sábado, 30 de janeiro de 2010

Volta pela pista da Indy

Vídeo divulgado pela produção da etapa brasileira da Fórmula Indy, com simulação feita em computador de uma volta no circuito que está sendo preparado para a corrida de 14 de março. O traçado tem 4.180 metros e 11 curvas.



São Paulo Indy 300 é o nome da corrida, que vai abrir a temporada no Anhembi. Vou estar lá.

sexta-feira, 29 de janeiro de 2010

BMW no kartódromo

Recebo da Central Press, agência jornalística do colega Cláudio Stringari, press-release anunciando que a equipe oficial da BMW fará testes privados no autódromo de Curitiba no final do mês que vem, em preparação para a etapa brasileira do WTCC. O texto é esse aqui, reproduzido pelo também boa-praça João Otávio Ness no Cronospeed.

Testes em Curitiba não são propriamente uma novidade para a BMW. Via Twitter, o piloto de fim de semana Juliano Bastos lembrou que a marca alemã já treinou largadas ali ao lado, na reta do kartódromo Raceland. Isso mesmo, no kartódromo. Algo que acho estranho, porque me remete ao episódio em que pessoas saíram no tapa aqui em Cascavel porque uma delas colocou um carro na pista do kartódromo.

Enfim, Juliano ratifica o que diz com o vídeo abaixo, que garante ter sido feito por ele próprio:



Intrometendo-se na conversa sem ser chamado, Tarso Marques Lima, outro piloto de fim de semana - e tão rato-de-autódromo quanto Juliano -, informou que a equipe da Chevrolet fez testes em pista no kartódromo, que é anexo ao autódromo, no domingo da primeira edição do evento, em julho de 2006. Informa Tarso, que também é mantenedor do site Green Flag, que o modelo Lacetti foi para a pista no Raceland depois do warm up para a corrida, para uma atividade em que o time testava os reparos feitos depois de um acidente no S de alta.

Eu não sabia de nada disso.

quinta-feira, 28 de janeiro de 2010

A Indy, Neide e meu pai

Em 1996, o Brasil recebeu pela primeira vez uma prova da Fórmula Indy. Que, a bem da verdade, já não era mais Fórmula Indy, foi aquele o ano da cisão que isolou a categoria nas searas ianques e deu brecha para a criação de uma outra série pela Cart, a que arrebatou os principais nomes da competição.

Enfim, se perguntassem à época, todos falavam da Indy no Brasil. Uma corrida a que não assisti. Meu pai estava hospitalizado e a largada aconteceria no exato momento em que seria aberta a visitação aos pacientes do hospital. Naquele 17 de março, priorizei, claro, os poucos instantes que teria para estar com ele. Eram outros tempos, ainda não se vivia o ápice da tal "era da informação".

O jornal em que eu trabalhava não circulava às segundas-feiras, então não teria de escrever nada naquela tarde. Não havia pressa para nada depois de sairmos do hospital. Optei por passear com a minha mãe pelo centro da cidade em meu velho Fiat 147 e não ver o fim da corrida. O Fiat já era velho em 1996, foi meu primeiro carro, perdi-o duas semanas depois em um acidente fatal.

É claro que pedi a uma amiga para gravar a toda a transmissão do SBT em VHS. Lembram do vídeo-cassete? Deve haver um em algum lugar por aqui, não vou revirar as quinquilharias agora para procurar. Eram umas quatro da tarde, acho, quando toquei a campainha da casa da Neide, queria a fita para assistir à prova toda em casa. Como se fosse ao vivo, eu viveria com algumas horas de delay tudo que outros fãs da Indy já tinham vivido.

Quando Neide veio abrir o portão, já trouxe a fita em mãos. "Não me diz o resultado", bradei a ela, puro reflexo, como que por algum instinto. "Claro que não", ela respondeu, para arrematar: "Mas a mãe do André Ribeiro ficou tão feliz...". Os momentos finais daquele VHS, que sobrevive em alguma prateleira empoeirada, estão reproduzidos neste vídeo.



E lá se vão 14 anos. E daqui a alguns dias, Indy no Brasil de novo, a Indy de verdade. Quiçá, com vitória de um brasileiro. Provavelmente vou assistir à corrida, de alguma mureta ou vidraça lá do Anhembi, ou talvez pela televisão. Espero não ter ninguém próximo hospitalizado no dia.

E depois daquela vitória de André, meu pai permaneceu neste plano por mais quatro anos, nove meses e três dias.

Oito e vinte e cinco

Ontem, ou já nos arremedos do que seria hoje, fui dormir encucado. Com compromisso marcado para as oito e vinte e cinco. Pontualmente, às oito e vinte e cinco. Nem vinte e quatro, nem vinte e seis. Oito e vinte e cinco.

Tempo atrás, pouco tempo, ser-me-ia impraticável. As primeiras horas da manhã, para mim, nunca existiram de fato, eram uma lenda que as pessoas insistiam em citar, mas não poderia existir nada no mundo antes, sei lá, das dez da manhã. E sempre me falaram essas coisas, boi-tatá, saci, mula-sem-cabeça e que havia gente que pulava da cama às seis, às sete. Claro que nunca acreditei, oras, acham que sou tolo?

Oito e vinte e cinco, estou de olho no relógio. Meu compromisso é um telefonema, menos mal, dispensa-me de um figurino apresentável e de um penteado decente, coisas impossíveis para uma manhã de fato.

