhor resultado na Superfinal o sexto lugar em Londrina – em Santa Cruz do Sul, abandonou. Marquinhos, da Medley-Full Time, teve confiscados os pontos do segundo lugar na etapa gaúcha e ficou em nono na pista paranaense. Átila, piloto da AMG Motorsport que já foi parceiro de Sebastian Vettel no automobilismo europeu, zerou na primeira corrida da fase decisiva e foi desclassificado na segunda, por conta de seu envolvimento em um acidente. Para qualquer um dos três poder pensar em título, vencer as duas corridas que restam é quesito praticamente obrigatório. Ainda assim, seria necessário que o melhor resultado de Cacá nas duas corridas seja um sexto lugar. Max e Maurício podem até abiscoitar um terceiro lugar, cada, desde que seus outros resultados sejam no máximo um sexto e um quarto lugar, respectivamente. Uma vitória e um segundo lugar também podem ser suficientes para o trio que divide o sétimo lugar. Para este caso, o melhor resultado de Cacá teria de ser o 11º lugar, Wilson não poderia conquistar nada melhor que um quinto lugar (mesmo que nas duas corridas), Maurício teria de ficar fora dos dois pódios. Popó Bueno poderia até ter uma vitória, desde que fosse no máximo sexto na outra corrida. Thiago Camilo teria de ficar limitado a uma vitória e um sexto lugar, ou a um segundo e um quarto. E Luciano Burti estaria limitado a uma vitória e um terceiro lugar. Átila, por somar duas vitórias na fase de classificação, poderia ser campeão no critério de desempate, com a matemática permitindo oscilações nas posições limitadas de Popó, Thiago e Luciano.

10º) DANIEL SERRA, 215 pontos
Sua chance de título exige, além das duas vitórias, que Cacá, seu parceiro na Red Bull-A. Mattheis, fique fora da lista dos seis primeiros colocados nas duas, com Wilson sendo no máximo sétimo e Maurício não passando da quinta posição em uma delas. Se ganhar uma e for segundo em outra, Serrinha dependerá de 12º lugar e uma prova zerada de Cacá, sem que Wilson seja um dos quatro primeiros colocados em qualquer uma das etapas, sem que haja vitória de Maurício, com Popó ficando uma vez fora do grupo dos cinco primeiros e Camilo uma vez fora da lista dos seis primeiros.

Além dos irrefutáveis números aqui apresentados, resultado de centenas de páginas rascunhadas (deu pau na central de computadores do DataLuc...), a outra estimativa publicada acerca da decisão do título da Stock Car foi feita pelo Nei Tessari - que, sem neurônios suficientes para lidar com números, fez esse cálculo aqui, sem pé nem cabeça, em seu blog Bobo da Corte.

Os cálculos são um tanto inúteis, sob determinado ponto de vista. Mas o post está muito bem servido de imagens, obra e graça do Duda Bairros, fotógrafo da Stock Car.

segunda-feira, 10 de outubro de 2011

Cascavel de Ouro, o resgate (3)

O material de quase cinco anos atrás na Gazeta do Paraná mereceu um destaque a Pedro Muffato, tido até a pesquisa empreendida por Jaci Pian, como bicampeão da Cascavel de Ouro. Foi tri, e a ele era atribuída uma vitória que coube, na verdade, a Chiquinho Lameirão, como já explanado no texto anterior.

Pedro, daqui a menos de dois meses, vai completar 45 anos de atuação no automobilismo. Haja disposição.

No grid em Goiânia, Pedro Muffato com o Puma Spartano vencedor da Cascavel de Ouro de 1971

MEMÓRIA
A Pedro o que é de Pedro

Em 2005, em entrevista à CATVE às vésperas da Cascavel de Ouro, que se anunciava como 22ª e era, na verdade, a 26ª, Pedro Muffato lembrou o fato de ser um tricampeão da prova. Salvo exceções por parte dos que acompanhavam a história no início da década de 70 e a trazem com lucidez na memória, as reações à constatação do piloto foram as mais variadas. “O Pedrão se enganou”, foi o pensamento em coro de quem assistia ao “Bate-Papo de Esportes” do Jorjão Guirado.

Muffato sabia muito bem do que estava falando. Na falta de um adjetivo mais brando, foi ele um dos maiores “prejudicados” pelo equívoco que marcava, até hoje, as estatísticas da corrida. A galeria de até então o indicava como vencedor da segunda edição, em 1973, e da terceira, em 1974. O erro histórico tirou-lhe duas conquistas e atribuiu-lhe a vitória numa corrida em que só disputou uma das duas baterias.

Em 1971, Muffato tornou-se o primeiro cascavelense a vencer a prova, com o Puma Spartano que adquiriu para disputar, pela equipe Guavel, o Paranaense do ano seguinte. Em 1973, ao contrário do que se supunha, o prefeito-piloto não venceu a corrida. Foi 13º na primeira bateria por conta de problemas que o impediram de disputar a prova final. Chico Lameirão, de Havalone, foi quem chegou à vitória naquela quarta edição.

