sexta-feira, 30 de outubro de 2009

Aos amigos e inimigos...


Não pelo momento delicado que vive, e quem o conhece há de concordar, mas é pertinente afirmar que Zoião é uma figura singular. Nunca viveu abastado, sempre uma pessoa de poucos recursos, mas dono de uma capacidade imensa de buscar o bem-estar dos que o rodeiam.

Suas gírias, seu português falho - propositadamente, muitas vezes -, sua irreverência e o tino para reagir com tiradas divertidas às mais variadas situações fizeram de Zoião um personagem quase folclórico do jornalismo no automobilismo de competição do Brasil. E, aqui, são dispensáveis considerações sobre o talento profissional.

Zoião é autêntico. A ponto de, poucas horas depois de viver o maior drama de sua vida - duas complexas cirurgias cardíacas, intercaladas por um miserável intervalo de quatro horas -, estar distribuindo sorrisos. Faltava pouco para o almoço de hoje quando gravou um vídeo, pela terceira vez desde que foi internado, a primeira como frequentador da UTI. A imagem tem pouca qualidade, claro, foi produzida por um telefone celular. Mas a mensagem é rica, considerando-se ter como fonte alguém que tinha a vida por um fio há poucas horas.

Dentro das limitações físicas que a doença, o tratamento e as cirurgias consecutivas impuseram-lhe, falou, brincou, fez piada, repetiu que não iria citar nomes para não incorrer em inevitáveis omissões e deixou seu abraço "para os amigos e para os inimigos".

Zoião tem, também, uma capacidade que impressiona para tirar energia de fontes esgotadas. Vai longe, ainda. Sorte nossa.

Do hospital, o primeiro susto

Da UTI do Hospital Salete, veio o primeiro susto. Passava um pouco da meia-noite quando recebi telefonema. Era Sueli, esposa do Clóvis Grelak, que acompanha de muito perto todo o processo que levou Vanderley Soares, o Zoião, a uma cirurgia cardíaca de quase cinco horas ontem. Temi pelo pior, claro, Sueli não teria motivo para me ligar àquela hora.

Interrompi o showzinho que estava fazendo no Pantanero Bar com Juli, minha esposa e parceira de cantoria. Aproveitei a presença de Wilson & Osmar, dupla da cidade de Nova Aurora, e escalei-os para tocarem uma seleção enquanto fui lá fora retornar a ligação. Sueli estava nitidamente nervosa. Zoião estava, de novo, no centro cirúrgico.

A convocação de uma cirurgia de emergência por volta das 10 da noite, coisa de cinco horas depois do delicado procedimento de ontem, denotava a gravidade da situação. Não entendi direito, mas parece-me que os familiares de Zoião foram chamados ao hospital. Clóvis já estava lá também, Sueli estava a caminho. Retomei meu palco. Temi pelo pior.

Cada número do repertório musical, dali por diante, saiu da boca pra fora. A cabeça estava na UTI do Salete. Apresentação encerrada, fui para fora de novo. Chamei Clóvis ao celular. Já estava em casa, descansando. Disse-me que voltaria ao hospital hoje de manhã. Fui dormir por volta das 3h, temendo por alguma coisa. Já não era pelo pior, acho.

Hoje cedo, as informações a respeito do problema tornaram-se um tanto mais claras. Zoião sofreu uma hemorragia interna. O sangue não coagulava e foi necessária uma nova intervenção. De peito aberto novamente, teve o sangramento reduzido a níveis razoáveis, sob expectativa de normalização nas horas seguintes.

No que diz respeito aos ritos cirúrgicos, atesta novamente a equipe médica, o pior já passou. Um dos fatores que torna a situação ainda mais delicada do que normalmente seria é o fato da endocardite infecciosa, doença que o levou ao leito hospitalar, ter comprometido em nível considerável o funcionamento dos rins. E os rins serão um tanto sacrificados com a forte medicação que lhe terá de ser ministrada.

Zoião tomará doses de fortes antibióticos para evitar que a infecção, ainda não debelada, comprometa as próteses de válvulas que lhe foram implantadas no coração. Os rins serão um tanto sacrificados no processo todo, o que vai acarretar a necessidade de um período de hemodiálises até retomem o funcionamento normal.

De momento, os médicos seguem atentos às eventuais complicações sempre passíveis das primeiras 24 horas de um pós-operatório. Mesmo sedado, Zoião foi acordado pelos médicos às 8 horas da manhã. Está confuso e atordoado, obviamente. Sabe que foi operado novamente. E deverá estar acordado novamente ainda antes do almoço. Conversará com a esposa Ana Maria e com Clóvis.

Situação bastante delicada. Mas já não temo pelo pior.

Preços e taxas do Brasileiros de Marcas

Reunião da diretoria do Automóvel Clube de Cascavel na noite de ontem serviu, dentre outras coisas, para definir algumas taxas e detalhes para o Brasileiro de Marcas & Pilotos, que vai acontecer por aqui, no Autódromo Internacional Zilmar Beux, daqui a duas semanas.

A taxa de inscrição para a disputa das quatro corridas que vão compor o campeonato, duas no dia 14 e duas no dia 15, será de R$ 750. Os pneus Pirelli P400 serão fornecidos no autódromo, com preço de R$ 120 por unidade. Haverá, no autódromo, estrutura conratada, a da Campneus, para montagem e desmontagem dos pneus e balanceamento de rodas, a custo de R$ 5 por unidade. O litro do álcool combustível, que deverá ser fornecido pelo Auto Posto Maçarico, custará R$ 2.

Os valores são extremamente convidativos para os padrões praticados no automobilismo brasileiro. Podem ser encarados como uma demonstração das boas intenções do automobilismo cascavelense, que trabalha para voltar ao cenário nacional.

O regulamento técnico do Brasileiro, disponível no site da Confederação Brasileira - está nesse link aqui -, determina, no item 4.17.5, reza que o sistema de injeção eletrônica dos carros seja original, sendo admitido retrabalho no Epron. É permitido aos pilotos, também, o uso dos sistemas "Digitronic, HIS, Full Tec (leia-se Fuel Tech) e Pandoo". Aqui reside uma das broncas dos pilotos de Cascavel que planejam disputar o Brasileiro.

Vários deles utilizam e avalizam, no Campeonato Metropolitano, o sistema Injeforce, desenvolvido na cidade pelo time de profissionais liderado por Carlos Ansbach. A Injeforce está vetada. Consta que Paulo Vessaro, com Fiat Palio, Ingmar Biberg, com Renault Clio, Luiz Fernando Pielak, com Ford Ka, Cleves Formentão, com VW Gol, e Wanderley Faust, com GM Corsa Sedan, estão entre os adeptos da Injeforce. Eles cobram de Rubens Gatti, presidente da Federação Paranaense de Automobilismo e que tem atuado como porta-voz da CBA aos envolvidos com o campeonato do meio de novembro, algo que justifique o veto, já reafirmado por ele próprio.