Não posso perder a hora, daqui a pouco serão oito e vinte e cinco.

E nesse instante do dia o sol tem o capricho de apontar exatamente pela janela do escritorinho que mantenho cá em casa, deixo a janela fechada e recorro à lampada fluorescente, que emite mais energia magnética em forma de luz do que de calor, é o que me conta a Wikipédia, e que foi criada por Nikola Tesla. Nome besta para um sujeito, Nikola Tesla, tomara que tenha ganhado um bom dinheiro com sua invenção.

Ainda há um tempo. Ultimamente, diferente de tempos recentes, tenho mesmo acordado mais cedo. Coisa de velho, disse-me alguém, não lembro quem, e deve ser verdade, sempre ouvi dizer que velhos acordam mais cedo para passarem mais tempo no dia sem fazer nada. Comentário maldoso com eles, os velhos, a quem a falta de melanina das minhas parcas madeixas recomenda que eu defenda veementemente. Sou um deles, afinal.

Acho que nunca vou compreender certas manifestações de pontualidade. Minha esposa, muito menos. Se marcamos uma efeméride qualquer para as dez da noite, por exemplo, tenho de mentir para ela que está combinado para as nove. Ela demora para se arrumar, e quando está pronta conclui que não está bem e começa toda a caça ao guarda-roupa de novo. Nunca chegamos às nove, claro, e às vezes nem às dez.

No bar que frequentamos, as reservas de mesa valem até as dez da noite. Perdi várias mesas de boa localização por chegar minutos depois das dez. Anteontem fomos mais cedo, e o cidadão que reservou um camarote não estava lá às dez, e como não havia mesas a casa nos cedeu aquele camarote. Nelson, era o nome dele, havia uma plaquinha sobre a mesa do camarote, como tantas plaquinhas com o meu nome que jogaram fora às dez badaladas. A mulher de Nelson também deve demorar para se aprontar, pensei. Tomara, não quero que Nelson tenha tido problemas mais sérios que isso em plena terça-feira. Não sei quem é Nelson, mas que chegue no horário combinado na próxima vez.

Oito e vinte e cinco, não me deixem esquecer. Não sei por que cargas d’água, isso me lembra o antigo programa que Jô Soares tinha no SBT, que tinha “Onze e Meia” no nome, mas nunca começava antes das duas da manhã. Igual à novela das oito, que começa às nove e, se mudarem-na para as dez, continuará sempre novela das oito.

Aí lembro dos monitores que espalham-se pelos aeroportos, que insistem em confirmar tal pouso ou tal decolagem para, digamos, as 11h37, algo de que rio, afinal avião nenhum decola no horário certo, então não se veem motivos para uma previsão que passe uma precisão tão falsa. Na única vez, sem eufemismos, que um avião meu decolou no horário, isso aconteceu no mês passado, um voo Foz-São Paulo, eu cheguei atrasado ao aeroporto porque Luc Jr. não me dispensou de comer um lanche de franquia com ele, e isso custou minutos importantes. Cascavel não tem aeroporto que preste, sempre tenho de dar um pulo a Foz, e quando ganhei o estacionamento do aeroporto, vi o charutão da Gol ganhando o horizonte.

Está quase na hora. “Acerte o seu aí que eu arredondo o meu aqui”, diria aquele locutor de voz rouca, antes de iniciar a narração de uma pelada qualquer de futebol.

E leio em algum lugar que, em determinado espaço de tempo, o atraso médio dos trens-bala no Japão foi de seis segundos. E os japas têm isso como dado relevante, cada trem daquele ano, falo de trem-bala, chegou seis segundos depois do combinado. Imperdoável.

Oito e vinte e cinco. Estranho lidar com coisas de cronologia tão precisa. Outra lenda me conta que um relógio genuinamente suíço atrasa um segundo a cada 30 anos. Quem ficou olhando pro relógio por 30 anos pra chegar a essa conclusão? E por que dizemos relógio suíço, se nem todos os bons relógios suíços são fabricados na Suíça?

Os relógios mais precisos, dizem, são os suíços. Não sei, não uso relógio de pulso há mais de uma década, hábito ratificado com a compra do meu primeiro telefone celular. Mas o exemplo mais fiel de pontualidade vem dos britânicos, todo mundo fala em pontualidade britânica. Os trens de Londres devem atrasar mais que os de Osaka. Não conheço a Inglaterra, nem o Japão, quem sabe um dia eu tire essa história a limpo.

Enfim, paro por aqui. Senão, perco meu horário.

terça-feira, 26 de janeiro de 2010

Explicação lógica

A molecada surpreende a cada dia.

Ontem, enquanto Juli e eu agilizávamos alguns contatos via internet, percebemos quase concomitantemente o preocupante silêncio do Luc Júnior. Corremos ao quarto bisbilhotar e, claro, lá havia uma surpresa à nossa espera.

O pestinha pegou um pincel atômico preto e pintou a mão inteira. Quando viu que percebemos, reagiu com a maior naturalidade possível. Juli e eu não sabíamos distinguir o caso, se era de repreensão, de uns tapas, de um banho imediato ou de uma gargalhada uníssona.

A dúvida foi dirimida diante da explicação do garoto para a arte: "Já ficou de noite. Se eu pintar a minha mão o pernilongo não vai ver a minha mão e não me morde mais". Bastante prático, deduzimos.