Os registros foram fiéis à segunda vitória do cascavelense, conquistada em 1974, já com um Havalone. Em 1975, numa das provas que haviam “desaparecido” da história, Muffato chegava à sua terceira vitória em seis edições da Cascavel de Ouro. O recorde só foi igualado em 1991, quando Edgar Favarin conquistou, ao lado de Milton Serralheiro, a terceira de suas seis vitórias. O recorde atual, de Edgar, inclui também as vitórias em 1983, 1990, 1994, 1996 e 2005.

Cascavel de Ouro, o resgate (2)

Vai aí a segunda parte do material publicado na Gazeta. A foto do Havalone de Chiquinho Lameirão, vencedor da corrida de 1973, eu tirei do Avallone Motor Clube - que, conforme explicado no próprio blog, foi produzida em outro grid, que não o de Cascavel.

Aliás, ouvi que Lameirão fora sequestrado por engano, há uns três anos, ou seis. Teria sido confundido com um milionário.

Mas o resgate que interessa por enquanto é o da Cascavel de Ouro, não desviemos o foco.

PESQUISA
Em busca do ouro perdido

Uma reportagem do jornal “O Estado do Paraná” de 29 de abril de 1973, intitulada “Um pouco da história do automobilismo cascavelense”, foi o ponto de partida para que Jaci Pian chegasse à verdadeira segunda edição da Cascavel de Ouro. O recorte, vasculhado em meio a seu acervo pessoal, revelou a corrida disputada em 8 de setembro de 1970, que teve dobradinha de pilotos curitibanos – Sérgio Valente Withers venceu e Carlos Eduardo “Dado” Andrade ficou em segundo, ambos pilotando modelos Divisão 5 da Volks. José Leônidas Chemin, de Guarapuava, ficou em terceiro, à frente dos cascavelenses Juca Baldo e Pedro Muffato, todos com Fusca.

A “descoberta” da edição de 15 de novembro de 1971 foi a menos difícil para Pian. “Eu participei daquela corrida, fui para o pódio em terceiro, é uma das fotos que guardo com maior carinho”, ele manifesta. “A partir disso, só tratei de reunir recortes de jornal que contam a história daquela prova. Aí, não é só a minha palavra, mas também documentos que comprovam que a corrida aconteceu. E é claro que o Pedro Muffato tem uma boa lembrança daquela corrida, porque afinal ele foi o vencedor”, acrescenta.

A correção do resultado de 18 de novembro de 1973, cuja vitória era atribuída a Muffato, foi possível através de consulta ao vasto arquivo do jornalista e historiador brasiliense Napoleão Ribeiro. “Ele tem uma memória fotográfica. Quando lhe falamos do assunto, ele sabia exatamente onde procurar. Encontrou duas edições das revistas ‘Quatro Rodas’ e ‘Auto Esporte’ de dezembro de 1973 e reproduziu para nós as páginas da cobertura da corrida”, conta Pian. As reportagens exaltam a vitória de Francisco Lameirão, até então ignorado pela galeria que se tinha em mãos.

Dois fatores contribuíram para que se obtivessem registros da prova de 1975, uma das que haviam “desaparecido” na história. Um deles, o troféu de segundo lugar na Cascavel de Ouro que divide espaço com dezenas de outros na galeria particular de Valdir Favarin, amigo próximo de Pian. O outro, uma foto do arquivo pessoal do ex-piloto Mauro “Peixinho” Turcatel, que traz gravada a data de 16 de novembro daquele ano. “A partir disso, foi fácil localizar registros sobre a prova”, conta, exibindo o recorte de duas semanas depois da corrida. Naquele ano, a Cascavel de Ouro valeu também como penúltima etapa do Campeonto Brasileiro de Divisão 4. Pedro Muffato venceu a prova e Valdir Favarin, em segundo, assumiu a liderança da competição. Na final, em Interlagos, perdeu o título para Luiz Pereira Bueno.

A quarta Cascavel de Ouro perdida no tempo era a de 18 de novembro de 1980. O resgate foi possível a partir de uma conversa com o jornalista Luiz Aparecido da Silva, que à época iniciava sua atividade no automobilismo. “O Luiz cobriu aquela corrida para o jornal onde trabalhava, inclusive contou que o troféu da vitória do Marcos da Silva Ramos derreteu-se num incêndio na empresa dele. Fui pesquisar e, de fato, a corrida aconteceu. Marcos, que vive em Curitiba até hoje, foi outro esquecido pela história. Agora, não é mais”, orgulha-se.

A última das edições encobertas pela falta de acervo, talvez a de que menos haja lembranças, é a de 7 de novembro de 1982. A corrida, válida como oitava etapa do Campeonato Brasileiro de Fórmula 2, foi vencida pelo gaúcho Aroldo Bauerman, que mantinha um domínio notável na categoria.