Não acho que a CBA deva, ou vá, mudar qualquer coisa no regulamento a essa altura do campeonato. Mas uma explicação coerente, no mínimo, seria bem-vinda.

quinta-feira, 29 de outubro de 2009

Zoião, o "peito de aço", vence mais uma

Transcorreu tudo bem, enfim, com a cirurgia cardíaca a que Vanderley Soares, e nosso Zoião, foi submetido hoje, no Hospital Nossa Senhora da Salete, em Cascavel. Foram quase cinco horas de intervenção, para colocação de próteses metálicas de duas válvulas, conforme descrevi ontem nesse post aqui.

E os médicos que o operaram seguem atentos ao risco de mais sangramento nas 24 horas seguintes à intervenção cirúrgica. Há risco, também, da infecção - que não foi completamente debelada - comprometer as válvulas metálicas implantadas em substituição à bicúspide e à aórtica. Caso isso ocorra, relata Ana Maria, pode ser necessária uma nova substituição.

Zoião ficará por mais três dias na UTI, antes de ser reacomodado no quarto, onde deverá permanecer por cerca de uma semana. Os médicos admitem, também, o risco do fotógrafo ter de se submeter a diálises periódicas por algum tempo após a alta médica. Trocando em miúdos, sua recuperação será certamente causticante, mas o pior já passou.

Ana Maria esteve com Zoião hoje cedo, momentos antes da angustiante ida para o centro cirúrgico. Grato pelas manifestações que todos nós recebemos, principalmente de seus companheiros de automobilismo, pediu-lhe que me enviasse, para publicação aqui no BLuc, a última foto que ele tirou, já no hospital, com a filha Mariana, de sete meses. Claro, Zóio, claro. Deixa a Ana respirar aliviada e chegar em casa, ela me manda a foto por e-mail. Vai ser a imagem que terei publicado com mais orgulho.

Em nome de todos os amigos e colegas de Zoião, deixo cá cumprimentos e agradecimentos sinceros aos cirurgiões cardíacos Luciano Augusto Leitão, José Dantas Lima Júnior e Rainielli Pitol, que tiveram sua vida nas mãos e dela cuidaram muito bem.

E bola pra frente! Não é a primeira vez que Zoião dribla uma adversidade e se dá bem. Nem a última.


(Atualizando em 29 de outubro, às 19h41)
E a pedido do Zoião, tá aí, a foto dele com a Marianinha. Cada qual à sua maneira, dois exemplos de nova vida.

Hoje, a nossa estreia

Em meio à correria da agenda do automobilismo, sempre reservo um tempinho para uma cantoria. Um karaokê, uma roda de viola, um festival de música – desses, calculo já participado de aproximadamente 90, em mais de 30 cidades aqui da região.

Cantar, como se pode ver no perfil aí do lado, é o meu esporte. Música sertaneja, sempre. Juliane, minha esposa, é adepta, também. Até gosta um pouco mais de alguns outros estilos. Já atuou como vocalista em algumas bandas, inclusive.

Nas noitadas, em casa, nos botecos, nós dois sempre arriscamos algumas modas, como dizem. E, numa dessas noitadas, dando uma canja na Noite do Artista do Pantanero Bar, acabamos convidados pela direção da casa para um show. Dois, na verdade. O primeiro, hoje; o outro, já confirmado para dia 19 do mês que vem.

Em quase 20 anos pitaqueando na área, é a primeira vez que vou rasgar a goela na noite sob contrato. Friozinha na barriga, coisas do gênero? Sei lá. É bem provável que não. O que mudou, apenas, é que faz alguns dias que estamos, Juli e eu, empenhados em preparar um bom repertório para quem for hoje ao Pantanero Bar. Serão três horas e meia de música sertaneja, foi o que combinamos. E a Juli passa a ser parceira minha, também, no trabalho musical. Antes mesmo de encarar a clientela, já estamos armando mais e mais apresentações.

O show não pode parar, diria alguém, embora nem tenha começado ainda. Assim, pelo que temos conversado à boca pequena com algumas pessoas que são do meio, nasce para valer a dupla Luc & Juli. Talvez merecêssemos um nome mais elaborado, mas sempre escrevemos “Luc e Juli” nos papeizinhos que mandamos para o rapaz que seleciona as apresentações no bar de karaokê. É assim que nossos amigos nos chamam, Luc e Juli.

E a Stela Giordani, lá do jornal O Paraná, deu uma força. Publicou essa matéria aqui, na página 6 do caderno de Variedades que ela edita. O mesmo para o qual escrevi a pedido dela, enquanto trabalhei lá dentro, textos sobre tantos artistas daqui e de fora.

Enfim, a confusão está feita. Estaremos lá à noite, Juli e eu, literalmente fazendo o nosso barulho e esperando os nossos amigos que apreciam o estilo. Não sei exatamente por quê, mas estou contente por isso.

Stock Car continua na Globo em 2010

Houve muita especulação nos últimos dias, em trocas de mensagens pelo Twitter, inclusive, sobre a possibilidade da Stock Car passar a ter suas corridas transmitidas por outra emissora a partir de 2010. Um assunto fomentado principalmente por jornalistas e telespectadores que assumidamente reprovam o formato e os costumes da Rede Globo.

As pessoas acabam reprovando e ridicularizando - injustamente, em alguns casos - o trabalho da Globo. Dá-se muita importância ao fato de Cacá Bueno, um dos principais nomes da Stock Car, ter atenção especial da emissora em que Galvão, seu pai, é o narrador principal – e com direito a voto, segundo juram alguns. O apelido “Fórmula Cacá Bueno”, que Antonio Pizzonia lançou via Twitter durante os treinos da etapa de Salvador, pegou.

Eu mesmo já havia ouvido, no box de algum autódromo, que a Stock poderia mudar de tela. No microblog, houve quem dissesse ter ouvido que a Vicar, dona da categoria, estaria fechando com o SBT – o que não teria o mínimo cabimento, visto o fiasco que foi o envolvimento da rede de Sílvio Santos com o automobilismo nos tempos da Fórmula Mundial. Também houve alegações de que o contrato da categoria com a Record estaria em vias de ser assinado. Alguém já me tinha dito que a nova casa da categoria seria a emissora do bispo.

Mas não, não muda. A Stock continua na Globo em 2010, não teria motivo para mudar. Não se mexe em time que está ganhando, alegará alguém.

Quem confirmou a manutenção da parceria, e não imagino que isso seja segredo de estado para ninguém, foi Jorge Guirado, diretor da Master TV, empresa responsável pela geração de imagens da Stock Car e de praticamente todas as competições automobilísticas do Brasil.

Guirado debochou dos comentários que leu no Twitter e informou que a Vicar fará na semana que vem o lançamento do plano comercial de 2010 na parceria com a emissora do plim-plim. “Renovaram com a Globo”, afirmou, revelando que Carlos Col, mandachuva da categoria, negocia com Bandsports e Record News a exibição das provas da Copa Vicar – embora a classe de acesso possa nem existir mais, o que é um outro assunto, inclusive já tratado aqui.

Jorjão não é de se meter em falatórios. Só se manifesta quando tem certeza.

quarta-feira, 28 de outubro de 2009

Zoião será operado nesta quinta

A equipe médica que atende Vanderley Soares, o nosso Zoião, aproveitou a presença de familiares e amigos durante o horário de visita, há pouco, para uma reunião com todos no Hospital Nossa Senhora da Salete, em Cascavel. Com o próprio Zoião, inclusive, que está internado há 20 dias por conta dos efeitos de uma endocardite infecciosa. O motivo da reunião: a gravidade de seu quadro clínico.