O mundo seria melhor se as crianças tivessem voz e vez para solucionar problemas.

Do "Bate-Papo" para o YouTube

Na semana passada, fomos, patroa e eu, ao "Bate-Papo de Esportes", da CATVE. Contei a história no dia seguinte, nesse post aqui. Só não tinha os vídeos da participação de Luc & Juli no programa para postar.

Ontem, o Jorjão colocou os tais vídeos no YouTube. Portanto, atendendo a milhares de pedidos, vão aqui as quatro "canjas" da dupla no programa. Na primeira, até os ouvidos menos atentos vão perceber que esqueci de ligar o microfone do violão. Coisa de principiante, mereço um desconto.

No "Bate-Papo", fizemos "Você de volta", de Maria Cecília & Rodolfo, "Mi' na espiga", de Flávio Aquino & Gabriel, "Rédeas do possante", de Zezé di Camargo & Luciano, e "Estrela cadente", de Victor & Léo. Bom proveito, se for possível.

Monteiro, piloto da Nascar

Do alto de seus 35 anos, Beto Monteiro (não somos parentes) parece uma criança, tão feliz que se mostra com sua novidade da semana. Anunciada em primeira mão aqui, no blog do Téo José, a estreia do piloto pernambucano na Nascar tem data marcada. Vai ser sábado agora, em Los Angeles, uma participação pela Troy Williams Racing em prova especial da Nationwide Series, que é algo como a “classe B” da categoria ianque. Nem por isso menos atrativa. Dei uma bisbilhotada no site do Speed Channel, mas não encontrei por ali nenhum indício de que a corrida possa ser transmitida para o Brasil.

Mais do que confirmado pela Scuderia Iveco para mais uma temporada da Fórmula Truck brasileira, que agora tem status de sul-americana, Luiz Alberto Monteiro Neto, campeão da série de caminhões em 2004, vinha flertando com a Nascar há algum tempo. No ano passado, participou de corridas da Top Race V6 na Argentina, o que assegura ao menos não ser-lhe uma novidade total a pilotagem de um carro de turismo. O pouco tempo para treino e adaptação talvez seja seu algoz mais preocupante. Nada que lhe tire o ânimo.

Beto é daqueles que, discaradamente, não conseguem ficar longe das corridas. Com frequência, quando o calendário de provas da Truck permite, é visto nos bastidores de eventos de outras categorias. É seu hábito, é o meio onde faz questão de estar. O sotaque nordestino que mantém orgulhoso oculta, por vezes, uma dose exagerada de conhecimento sobre o mundo das competições. É um sujeito de visão, Beto, em se tratando de corridas.

Enquanto pilota no Brasil, na Argentina e nos Estados Unidos, Beto Monteiro, que já competiu no automobilismo europeu, também tenta fomentar categorias. Em parceria com Leandro Totti, seu adversário nas pistas da Truck, trabalha para alavancar a Fórmula Spyder Race, que disponibiliza a pilotos de qualquer canto do Brasil a chance de correr com um protótipo ao custo de R$ 2 mil – praticamente de graça para os padrões desse esporte. Já comentei sobre a categoria, aqui.

Parênteses. A propósito do blog do Téo, que trouxe a notícia ontem em primeira mão – na verdade, ele e Beto fizeram o anúncio via Twitter, praticamente ao mesmo tempo –, é um dos que procuro visitar todos os dias. Lá, Téo costuma escancarar algumas de suas posturas, como nesse post aqui, em que dá seu pitaco sobre o anúncio do governo de Goiás de que o autódromo de lá será passado a limpo pelo alemão Hermann Tilke. Fecho parênteses.

Quanto a Beto Monteiro, o embarque para a Califórnia está confirmado para quinta-feira. Antes, na quarta, fará testes com seu F-Truck em Curitiba. Tem fôlego, também, o pernambucano.

sábado, 23 de janeiro de 2010

Astros e desabrigados; ou pessoas

Sob a batuta do ator George Clooney, celebridades da música e do cinema protagonizaram ontem em três megalópoles um evento beneficente que se alastro pelo mundo. Artistas mobilizaram-se na campanha “Esperança Imediata ao Haiti”, desenvolvida simultaneamente em Londres, Nova York e Los Angeles. Os shows e as participações tiveram transmissão ao vivo por uma penca de emissoras de TV dos Estados Unidos, o trabalho foi amplamente repicado na internet. Madonna e Stevie Wonder, que ilustram esse post, estiveram entre os dezenas de astros-voluntários. Estas fotos foram copiadas discaradamente do portal Último Segundo, que credita-as à Associated Press.

A rodada da NBA também foi marcada por manifestações dos ditos astros da liga, que prometeram doações e convocaram os fãs do basquete a contribuírem para que se possa restabelecer as condições do país que teve a capital devastada por um terremoto dias atrás.

Bom ver artistas e atletas fazendo uso do prestígio que têm junto aos públicos para fomentar doações aos atingidos. Vários deles, inclusive, sacaram cheques gordos de suas contas e enviaram aos comitês que organizam o encaminhamento das doações. E muita gente devem ter ouvido nessas primeiras horas do sábado – como eu já ouvi e li – que as estrelas só tomam tais atitudes por amealharem, com isso, boa mídia.