Há dois dias, por conta de novas complicações, conforme informei aqui, os cardiologistas decidiram adiar o procedimento cirúrgico, que estava previsto para o início da próxima semana. A nova previsão, anunciada na segunda-feira, era de que a cirurgia para troca da válvula bicúspide, cuja infecção levou-o ao leito hospitalar, acontecesse dentro de mais duas semanas.

Contudo, hoje, os planos foram alterados mais uma vez e Zoião será submetido à cirurgia já nesta quinta-feira, dia 29. A inflamação da bicúspide, ou mitral, até vem diminuindo. Deveria diminuir mais nos próximos dias, era o que os médicos esperavam para operá-lo sob condições clínicas mais indicadas. Contudo, além dos efeitos colaterais do tratamento, que lhe atingiram um rim, a inflamação alastrou-se para a válvula aórtica. As duas válvulas terão de ser substituídas por próteses metálicas.

A equipe comandada pelos cirurgiões cardíacos Luciano Augusto Leitão, José Dantas Lima Júnior e Rainielli Pitol iniciará a cirurgia às 13h. A previsão é de duração de quatro horas para o procedimento. A expectativa dos médicos, obviamente, é positiva. Mas todos deixaram muito claro, na minirreunião de poucos momentos atrás, que é um procedimento de risco considerável. Não há outra saída.

Os médicos vão relatar suas impressões e expectativas à família por volta das 17h30. Nesse horário, vou repassar por aqui, aos amigos, todas as informações a que tiver acesso. Abro minha contagem regressiva particular para que, em pouco mais de 24 horas, possa estar compartilhando com amigos e colegas – as duas coisas, em grande parte dos casos – boas e aliviadoras notícias.

Estive ontem com Zoião, no jardim do Hospital Salete. Como sempre foi sua marca registrada, sua tentativa era a de demonstrar descontração e bom humor, apesar de não conseguir esconder quão debilitados estão seu organismo e seus pensamentos com o momento difícil que tem vivido. Reação que ele também demonstrou nos dois pequenos vídeos que gravou no hospital para as inúmeras pessoas que têm se dirigido a nós, cá de Cascavel que estamos mais próximos dele, em busca de informações ou para endereçar-lhe bons votos. Os vídeos estão aqui e aqui, foram feitos nos dias 13 e 21 deste mês.

Por ora, resta a cada um de nós, amigos de Zoião, direcionar-lhe tantas energias positivas quanto possível. E também aos doutores que terão sua vida nas mãos.

Uma perguntinha básica...










Teria, o simpático apicultor de Cascavel, alguma outra variedade para oferecer aos seus clientes?

A eterna isenção aos motoqueiros

Enquanto a Cettrans, autarquia responsável pelo trânsito de Cascavel, mantém sistematicamente a isenção do pagamento da taxa do EstaR para motocicletas, seguimos nos deparando com cenas como essa.

Mesmo com áreas reservadas especificamente para estacionamento gratuito de motos em todas as ruas de todos os quarteirões que compõem o EstaR, os arruaceiros do nosso trânsito ocupam as já escassas vagas existentes no centro da cidade da forma como a da cena acima. Motos, insisto, não são notificadas, embora não haja qualquer menção, na lei que regulamenta o EstaR, sobre tal isenção - exceção feita aos espaços específicos já citados.

Ações de conscientização, cá entre nós, são prosopopeia flácida para acalentar bovinos - texto bonito para indicar uma conversa mole pra boi dormir. Os motoqueiros são indisciplinados não só no tráfego, mas também no estacionamento.

Esses, como costumo dizer, são meros motoqueiros. Os motociclistas representam parcela pequena dos usuários desses práticos veículos de ruas rodas. Pena.

terça-feira, 27 de outubro de 2009

Complicação adia cirurgia de Zoião

É mais sério do que pensávamos o quadro clínico do fotógrafo de automobilismo Vanderley Soares. Do Zoião, para encurtar a conversa. O mal cardíaco que o mantém internado há três semanas é, ao contrário do que se tinha notícia, dos mais complicados e já surte efeitos em outros órgãos.

Zoião tem suportado bem o causticante tratamento médico. Os cardiologistas que o acompanham já descartaram a previsão de submeterem-no na metade da semana que vem à cirurgia para troca da válvula bicúspide. O caso apresentou novas complicações e há necessidade de uma nova avaliação pelos médicos.

Os exames de sangue apontavam, até ontem, a redução dos níveis da infecção cardíaca. O tratamento, contudo, tem efeitos colaterais, e o comprometimento do rim é um deles. Diante das novas constatações, a previsão mais otimista dos médicos é de que a infecção cardíaca possa ser completamente debelada para que aconteça dentro de duas semanas o procedimento cirúrgico para troca da válvula por uma prótese.

A escolha do tipo de prótese a ser utilizada dependerá de quão comprometida estará a estrutura cardíaca por conta da doença de Zoião. Os médicos esperam que seu organismo aceite uma prótese de metal, que tem uma vida útil estimada de 12 a 15 anos, embora outros cardiologistas relatem casos de até 25 anos de uso até que uma nova substituição seja necessária. Se os efeitos danosos da infecção tiverem alcançado níveis elevados, poderá ser adotada uma válvula biológica, constituída de pericárdio de porco. O tempo estimado para uma segunda substituição varia de 8 a 10 anos.

Zoião, ontem, deixou o hospital por alguns poucos instantes. Acompanhado pelo jornalista Clóvis Grelak, foi a uma clínica para um procedimento médico não disponível no hospital onde está internado. Aproveitou a escapadela para uma rápida passada por seu apartamento. “Eu logo volto”, prometeu, ao sair de casa para voltar ao hospital.

Com certeza, Zoião. Com certeza.

Barrados no baile

Como nem tudo que reluz é ouro – quase nada, na verdade –, surgem os primeiros atritos acerca do Campeonato Brasileiro de Marcas & Pilotos.

A bronca vem de pilotos que disputam seus regionais com modelos da Renault e da Ford, visto que o regulamento técnico da competição, esse aqui, especifica apenas normas para modelos das marcas Volkswagen, Peugeot, Chevrolet e Fiat.

Ingmar Biberg pilota um Renault Clio, modelo ignorado pelas regras. Ele narra uma tentativa de negociação com Rubens Gatti, presidente da Federação Paranaense de Automobilismo e porta-voz prático da CBA para os assuntos relacionados ao campeonato que Cascavel vai sediar daqui a duas semanas. A resposta dada por Gatti ao Automóvel Clube cascavelense, segundo relata Biberg, foi a de que o regulamento está feito e cabe aos pilotos enquadrarem-se nele.

Postura estranha, cabe frisar, dado o perfil conciliador que sempre foi marca de Gatti como dirigente.

Os pilotos ainda tentam. Para citar só os casos verificados em Cascavel, o regulamento técnico do Brasileiro, tal como foi apresentado, exclui da festa, além do Clio de Biberg o Ford Ka de Luiz Fernando Pielak (os dois lideram o pelotão da foto acima) e outro Ford Ka, de Diego Barroso (quinto do pelotão). O Ford Fiesta que a equipe de Edson Ferrari prepara para o toledano Lademir Marcante, ex-campeão da categoria, também não tem vez.

O artigo 1 do mesmo regulamento reza que "poderão participar do Campeonato Brasileiro de Marcas, veículos de passeio de 2 ou 4 portas, com capacidade volumetrica do motor de até 1600 cm³, sendo o mesmo instalado na parte dianteira do veiculo, tendo somente duas rodas motrizes, fabricados no Mercosul a partir de 1995, comercializados normalmente, com pelo menos 1000 unidades produzidas em 12 meses consecutivos". Caso do Renault Clio, do Ford Ka e do Ford Fiesta, portanto.

É uma situação que merece olhos especiais por parte do Conselho Técnico Desportivo Nacional da CBA. O CTDN é presidido pelo gaúcho Nestor Valduga, um dos responsáveis pela volta do Brasileiro ao calendário, com quem esses pilotos devem tentar contato ainda hoje.

Embora haja quem aposte em até mais de 40 inscritos, os quatro carros esquecidos pelo regulamento, caso se confirmem as mais pessimistas previsões, podem representar até 20% do grid do Brasileiro.

segunda-feira, 26 de outubro de 2009

O nome dela é Fórmula Sul

A corrida é de pelo menos um mês atrás. Talvez mais. Etapa da Fórmula Sul, na pista de Tarumã. As imagens do acidente, que estão aqui no YouTube, assustam. Júnior Caravaggio, piloto do caminhão que saiu capotando, saiu ileso, segundo me contou um colega cá de Cascavel que trabalha em uma das equipes.

A Fórmula Sul é uma categoria de caminhões que tenta emplacar desde 2008. A primeira corrida aconteceu aqui em Cascavel. Depois, parece-me, correram em Tarumã, Guaporé, Goiânia e, novamente, Tarumã, onde aconteceu o primeiro dos acidentes que aparecem no vídeo.

Quando esteve em Cascavel, a Fórmula Sul tinha uma evento bem tímido. Oito caminhões na pista, todos já descartados pela evolução natural da Fórmula Truck. De lá para cá, parece que o grid aumentou. A categoria não tem chancela oficial, é tratada como "evento-pirata", não busca fazer estardalhaços de mídia. Têm um jeito no mínimo curioso de lidar com a tentativa de crescimento.

O comandante de aviação civil Pedro Rodrigues, que já competiu na Fórmula Truck, é um dos líderes da tentativa de consolidação da Fórmula Sul. Sidnei Alves, Andrey Capanema e Clóvis Navarro, também pilotos que integraram o passado da primeira categoria de caminhões do país, reforçavam o grid no ano passado, imagino que ainda estejam no barco.

Naquela época, uma das atitudes recorrentes por parte dos participantes era frisar que não havia, por parte da F-Sul, qualquer intenção de concorrer ou fazer frente à já consagrada F-Truck. Algo de que houve quem duvidasse, visto que a F-Sul tinha apoio da Petrobras e da Vipal, empresas que também são parceiras da F-Truck desde 1996.

O mesmo colega meu que contou detalhes do acidente com Caravaggio e Clóvis Navarro - me mostrou fotos do caminhão destruído tiradas em seu aparelho celular - relatou que, mesmo sem aparecer muito, a Fórmula Sul está crescendo bastante. Que está levando pilotos e equipes a investirem em tecnologia para desenvolvimento dos caminhões e atraindo cada vez mais adeptos.

Como só acompanhei de perto aquela primeira experiência, mais de um ano atrás, não posso concordar ou contestar. Atenho-me a ouvir e ler o que me dizem e escrevem a respeito. Não há uma página na internet, nem qualquer tipo de comunicação oficial. Apenas corridas, algumas com bom público, outras aos olhares de poucas testemunhas. Mas não dá para negar que fico no mínimo curioso quanto aos rumos da Fórmula Sul.

O Rio não merece um novo autódromo

A campanha está lançada desde que o autódromo de Jacarepaguá perdeu metade de seu traçado para o elefante branco dos Jogos Pan-Americanos. Ganhou força agora, com a infeliz escolha do Rio de Janeiro para receber a Olimpíada de 2016 - infeliz por vários infortúnios típicos do Brasil, e não só porque vai significar o fim definitivo do autódromo carioca.

Agora, o que se pede é a construção de um autódromo novo no Rio. Que alguém ventilou, que outro prometeu, e outro lembrou, e que não vai acontecer nunca. E nem deve acontecer, porque o povo não é palhaço. Já bancou as obras dispendiosas para adequação da pista aos padrões exigidos para receber a F-1, três décadas atrás.

Ano que vem, o Rio recebe a Indy em pista de rua, pelo que me consta vai ser na praia de Botafogo os homens da categoria devem oficializar o anúncio no fim desta semana - a coisa já vazou semana passada, quando algum estagiário que cuida do site da categoria postou, com data de 31/10, a notícia anunciando a confirmação da corrida. Mas ninguém viu, e oficialmente é segredo de estado.

Fato é que o Rio de Janeiro jamais vai ter outro autódromo. E nem merece ter. Primeiro, por eleger governantes que estão #@&@%$¬* e andando para a existência ou não de um autódromo na cidade. Segundo, porque no que resta do autódromo antigo, permitem-se desmandos e atos irresponsáveis como este aqui, narrado pelo Flavio Gomes.

Que tipo de evento é esse? A CBA sabe? Se sabe, aprova? Vai deixar por isso mesmo?

Péssimo, o exemplo do Rio de Janeiro. Enquanto as cabeças pensantes e mandantes de lá forem coniventes com esse tipo de coisa, o Rio deve mesmo ficar sem autódromo. De castigo.

domingo, 25 de outubro de 2009

Brasil não é EUA e nem Argentina

A Rede Globo não está errada quando tenta forjar ídolos nos eventos que promove. Uma tentativa, talvez involuntária, de resgatar uma marca da era romântica do automobilismo brasileiro, a dos anos 60, 70, até 80. Plenamente compreensível que empreenda ações nesse sentido na Stock Car, uma categoria que ajudou a tirar do fundo poço.

Mas o automobilismo brasileiro não comporta, nos dias de hoje, coisas do gênero. Não temos um culto aos pilotos das nossas categorias, como têm os estadunidenses com relação aos destaques da Nascar, ou como têm os argentinos perante os principais nomes da Top Race V6 ou da TC2000.

Saia do nosso mundo e pergunte a uma pessoa normal, que não respira automobilismo, se sabe quem é Ricardo Maurício, Felipe Maluhy ou Valdeno Brito. Fatalmente, seu interlocutor fará de quem diz “esse cara deve ser maluco”. E não deverá ser condenado por isso. Pilotos de Stock Car ou de qualquer outra categoria do automobilismo são isso mesmo, pilotos de uma competição, e uma parte considerável deles encara trabalho de gente normal na segunda-feira depois da corrida.