Suponho até que algumas das doações milionárias assinadas pelas próprias celebridades tenham sido movidas por esse propósito. Aparição na mídia. Ainda assim, os dólares e euros doados por eles e pelos seus fãs por conta de seu envolvimento nos eventos de ontem serão utilíssimos para alimentar e abrigar quem perdeu tudo o que tinha naquele lugar do centro das Américas. Que tenham mídia, pois.

Quem me dera poder enviar aos haitianos milhares ou milhões de dinheiros. Daqui de casa foram, via Corpo de Bombeiros, uma caixa com litros de leite em embalagem do tipo “longa vida” e algumas unidades de alimento enlatado. Envios modestos que vão, em Porto Príncipe e região, juntar-se aos do povo de Hollywood e de tantos outros simples mortais. Donativos triados por milhares de voluntários – numa cruzada onde trabalham juntos, de mangas arregaçadas, o democrata Bill Clinton e o republicano George W. Bush, ex-presidentes da maior potência econômica do planeta.

As pessoas são assim. Com todos os defeitos que têm, sensibilizam-se quando há outras pessoas vivendo situações extremas. E ajudam como podem, felizmente há as que podem bastante. Ah, sim, também há as que procuram deslizes nas atitudes de quem se propõe a ajudar de alguma forma. Seres insignificantes, eu definiria.

Enquanto escrevia esse post, consultei vários portais de internet buscando algumas informações a respeito das campanhas de ontem. Foi difícil achar, encontrei-as no Último Segundo. Outros portais devem ter explorado o assunto também, sem maior destaque, e não tenho paciência para maratonas de cliques. Todos, isso me chamou atenção, destacavam em suas front pages o BigBrother Brasil.

Quem sou eu para elencar as prioridades alheias, afinal?

sexta-feira, 22 de janeiro de 2010

Ganhe credenciais para o GP São Paulo

Quem me conhece, sabe que venho ganhando a vida, entre alguns bicos, como locutor de arena de corridas de carros. Ano passado atuei nos campeonatos de GT3, Trofeo Maserati, Copa Clio e Porsche Cup, além de provas pontuais como os Mil e os Quinhentos Quilômetros de Interlagos, a etapa brasileira do WTCC em Curitiba, as 500 Milhas de Londrina e as 500 Milhas de Kart da Granja Viana.

E daí?, perguntarão vocês. E daí que nada, só um pretexto para entrar no assunto. Como sou um narciso-egocêntrico, formulei sobre mim mesmo a pergunta que vai valer para um seguidor meu no Twitter duas credenciais de box para os Mil Quilômetros deste ano em Interlagos. A corrida vai ser domingo agora, em programação que terá também provas da simpática Classic Cup e do Brazil Open de Fórmula 3, então tem de ser jogo rápido. Ah, o ganhador leva, também, uma credencial de estacionamento para o carro.

A pergunta é: qual foi o primeiro evento de nível nacional em que atuei como locutor de arena? Pista e ano já completam a resposta, que deve ser dada via Twitter. Algumas dicas: fiz o serviço sem ter sido contratado para tal; foram duas corridas no mesmo dia, de categorias que não existem mais; viajei pouco para chegar à cidade do evento; Juli, minha esposa há seis anos, era namorada nova na época e estava presente; e lá, conheci um ex-piloto de Fórmula 1 e outro da Fórmula Indy.

E antes que perguntem, locutor de arena é o sujeito que fica o fim de semana todo falando ao microfone para desespero dos pares de ouvidos presentes ao local do evento.

Só vale para meus seguidores no Twitter, onde despacho como @lucmonteiro - nick para o qual as respostas devem ser encaminhadas. Vou pro banho agora, daqui a pouco Juli, Luc Jr. e eu vamos prestigiar mais uma apresentação de música sertaneja da dupla Flávio Aquino & Gabriel cá em Cascavel (ops!, matei uma das charadas). Quando chegar do boteco, consulto o Twitter para ver quem terá protagonizado o primeiro acerto.

E se ninguém acertar? Bem, aí a gente pensa num plano B. Bons palpites pra vocês, bom boteco pra mim.

quinta-feira, 21 de janeiro de 2010

Fórmula Truck em Posadas?

Semana passada, aqui no BLuc, dei um pitaco intrometido nos rumos que a Fórmula Truck poderá ou não tomar na temporada de 2010 quanto às praças que receberão as 10 corridas.

No texto citado, que segue inalterado no site da categoria, há a indicação de que Guaporé, Rio de Janeiro e Caruaru vão receber as três primeiras das 10 etapas do campeonato, com o local da quarta prova ainda indefinido. Especulei, no referido post, a inclusão da obsoleta pista de Cascavel no calendário ainda aberto.

E se está na página oficial da categoria, é isso mesmo e fim de papo, certo? Há controvérsias. O calendário disponível no site da Confederação Brasileira de Automobilismo, por exemplo, aponta uma outra versão. Tanto na bem elaborada planilha de Excel quanto no ícone dedicado exclusivamente à Truck, a entidade informa com ineditismo que a segunda etapa terá a argentina Posadas como sede, sendo Rio e Caruaru remanejadas para as terceira e quarta provas.

A Truck, neste ano, ganha status sul-americano. Isso é sabido. A inclusão de Posadas é novidade para mim. Meus telefones não conseguiram alcançar dona Neusa Félix para sanar a dúvida.

Fico, por ora, com a versão do site da Truck. Ah, claro, e vejo Cascavel anda no páreo. Correndo por fora, como dizem.