As tentativas da Globo esbarram no fato, por muitos atribuídos a uma coincidência, de maioria das ações de promoção serem direcionadas a Cacá Bueno. Que, no ambiente da Stock Car, é um dos melhores pilotos em atividade, condição que concilia com a e de filho do principal narrador da emissora.

O próprio Cacá já manifestou, em algumas ocasiões, que sente-se incomodado por ser visto como o filho do Galvão. “Sou Bueno, sim, mas sou o Cacá”, incluiu no texto de um comercial que estrelou para a patrocinadora principal da categoria. Cacá acaba absorvendo parte da antipatia que parte do público brasileiro nutre pelo pai narrador, que, como se diz no jornalismo, “carrega nas tintas” em todos os sentidos. É possível que Galvão, por mais autonomia que tenha, também sinta-se incomodado com os padrões da Globo, que privilegia a torcida e o ufanismo em detrimento da informação. Imparcialidade não dá ibope, devem imaginar os globais.

Cabe nota que eu, mesmo, fui vítima de uma pontual ineficácia da posição que defendo. Domingo passado, em São Paulo, depois do GP do Brasil, acompanhei os amigos Pedro Rodrigo e Natália a uma rodada de bom rango no Burdog. O assunto à mesa era justamente esse, o fomento de ídolos no automobilismo. Disse ao Pedro que isso era uma furada e tentei provar: chamei o garçom e perguntei-lhe se sabia quem é Cacá Bueno. “Não é o filho do narrador da televisão?”, respondeu. Sim, o próprio, mas o senhor sabe o que ele, Cacá, faz da vida? “Hmmm... Ele é corredor, não é?”.

Ok, o garçom sabia quem era Cacá Bueno. Mas asseguro que não o teria reconhecido se lhe tivesse servido um daqueles cachorros-quentes de meio metro. Talvez seja esse o objetivo da Globo. Fazer com que Cacá – e alguns outros, se houver espaço para mais – seja reconhecido pelo garçom quando não estiver de macacão.

Vejo como saudável aos planos globais uma pesquisa sobre a cultura de ídolos em países como os EUA e a Argentina. Ianques e hermanos são como são, como nós brasileiros somos o que e como somos. A Globo não muda essa regra, mas pode aprender coisas boas com elas.

sexta-feira, 23 de outubro de 2009

Os santos de casa vão à pista


Nem só os dirigentes automobilístico de Cascavel estavam ávidos pela confirmação de que o Autódromo Internacional Zilmar Beux como sede do Campeonato Brasileiro de Marcas & Pilotos.

Foi só a CBA confirmar que o evento de 14 e 15 de novembro vai acontecer na pista cascavelense - que não recebe uma competição nacional há quase três anos, desde a abertura da temporada 2007 da Fórmula Truck - e uma legião de pilotos locais já confirmou participação na disputa.

Para seguir uma ordem meramente alfabética, Adriano Reisdorfer e seu irmão Daniel, Cleves Formentão, Edoli Caús Júnior, Gelson Veronese, Ingmar “Guinho” Biberg, Luiz Fernando “Xuxo” Pielak, Marco Romanini e Marlon Bastos, todos de Cascavel, são nomes tidos como certos no grid da competição, bem como Lademir Marcante, de Toledo, Ruy Chemin, de Foz do Iguaçu, e Wanderley Faust, de Nova Prata do Iguaçu.

A promessa de representatividade local é grante. Só resta ver se ninguém vai amarelar. Alegar que santo de casa não faz milagre é uma desculpa já prevista para alguns casos.

O campeonato, lembro novamente, será todo desenvolvido num único fim de semana. Serão quatro corridas, duas no sábado, duas no domingo. A disputa deverá atrair, ainda, alguns competidores dos campeonatos Gaúcho, Paulista e Carioca, além de nomes dos torneios metropolitanos de Londrina e de Curitiba.

(Atualizando em 23 de outubro, às 16h28)
Heverson Bastos alerta que o último evento de estampa nacional no autódromo de Cascavel aconteceu em maio de 2007, quando a Interlagos Eventos Esportivos promoveu aqui etapas dos campeonatos brasileiros de Marcas & Pilotos e de Endurance. Sempre antenados, os irmãos Bastos. Que estarão representados no novo Brasileiro por Marlon e, talvez, por Juliano.

quinta-feira, 22 de outubro de 2009

Confirmação está no site da CBA

Timidamente, pinga no site oficial da Confederação Brasileira de Automobilismo a confirmação de que o Campeonato Brasileiro de Marcas & Pilotos será disputado nos dias 14 e 15 de novembro no Autódromo Internacional de Cascavel.

Está aqui, acompanhado por asterisco com o lembrete de praxe "Calendário sujeito a alterações". É necessário selecionar "Brasileiro", única opção disponível na lista, e clicar em "Avançar" para chegar à mensagem.

Em princípio, a negociação passava pela garantia, dada pelos dirigentes de Cascavel há várias semanas, de geração de imagens e transmissão das provas em canal aberto de televisão. Depois de alguns beliscões nos egos, já manifestados aqui, resta saber se haverá toda aquela disposição para que a coisa saia do papel.

E, principalmente, se as equipes de outros cantos do Atlas terão pique para, em três semanas, estarem plenamente a postos por aqui para os primeiros treinos. Tomara que sim.

Brasileiro confirmado. Será mesmo?

Via Twitter, o piloto e sapo de plantão Ingmar Biberg, que por lá despacha como @biberg, informa que o Campeonato Brasileiro de Marcas & Pilotos está confirmado para dias 14 e 15 de novembro no Autódromo Internacional de Cascavel. Atribui a confirmação da sede ao que lhe foi reportado por Cláudio Deitos, que é chefe de equipe no Campeonato Metropolitano e tão rato de autódromo quanto o próprio Biberg.

Não que eu não deva dar crédito a Biberg ou a Deitos, que são parceiros meus e mais ainda do automobilismo cascavelense. Pelo sim, pelo não, prefiro esperar a confirmação da Confederação Brasileira de Automobilismo.

Amanhã, Todt x Vatanen. Pinteiro na parada

Amanhã é dia da FIA definir, em Paris, quem será seu novo presidente. O francês Jean Todt, 63 anos, ex-diretor da Ferrari, e o finlandês Ari Vatanen, 57, ex-campeão mundial de rali e atualmente atuando como político na Europa, são os candidatos ao cargo que há 16 anos é ocupado pelo inglês Max Mosley.

A eleição de amanhã em Paris também vai definir o Conselho Mundial. Cleyton Pinteiro, presidente da Confederação Brasileira, concorre a uma vaga - a história, que pincei no BLuc na semana passada, está aqui.

Para quem tem interesse no assunto, recomendo uma visita ao Diário Motorsport, do amigo Américo Teixeira Júnior, que mantém uma seção especialmente dedicada à eleição na FIA.

quarta-feira, 21 de outubro de 2009

A recuperação do Zoião


Internado há quase duas semanas no Hospital Nossa Senhora Salete, Zoião será submetido amanhã ou na sexta-feira a uma avaliação por parte da equipe médica, para que se agende o procedimento cirúrgico.

Conforme manifesta Clóvis Grelak, que esteve com Zoião há pouco, a recuperação de Zoião é razoável. Os pulmões, debilitados pela deficiência cardíaca, estão fortes. Ele recuperou 1,5 dos 12 quilos perdidos por conta da doença.

A dosagem da medicação foi readequada à capacidade renal, já que Zoião, nos últimos dias, vinha se queixando de dores nos rins. Sua maior queixa, no entanto, é a ausência no evento da Stock Car, neste fim de semana em Curitiba. Será a primeira vez em muito tempo que Zoião não estará à beira da pista fotografando as corridas do evento.

Depois de vários dias ausente daqui, foi bom ter notícias do Zoião. Vê-lo, inclusive. O vídeo acima feito por Rennan Grelak, há pouco.

A paixão é cega

Há pouco, Rubens Gatti falou por telefone com Ingmar Biberg, um dos competidores de Cascavel que ainda mantêm interesse em disputar o anunciado Brasileiro de Marcas & Pilotos.

Sem maiores rodeios, Gatti, que é presidente da Federação Paranaense de Automobilismo e membro do primeiro escalão da Confederação Brasileira, afirmou que Cascavel terá o campeonato, marcado para 14 e 15 de novembro, se tiver de fato viabilizado o televisionamento das quatro corridas - o que, é fato, já viabilizou. Em caso contrário, a competição vai para Londrina.

Por todos os motivos já explanados por aqui, a CBA não tem outras opções de praça para fazer o campeonato que prometeu. Quando Cascavel anunciou ter cumprido todos os quesitos exigidos - alguns que nem haviam sido exigidos, inclusive -, a CBA alegou que só acreditava vendo. Exigiu em papel. Como houve tratados não cumpridos em outras praças e em outras épocas, fez as vezes de gato escaldado, a entidade. Nisso, tem lá sua razão.

Cascavel só serve se der a transmissão pela TV. Que, embora não haja declaração ou anúncio, pode ter sido prometida pelos dirigentes a alguém. Pode, é suposição, não afirmação. Mas viabilizar um evento esportivo na televisão é um abacaxi amargo, cuja acidez talvez não fosse imaginada pelos dirigentes que assumiram o barco neste ano.

Londrina não prometeu TV a ninguém. Tem um autódromo menos ruim do que Cascavel. Sem TV, que em princípio era o critério da CBA, é para lá que devem levar o Brasileiro. Não sei, a bem da verdade, se alguém por lá quer o Brasileiro.

Faltando três semanas para o campeonato, o tempo para os ajustes dos carros - embora a necessidade seja mínima -, a caça aos patrocínios e toda a logística a que pilotos e equipes têm de se lançar é curto. Se o campeonato sair, cá ou lá, o grid vai ser mínimo, o que significa óbvio prejuízo financeiro.

Miguel Beux, capitão do barco cascavelense, ainda tenta. Quer mostrar ao mundo que Cascavel respíra no cenário automobilístico e que pode, sim, ter categorias nacionais. Já disse e repito, no lugar dele eu já teria deixado minhas saudações à CBA e sugerido que resolvesse o problema em seu quintal. Mas Beux é um apaixonado pelo automobilismo, e a paixão às vezes é cega.

terça-feira, 20 de outubro de 2009

Brasileiro de Marcas: é hora de tirar o time

Ontem à noite, assistindo ao “Bate-papo de Esportes” do Jorge Guirado, na CATVE, fiquei sabendo que a CBA exigiu documento garantindo por escrito que Cascavel teria viabilizado transmissão das provas pela televisão para ter a sede do Brasileiro de Marcas & Pilotos, que vai – ou nem vai mais – acontecer nos dias 14 e 15 de novembro.

Campeonato em um único fim de semana, com duas corridas no sábado e duas no domingo. Não é o formato ideal, mas diante das circunstâncias seria uma alternativa bastante conveniente.

Esse campeonato aconteceria em Curitiba, mas pelas bandas da capital nenhum promotor quis embarcar no que se viu como uma barca furada. Rubens Gatti, presidente da Federação Paranaense e homem da linha de frente de Cleyton Pinteiro na CBA, havia garantido a sede para o Paraná, por isso restaram Londrina e Cascavel como opções.

Além de toda a negociação inerente, a CBA definiu como quesito para escolha da cidade-sede a oferta do melhor pacote de transmissão das provas pela televisão. A alegação oficial, manifestada a mim pela assessoria de imprensa da entidade, é de que não há um compromisso da CBA nesse sentido, mas a meta de viabilizar aos pilotos as melhores condições possíveis de oferecerem bom retorno a seus patrocinadores, aquele papo de sempre.

Em Londrina, quem mexe com automobilismo trabalha para mais uma edição das 500 Milhas, que vai acontecer em dezembro, no dia 12. Ninguém quer arriscar alguns cobres no campeonato. Em Cascavel, fora há longo tempo do calendário nacional, o empenho para que o Brasileiro venha foi total. Principalmente por parte de Miguel Beux, ex-piloto, pessoa íntegra, atual presidente do Automóvel Clube.

Voltamos a Jorge Guirado, que é apresentador de TV quase por diversão. Para quem não sabe, Jorjão coordena também a Master TV, cá de Cascavel, que vem a ser a empresa que assina a geração de imagens na transmissão todas as categorias do automobilismo nacional, com exceção discutível do Porsche GT3 Cup, que não vem a ser propriamente um campeonato brasileiro.

Beux e Guirado acertaram um pacote de geração de imagens, sobre bases que só interessam a eles dois. Beux, orientado por Guirado, que sempre foi prestativo e bem disposto com as causas do automobilismo, conseguiu o espaço que precisava em grandes emissoras esportivas do Brasil para mostrar as corridas do Brasileiro. É correto dizer que os dois fizeram todo o trabalho exigido por Pinteiro através de Gatti.

Mas falta menos de um mês para as corridas acontecerem na data que a CBA quer. E nada ainda está definido. Sem a definição, ninguém pode convidar pilotos, negociar patrocínios, ajeitar a sala da casa para a competição. E, em cima da hora, como já está, boa parte das equipes que tinham pretensões de participar do Brasileiro-relâmpago já não está nem aí para o assunto.

Cascavel fez tudo que a CBA pediu. Pelo que me relatou Beux há umas duas semanas, até mais. Mas a constatação é de que Beux, até pela inexistência de um amplo currículo como dirigente de automobilismo, não tem crédito junto à CBA. A garantia verbal que deu de que o televisionamento já estava acertado não serviu. Querem por escrito.

Mais estranho, a CBA também parece não dar crédito ao que avaliza a Master TV, que desde sempre, desde os tempos em que se chamava Tarobá Vídeo Produções, viabilizou para todas as séries a técnica de mostrar corridas de carros pela televisão. Fica a impressão de que Guirado e seus colegas de empresa não têm bom trânsito no meio, que são pessoas afeitas a descumprir acordos.

Eu daria a sugestão primeiro, mas Guirado deu-a no ar, e ao vivo, ontem. Ainda assim, se o que Cascavel viabilizou e ofereceu não está de bom tamanho, se é de um papel que precisam, que Beux e sua trupe retirem o time de campo e deixem toda a tarefa a cargo de Gatti, Pinteiro e os demais integrantes da CBA.