(ATUALIZANDO EM 21 DE JANEIRO, ÀS 15h48)
Via Twitter, o piloto Beto Monteiro direciona-me o seguinte comentário: "tava marcado posadas sim mas nao comfirmou nao vai ser mesmo em buenos aires". Beto tem pleno contato com os comandantes da Truck e sua observação revela que houve fundamento, pois, no apontamento de Posadas. Seu contato, contudo, leva a crer que Posadas seria uma possível alternativa a Buenos Aires. A versão que consta da programação da CBA indica uma corrida em cada uma das duas pistas.

Chocolates musicais

Há dias, ganhou destaque nas páginas, nos sites e nos programetes de fofocas a mudança que a escola de samba Rosas de Ouro teve de fazer em seu enredo por imposição da Rede Globo. Colunistas opinaram, também. A emissora via nas formas originais de título e letra um merchandising velado aos chocolates da Cacau Show e ameaçou não transmitir o desfile da escola. O caso está melhor explicado, por exemplo, aqui ou aqui.

E daí, já que eu não gosto de sambas-enredo e tenho ojeriza às festas de Carnaval? Não tem nada a ver, mas lembrei do caso da Rosas de Ouro ontem à noite. Eu voltava do Rotativo’s Bar, onde havia costelinhas de porco com mandioca, que não comi porque sempre dispenso cortes suínos, cervejas e modas de viola, com as quais me entendo bem. No caminho, ouvindo a Capital ou a Nova, não lembro qual das FMs, notei caso semelhante de merchandising numa música de Luan Santana.

Ainda conhecido pelo apelido “Gurizinho”, não sei dado por quem, o sul-mato-grossense Luan gravou “Chocolate”, uma letra dele próprio que trabalha trocadilhos a partir de marcas do alimento nascido nas Américas. Contei nove, Luan não cita o Laka, meu preferido, não vou mudar de marca de chocolate por causa disso. O merchand foi explorado de uma maneira bem sacada. Não deve render carregamentos de chocolate como retribuição da Nestlé, da Lacta ou da Garoto, que ganharam boa propaganda – a rádios estão tocando bastante.

Casualmente, Luan Santana estará na edição de hoje do “Vídeo Show”, da Globo. Não deve cantar “Chocolate”, até porque poderiam entupir o áudio de apitinhos a cada menção às marcas que compõem a letra. Mesmo sendo ele, Luan, um parceiro da emissora - vai inclusive integrar parte da temporada do folhetim “Malhação”.

Em tempo, Luan Santana não tem nada a ver com o primeira voz da dupla Lincon & Luan, à qual já fiz várias menções aqui no BLuc, e que pode ser conhecida no site oficial.

Se alguém ficou curioso quanto a "Chocolate", dá para ouvi-la nesse link aqui. É só selecionar a faixa 16.

Quando escrevo coisas como “ojeriza” começo a entender por que metade dos cabelos está caindo e a outra metade está esbranquiçando. Isso me deixa preocupado. Vou comer chocolates pra relaxar.

quarta-feira, 20 de janeiro de 2010

O Boto do Reno

Recebo, depois de recorrer à editora com alguns anos de atraso, “O Boto do Reno - as histórias de um repórter de Fórmula 1 pelo mundo”, livro que o jornalista Flavio Gomes lançou em 2005, quando eu ainda era piolho de jornal. Um recorte temporal facilmente identificável, já que habitei uma redação de jornal por quase 18 anos, mais da metade da vida.

Não vem ao caso. O “Boto” reúne textos que Gomes escreveu em suas andanças – ou voanças – mundo afora atrás do Mundial de F-1, que cobriu para um catatau de jornais, rádios, TVs e o cambau de bico. Devo ter lido maioria deles, já que O Paraná, o diário para o qual trabalhei durante quase uma maioridade, integrava a rede de jornais atendidas pelo baixinho jornalista. Lê-los-ei novamente, pois.

Gomes escreve com picardia. Sempre escreveu, há alguma dose de ironia até mesmo em seus textos informativos. Têm a cara dele, cabe a cada um concluir se isso é defeito ou qualidade – imagino o resultado de uma enquete eventual a respeito. Não é daqueles jornalistas amados ou odiados, como define o clichê. Via de regra, é só odiado, pelas posturas que assume. Costuma se lixar para o que pensam os outros e deixa isso muito claro, sobretudo em tempos de interatividade integral por conta dos mecanismos viabilizados pela internet.

Uma leitura bem-humorada, acima de tudo, foi o que me atraiu no “Boto”. Sou vagabundo para ler. Na faculdade, ensinaram que o bom jornalista deve ler ao menos um livro por mês. Alguns que conheço leem um por semana. Li uns três ou quatro na vida toda. Mas recomendo o “Boto”. Não me perguntem onde tem pra vender. Mais prático é tratar a encomenda por e-mail com a Alessandra Alves, da editora Letra Delta. O endereço é alessandra@letradelta.com.br.

"O Boto do Reno"? Que diabos tem isso a ver com F-1 e viagens? Está respondido em alguma das trezentas e tantas páginas. O “Boto” tem aplicações práticas, inclusive. Li um texto, só, e já aprendi a descascar batatas para as maioneses dominicais.

terça-feira, 19 de janeiro de 2010

O Jorjão lançando moda...