Guirado e Beux são pessoas sérias. Por serem sérios, imagino vão fazer justamente isso, tratar de suas vidas e de seus negócios e deixar os caprichos da CBA para que ela própria administre. Ambos têm nomes e trabalhos a zelar, para mim será surpresa se qualquer dos dois seguir dançando no ritmo descompassado que a entidade impõe para tentar tirar seu campeonato do papel.

É necessário admitir, apesar do contexto que não avalizo, que num ponto tem razão, a CBA: tudo que for prometido, em se tratando de automobilismo brasileiro, tem mesmo de ser manifestado por escrito. Amigos, amigos, negócios à parte. Não é isso que se diz por aí?

(Atualizando, 21 de outubro, às 17h18)
Devidamente alertado pelo colega Daniel Procópio, afirmo que as 500 Milhas de Londrina vão acontecer no dia 12 de dezembro, um sábado, e não no dia 13, como havia afirmado. A informação foi corrigida no texto do post, também.
Grato, Daniel.

domingo, 18 de outubro de 2009

Scotton e Lemes levam os brindes

Na minipromoção que fiz aqui no blog, com torneio de palpites sobre a colocação dos seis primeiros na 14ª etapa do Porsche GT3 Cup, que terminou agora há pouco aqui em Interlagos, Tarso Marques Lima, do site Greenflag.esp.br, foi o único que acertou a vitória de Leonardo Burti. Marcou um ponto, pois.

Mas André Lemes e Henrique Scotton acertaram o quinto lugar de Marcel Visconde, marcando cinco pontos, cada. Com isso, empatam como primeiros colocados. Um vai levar um boné do Porsche GT3 Cup da série especial produzida para a prova preliminar do GP do Brasil de F-1; outro, uma camiseta do evento. O primeiro dos dois que se pronunciar a respeito escolhe.

Os seis primeiros na corrida foram, pela ordem, Burti, Tom Valle, Marcelo Ometto, Otávio Mesquita, Visconde e Clemente Lunardi. Os palpites dos apostadores estão aqui, nos comentários do post de sexta-feira que disponibilizou a promoção. Miguel Paludo, líder e campeão antecipado, abandonou.

Na próxima etapa, rola mais uma promoçãozinha.

A visão deles, os caras

Ontem aqui em Interlagos, durante a interminável interrupção do Q2 da Fórmula 1, acabei tendo um longo, agradável e raro bate-papo com um piloto da Stock Car V8.

Falamos muito, sobre muito. Autódromos e pistas de rua, CBA, transmissão pela TV, a importância da Globo para a Stock, os atos irresponsáveis cometidos pelos pilotos e a inexistência de punições adequadas para algumas barbáries, cotas de patrocínio, parte técnica, reações dos carros, segredos dessa ou daquela pista.

Nada de muito relevante, apenas exposição de opiniões, talvez algumas conclusões que eu resolva florear por aqui a qualquer dia. Mas é sempre bom, muito bom, ter em mente o que esses caras pensam e como eles veem o momento da categoria.

sábado, 17 de outubro de 2009

O mirto e a tal profecia

Lembrei agora há pouco, enquanto devorava um cachorro-quente de quase meio metro.

Não lembro exatamente o ano, foi 1997 ou 1998. Estava assistindo ao GP do Brasil na casa de um amigo, o mirto-assim-mesmo-com-minúscula. O mirto nunca gostou do Barrichello, que à época ainda era Rubinho. E o próprio mirto, então piloto de categorias regionais, ia ao delírio vendo Rubens, então Rubinho, liderando em Interlagos com a Stewart.

Era uma liderança casual, fruto de uma estratégia diferenciada de pit stops. Quando Barrichello entrou para trocar pneus, ou abandonou - a memória não é mais aquela... -, mirto fez cara de tacho, jogou uma almofada longe e, como se Rubens pudesse escutá-lo, mandou-o para um lugar pouco recomendável. Dei risada da cena que presenciei e, como nunca fui de torcer tanto por Rubens, soltei a esmo algo como "ele só vai ganhar no Brasil no dia em que a gente estiver lá".

O mirto não veio para Interlagos. Mas vai assistir à corrida, tenho certeza. Do jeito que é folgado, é capaz de ir assistir lá em casa para aproveitar e filar uma boia.

Pelo que vivi hoje em Interlagos, acho que aquele comentário despropositado foi uma profecia. Nem vou ligar pro mirto. Acho que ele vai lembrar daquela história por conta.

Otávio e as luvas


Ontem, o piloto-apresentador Otávio Mesquita treinou com as luvas que Tony Kanaan usou nas 500 Milhas de Indianápolis. Foi quarto, bom desempenho, ficou bastante satisfeito.

Hoje, vai para o treino classificatório da 13ª etapa do Porsche GT3 Cup - que vai valer pontos como uma etapa normal - com as luvas da Puma que Felipe Massa utilizaria no fim de semana em Interlagos se fosse disputar o GP do Brasil.

A Puma, segundo lembrou o próprio Otávio, reserva um par para cada etapa. Presentaço do Felipe a ele.

Sim, a chuva!







Este é, afinal, o GP do Brasil de F-1. Do lounge do Porsche Cup, é isso o que se vê. Alguém podia ter montado um parque aquático por aqui. Noé seria bem-vindo, também. Ficam as ideias para 2010.

Luvas bem treinadas

Otávio Mesquita foi o quarto mais rápido no treino de ontem do Porsche GT3 Cup, aqui em Interlagos. Um desempenho bom e, para alguns, surpreendente para o piloto-apresentador. Mas que teve seu motivo revelado pelo próprio Otávio, agora há pouco: as luvas. Ele foi para a pista com as luvas com que Tony Kanaan disputou as 500 Milhas de Indianápolis numa edição qualquer. "As luvas são bem treinadas", justificou.

Tenho um macacão que me foi dado pelo Tony, que ele usou na temporada de 2003, se não me engano. Acho até que vou propor uma apostinha com o Otávio.

O caminho para cá

Minha esposa recomendou que eu começasse a fazer exercícios. Em pura atenção ao pedido dela, comecei hoje. Foram 58 minutos de "pernada" do lugar onde estou, que fica aqui mesmo em Interlagos, até o portão Z do autódromo, que me dá acesso ao QG do Porsche GT3 Cup. Ontem vim de táxi. Hoje, não consegui nenhum disponível, o único taxista que parou sem passageiro alegou "eu tô indo pro outro lado". Bem, decidi que seria uma manhã para castigar a sola.

Apesar do movimento fraco nos arredores do autódromo - fraco, mesmo, conforme atestado por todo mundo que acompanha o GP de F-1 todos os anos -, algumas passagens inusitadas. Mesmo com o tempo pouco convidativo, testemunhei duas barracas de acampamento montadas na calçada. Segundo o moreninho que ganhou uns cobres pra tomar conta das duas, foram montadas ontem à noite e serão suíte para alguns rapazes que só vão entrar no autódromo amanhã. Daqui a pouquinho eles já chegam, disse o menino, até me pagaram adiantado.