Jorge Guirado e sua equipe deram início ontem à noite na CATVE a mais uma temporada do "Bate-Papo de Esportes", que tem repetecos no Canal 21. Não raro, estou no programa, em geral falando sobre as coisas do automobilismo, até porque o Jorjão enfiou na cabeça que eu entendo alguma coisa do mundinho das corridas de carros.

Ontem, numa edição dedicada basicamente às estreias dos times de Cascavel e Toledo no Campeonato Paranaense de Futebol, participei, também. Mas sem dar pitaco nenhum sobre a bola rolando. O "Bate-Papo" abre espaço, neste ano, para nomes da música de Cascavel e região. Entre um debate e outro, uma musiquinha pra descontrair.

Para a primeira experiência, a de ontem, a dupla convidada foi Luc & Juli. Composta, quem anda aqui pelo BLuc já sabe, por mim e por minha esposa. Não por méritos especiais, que na verdade não temos, mas pelo parceiro que Guirado sempre foi, abriu-nos espaço para mostrar um pouquinho do trabalho musical a que demos início quase que por acaso, no estilo sertanejo universitário.

Louvável a iniciativa da CATVE, reconhecimento que não condiciono ao fato de ter participado com a Juli. Cascavel, em especial, tem muita gente de talento na música, em todos os estilos, e o espaço aberto para essa amostra, levada a dezenas de municípios da nossa região, é dos mais úteis para toda essa galera.

Não sei quem vai rasgar a goela lá nos estúdios da CATVE na próxima segunda-feira, mas a iniciativa tem tudo pra dar certo. Não será a primeira vez que, com o perdão do trocadilho, Jorjão lança uma boa moda.

Ah, claro, as fotos aqui postadas são horríveis. Nem poderia ser diferente, já que fotografei a televisão, durante uma reprise do programa, usando o aparelho celular. Em detrimento dos ouvidos dos amigos do BLuc, vou garimpar arquivos de vídeo para postar aqui.

quarta-feira, 13 de janeiro de 2010

"Tema da vitória" em seis cordas

Todo mundo já deve ter visto isso em sites e outros blogs. Eu vi uma vez só, acho que foi o Jorge Guirado que mostrou durante seu "Bate-Papo de Esportes", na CATVE. Achei fantástico. Hoje chegou por e-mail, quem mandou foi o twitteiro Ronei Rech.

Sem muitos comentários, vale a pena ver e ouvir a execução, pelo mestre violonista Robson Miguel, do "Tema da vitória", composto pelo maestro Eduardo Souto Neto. Aliás, lendo hoje sobre a música, fiquei sabendo que já foi executada pela Globo em uma vitória de Alain Prost na Fórmula 1.

Na apresentação do mestre Robson Miguel, que mostra muita coisa interessante em seu site, chamou-me atenção o detalhe ao final da música. Ei-la, pois.

video

segunda-feira, 11 de janeiro de 2010

E a Truck, vem ou não vem?

Semana passada, fui convidado pelo colega Moacir di Camargo a participar da programação vespertina da CBN Notícias, aqui de Cascavel. Para falar de automobilismo, claro, não devo ter muito a mais para falar a ninguém. Osires Júnior, da Nova FM, que pertence a grupo concorrente, observou que a CBN, para me convidar, devia estar sem pauta. Talvez tivesse razão.

Enfim, fui lá, devidamente assessorado pelo Luc Jr., que se deu ao trabalho de apagar as luzes do estúdio e tomou o cuidado de tirar as sandálias para ficar pulando no confortável sofá ali instalado. No ar, enfim, a primeira pergunta que Moacir tinha em sua pauta para me fazer: a Fórmula Truck virá a Cascavel em 2010?

Gostaria de ter uma resposta na ponta da língua para dar a Moacir e aos ouvintes da CBN. Mas não tinha. Meu palpite, manifestei-o no ar, é de que sim.

A Truck teve sua última corrida no autódromo de Cascavel em 2007, abertura do campeonato, com vitória de Geraldo Piquet. Não presenciei, estava em Curitiba na locução da etapa brasileira do WTCC. Desde então, a pista daqui, que marcou os primeiros momentos da história da categoria, caiu numa espécie de lista do castigo, por ter abrigado, naquele mesmo ano ou no ano seguinte, não lembro bem, uma corrida da Fórmula Sul, outra série que usa caminhões, sobre a qual postei esse comentário aqui em outubro último.

A Fórmula Truck já definiu seu calendário de provas para 2010. Está aqui, no site oficial da categoria - no Brasil, é moda dizer que um site ou qualquer outra coisa providenciada por um evento é "oficial". Anuncia-se a etapa no Rio de Janeiro, onde há o único dos autódromos brasileiros que nunca recebeu uma corrida da categoria, como novidade principal.

O próprio texto que acompanha o anúncio do calendário admite que "ainda podem (sic) haver algumas alterações". A meu ver, uma das mudanças seria a própria etapa do Rio, segunda do calendário, dar lugar à volta de Cascavel. Outra, que me parece mais provável, seria o autódromo cascavelense preencher a lacuna da quarta etapa, ainda sem pista definida.

Neusa Félix, a presidente da Fórmula Truck, admitiu claramente em fins do ano passado que a categoria pode, sim, voltar a Cascavel em 2010, condicionando o evento à execução de melhorias no autódromo. É assunto para numerosas reuniões em vários âmbitos nas próximas semanas.

Na última vez em que fui a um programa e dei palpite sobre a vinda ou não da Truck a Cascavel, a conversa rendeu cestas básicas de alimentos e uma quantia de leite às crianças de uma entidade aqui de Cascavel. E a categoria veio, claro. Conto essa história em outra oportunidade.

Estou prestes a topar uma nova aposta. Quem encara?

quinta-feira, 7 de janeiro de 2010

É tempo de BigBrother. Vai espiar?

E começa por esses dias a décima edição do BigBrother Brasil. As chamadas já estão no ar mostrando os participantes, uma das participantes é xará da minha irmã e as comparações lá na casa da mãe serão inevitáveis, a "casa mais vigiada do país" vai receber um maquiador que atua como drag queen, o que vai apimentar o enredo do BBB, o - ou "a"? - drag sai com a vida feita mesmo se não vencer o prêmio máximo. Mas vai vencer, porque a Globo sabe que todo seu público, por mais preconceituoso que seja, também é hipócrita e coloca-se como bom aceitador das polêmicas opções alheias.

Com um pouquinho de tempo sobrando, dei uma "passeada" hoje pelo YouTube. Divertia-me com vídeos que mostravam erros de jornalistas na televisão - mania feia, essa nossa, de ver graça na desgraça alheia -, alguns com exemplos mal-educados de torcedores de futebol contra o locutor Galvão Bueno, até que surgiram links do BigBrother brasileiro. Grande maioria deles, claro, tentando mostrar os fatores negativos do programa. Que são muitos, inclusive.

Ninguém, além da Globo, fala bem do BigBrother. Reza a lenda que Pedro Bial e Fausto Silva não suportam os motivos do programa e só o engolem por conta da lógica do manda-quem-pode-obedece-quem-tem-juízo. Sei lá, é problema deles, e se são pagos para enaltecer o reality show, têm mais é de fazê-lo. Mas fato é que, pelos próximos dois ou três meses, o Brasil que condena o BBB vai parar toda noite para ver a saga dos "herois". E cada um vai eleger seu "brother", vai torcer, vai mandar e-mails, pagar os centavos e mais impostos do telefonema para livrá-lo das eliminações do jogo.

E o BigBrother vai dividir atenções com o Carnaval, alguns participantes vão para a Sapucaí, o programa vai terminar depois de todos terem cumprido seus roteiros, o vencedor vai participar de um catatau de programas da Globo, vai cair no esquecimento e o país retomará sua rotina. Que é quase tão medíocre quanto o BigBrother, mas que faz doer quando lembramos tratar-se da vida real.

De espiadinha em espiadinha, vamos lá.

terça-feira, 5 de janeiro de 2010

Pelo futuro, a rifa de um carro de corrida

Vale tudo para se levar adiante uma pretensa carreira de sucesso.

No caso do piloto Erik Gasparini, o esforço para que a atuação nas pistas do kart internacional não seja interrompida pela falta de patrocínio passa pela promoção de uma rifa. Uma das fórmula mais antigas para se arrecadar uma quantia determinada, uma novidade – pelo menos para mim – em se tratando do automobilismo.

O prêmio, bastante sugestivo dados os propósitos da iniciativa, é um carro de corridas, esse das fotos. A organização da promoção é de Cláudio Gasparini, imagino que seja seu pai. Recebi o regulamento a rifa por e-mail. Serão 1.000 números, cada um a R$ 100.

A descrição do prêmio é detalhada. Um Aldee Turbo de competição, em anunciado perfeito estado de funcionamento, com potência regulável pelo piloto que varia entre 250 e 400 cavalos, intercooler, injeção eletrônica Magneti Marelli, com quatro válvulas injetoras, sistema suplementar de injeção de combustível HIS com mais quatro válvulas injetoras, freio a disco nas quatro rodas com sistema importado Wilwood, sistema de reabastecimento com bocal rápido e painel de instrumentos com mostradores AutoMeeter.

O regulamento da promoção é minucioso. Prevê eventualidades que vão da centena premiada – o sorteio se dará pelo resultado da Loteria Federal na extração de 29 de maio – não ter sido vendida a ninguém até o não cumprimento de uma cota mínima na venda de números, o que acarretaria automaticamente o adiamento do sorteio para 28 de agosto.

Há prêmios extras na promoção. Comprando 20 números, o participante passa a ter uma de 10 chances de cumprir gratuitamente um dia de treino ao lado de Erik, com kart profissional, motor de dois tempos, toda a assistência e equipamento necessários. Quem investir em 50 dos 1.000 números terá espaços para inserções no macacão e nas carenagens dos karts que Erik vai pilotar na Europa neste ano, além de facilidades para viagens à Europa para acompanhar as competições – facilidades que, frisa o e-mail, podem ser repassadas a clientes e amigos.

Erik tem 12 anos. Já conquistou o prêmio “Capacete de Ouro” da revista Racing, colecionou vitórias e títulos em campeonatos de kart pelo Brasil e, na Itália, foi o único selecionado entre pilotos de várias partes do mundo para defender a italiana Birel Junior Team nos campeonatos Europeu e Mundial de Kart.

Gosto de um bom sorteio, todos sabem. Inclusive já promovi vários, cinco Fusca, duas Brasília, sempre uma festa gostosa. Agora, aliás, estou rifando um Honda Civic 99 automático. Papo para outra ocasião.

Acho que vou concorrer ao Aldee Turbo.

segunda-feira, 4 de janeiro de 2010

A pedido, o desabafo do patrulheiro

Dia desses, postei um comentário aqui sobre as atuações e considerações que envolvem o trabalho de policiais rodoviários. A esse propósito, recebi de Edilson Reche um texto supostamente escrito por um policial, desses extraídos da internet, de um blog. Pareceu ser de 2006. Pode servir como reflexão, como parâmetro. A foto, claro, é meramente ilustrativa, busquei-a no Google. Pode servir para qualquer coisa.

Diante da sugestão de publicação, eis o texto, em sua íntegra:

"DESABAFO DE UM POLICIAL MILITAR.

Mitchell Brown*

Muito bem, senhor cidadão, eu creio que o senhor já me rotulou.

Acredito que me enquadro perfeitamente na categoria em que o senhor me colocou. Eu sou estereotipado, padronizado, marcado, corporativista e sempre bitolado.

Infelizmente, isto é verdade, contudo, não vou rotulá-lo.

Mas digo que, desde que nascem seus filhos ouvem que eu sou o 'bicho papão' e depois fica chocado quando eles se identificam com meu tradicional inimigo... o cidadão infrator.

O senhor me acusa de contemporizar com os infratores até que eu flagre um de seus filhos cometendo um delito.

O senhor é capaz de gastar uma hora para almoçar e interrompe o serviço para tomar muitos cafés por dia, mas me considera um vagabundo se paro para tomar uma xícara.

O senhor se orgulha do seu refinamento, mas nem pisca quando interrompe minhas refeições com seus transtornos e dificuldades que, muitas vezes, são provocadas pelo senhor mesmo.

O senhor fica fulo quando alguém o fecha no transito, mas se eu o pegar fazendo a mesma coisa e lavrar um auto de infração de trânsito, estarei lhe perseguindo. O senhor conhece todo código de transito, mas muitas vezes não porta os documentos de porte obrigatórios.

O senhor acha que sou um irresponsável se me vê dirigindo em velocidade relativamente alta e com a sirene ligada para atender uma ocorrência, mas sobe pelas paredes se eu demoro dez minutos para atender um chamado seu.

O senhor acha é parte do meu trabalho se alguém me fere, mas diz ser truculência policial se me defendo de uma agressão injusta, atual e iminente.

O senhor nem cogita em dizer ao seu dentista como arrancar um dente, ou ao seu medico como extirpar seu apêndice, mas está sempre me ensinando como devo fiscalizar o cumprimento da lei.

O senhor quer que eu o livre dos que metem o nariz na sua vida, mas não se manifesta quando chego atendendo à sua solicitação, para que ninguém fique sabendo disso.

O senhor brada: 'É preciso fazer algo para combater o crime!', mas fica irritado se é envolvido no processo.

O senhor não vê utilidade na minha profissão, mas certamente ela se tornara valiosa se eu trocar um pneu furado do carro de sua esposa em local ermo ou perigoso, conduzir seu menino no banco de trás do carro patrulha, talvez salve a vida de seu pai com uma respiração boca a boca ou trabalhe por horas a fio, procurando por um parente seu que desapareceu.

Assim, senhor cidadão, o senhor pode 'levantar a saia', dizer impropérios e se enfurecer pela maneira pela qual executo meu trabalho, dizendo todos os nomes feios possíveis, mas nunca se esqueça que sua propriedade, sua família e até mesmo sua vida dependem de mim e dos meus colegas.

Sim, senhor cidadão, eu sou um policial.


(*) Mitchell Brown, autor deste texto, patrulheiro da Polícia Estadual de Virgínia, EUA, morreu em serviço dois meses depois de o escrever."

sábado, 2 de janeiro de 2010

...feliz ano novo!

E chegou 2010. Chegou bem, por sinal. Bonito, simpático, permeado pelas impressões positivas que se planta nesta época festiva de virada de ano.

E, depois da dita virada, a fase que devolve os seres a seu cotidiano normal. Uns, a partir de hoje. Outros, a partir de segunda-feira. Outros, ainda, quando do retorno das férias, que na grande maioria dos casos são merecidas.

E a vida segue seu curso, ficando como herança das festas do rèveillon – ou dos rituais equivalentes para outros costumes – a renovação de propósitos e de metas, a revisão de posturas e atos.

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Espero que no novo ano as pessoas possam exercitar seus julgamentos sem se deixarem levar por impressões falsas. Que tenham o discernimento suficiente para não se iludirem com o que lhes possa ser sugerido à primeira vista, para que mensurem as doses exatas de ir a fundo em quaisquer levantamentos, de adotar racionalidade e cautela antes de uma manifestação. O vídeo aí acima ilustra com algum humor o quanto um impulso sem fundamento pode ser nocivo.

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Que no ano novo as pessoas possam dar asas à imaginação, que possam enxergar além do que é palpável, que consigam identificar as oportunidades de todos os gêneros onde elas não se apresentam com nitidez. Que saibam, como dizem, fazer de um limão uma limonada. Ou uma caipirinha, por que não?, já que ninguém é de ferro. Que saibamos ter a visão do garotinho desta premiada propaganda.

No fundo, o que todos querem é, sim, um feliz ano novo, embora nem todos contribuam para que isso se torne possível.

Às favas com as exceções. Tenho certeza de que o novo ano vai ser 10.