Nunca espinafro ninguém antes das nove da manhã, até porque nunca estou acordado a esta hora. A paciência de Jó do horário atípico me permitiu até responder uma pesquisa da SP Turismo. Numa escala de 1 a 7, atribuí 1 a 2 para vários quesitos. Elegi o autódromo como símbolo maior de São Paulo, o menino do formulário achou que eu estava tirando sarro dele. Acho que estava, mesmo.


Mas a grande conquista da manhã foi solucionar um dos mistérios que me atormentavam a vida: o camelo do Mister Sheik. A cada vez que venho a São Paulo, fico encafifado com o tanto que passeia o tal camelo. Hoje, o bichinho estava devidamente posicionado na garagem em frente ao boteco árabe, auxiliando no gerenciamento do tráfego e de olho na porta do boteco, atento a um eventual chamado do patrão. É ali que se esconde o meu amigo camelo quando não está a postos em frente ao boteco.

Bem, vamos ao trabalho. Antes, um pouquinho de descanso. Uma hora de caminhada, para um vagabundo sedentário, é quase fatal.

E o sol?

E assim amanheceu o autódromo de Interlagos hoje. Nada de chuva por enquanto, mas céu bastante amarrado. A todos, um bom dia.

sexta-feira, 16 de outubro de 2009

Voltas em Interlagos e carteira de piloto. Tudo grátis!

Pintou boa promoção na área. Ótima, eu diria.

Parceria da Escola de Pilotagem Interlagos e da Cervejaria Petrópolis, fabricante da Itaipava, vai sortear cinco cursos básicos de pilotagem de competição.

Cada contemplado terminará sua participação no curso pilotando um Palio 1.6 da categoria Marcas & Pilotos por 10 voltas no autódromo de Interlagos e, de quebra, receberá a carteira de piloto da CBA para a categoria Graduados B - que permite, por exemplo, participação na Copa Vicar Stock Car ou na GT3 Brasil.

A tal carteira, a título de informação, custa R$ 1.000. Para os cinco contemplados, vai sair completamente de graça.

A escolha dos vencedores se dará por sorteio no dia 27 de novembro, dia dos primeiros treinos para a etapa final da GT3 Brasil em Interlagos. Na sala de imprensa do autódromo.

Além do curso para os cinco felizardos que vão pilotar o Palio da Escola Interlagos e receber suas carteiras, haverá outros prêmios. Num primeiro momento, 20 participantes serão sorteados para voltas rápidas pela pista, de carona com pilotos profissionais. Outros 10 serão contemplados para o "Piloto por um dia", também pilotando o Palio em Interlagos depois de receberem as devidas instruções. Por fim, serão sorteados os cinco ganhadores do curso de pilotagem.

Para participar, não é necessário cumprir nenhuma façanha. Basta preencher a ficha de inscrição, essa aqui, e enviar para o e-mail indicado no regulamento.

Como ilustraria Sílvio Santos, é bom ou não é?

Palpite vale brindes do Porsche GT3 Cup

Vamos na onda, então. Está valendo o torneio de palpites que vai presentear duas pessoas com brindes do Porsche GT3 Cup Challenge. A categoria tem sua sétima rodada dupla neste fim de semana em Interlagos, na programação de suporte do GP do Brasil de Fórmula 1. Os brindes serão um boné da série especial encomendada pela categoria para o evento, esse da foto, e uma camiseta do Porsche Cup.

Para concorrer, basta indicar, em ordem, seu palpite com os seis primeiros colocados na 14ª etapa, que será disputada no domingo, momentos antes da prova da F-1. A pontuação será atribuída por acertos. Quem acertar o vencedor ganha um ponto. A indicação correta do segundo colocado valerá dois pontos. Terceiro lugar vale três pontos, o quarto vale quatro, o quinto vale cinco e o sexto, seis.

Os palpites devem ser postados na área de comentário para esta nota. Quem somar mais pontos vence a brincadeira (essa é a dedução mais brilhante que já tive) e escolhe um dos dois brindes. O brinde preterido será enviado ao segundo colocado. Em caso de empate... Bem, em caso de empate, a gente vê o que faz.

Uma boa inspiração para os palpites pode estar aqui, onde estão todos os resultados da temporada, ou aqui, onde você confere a classificação completa do campeonato.

Só serão válidos os palpites postados até as 19h deste sábado, horário de Brasília, que identifiquem os participantes por nome - contatos de e-mail e/ou Twitter são bem-vindos, também. Boa sorte a todos.

Um videozinho, só pra registro


A pedidos, um videozinho mequetrefe que fiz agora, da arquibancada do Porsche GT3 Cup, durante o segundo treino livre do GP do Brasil de Fórmula 1. As imagens dos LCDs instalados aqui são um pouquinho melhores. De qualquer modo, preciso encontrar o tiozinho que vende protetores de ouvido. O barulho é ensurdecedor.

Apetrechos eletrônicos de bolso, aliás, fazem sucesso em Interlagos. Olhando a arquibancada da reta Oposta, por exemplo, apesar do público pouco numeroso, só o que dá para ver são os incessantes flashes das câmeras dos torcedores.

Aqui, uma foto do lounge do Porsche GT3 Cup. Na parte de cima, dá para ver detalhe da arquibancada que vai acolher os convidados da categoria durante o fim de semana - que vai ter, além da F-1, provas da própria categoria da Porsche e também da Fórmula 3 sul-americana.

Por falar em Porsche Cup, vou trabalhar um pouco. Terminando o treino da F-1, começa o nosso.

De cabeça feita

Para a prova que acompanha o GP do Brasil, o Porsche GT3 Cup preparou bonés especiais, alusivos à prova. É o da esquerda, claro. O preto da direita é o que compõe o uniforme habitual do pessoal da categoria. Vou pedir à Silvana Pires alguns mais da edição especial. Se conseguir, serão para fazer a cabeça dos seguidores no Twitter e dos visitantes do BLuc.

Interlagos, a pista antiga

Uma das coisas que acho mais legais quando venho a Interlagos é curtir o traçado antigo, aquele de quase 8 km, que não conheci em sua vida.

Via de regra, levo meus cigarros e latinhas de refrigerante para a antiga curva Um, aquela que teria sido feita de pé cravado ou por Jacky Ickx, ou por Jean-Pierre Jarier, ou por Ronnie Peterson, ou por François Cevert, depende muito de qual versão da lenda você toma como referência. Puta trecho inclinado, fico imaginando o que os loucos dos anos 70 faziam ali.

Hoje, por conta da distribuição de espaços em Interlagos, habito a antiga subida dos boxes, onde estão montados os boxes do Porsche GT3. A sala de imprensa da categoria, que invadi para montar meu modesto QG, ocupa exatamente o trecho entre as curvas Quatro e Junção do traçado antigo - ou, para simplificar, a pequena reta que formava o anel externo da pista que sobreviveu até 20 anos atrás.

Agora há pouco, fui envenenar os pulmões lá na antiga curva Três, ao final do antigo Retão - a que aparece no canto superior direito da foto acima, ou esta da disputa na foto ao lado, que tem Ronnie Peterson puxando a fila com a Lotus. Também tem uma inclinação medonha.

Tomo licença para carregar no uso de "antigo" e "antiga", sem medo. Afinal, a pista que me encanta, aqui, é a antiga. Foi pena terem demolido o Sargento.

(Atualizado às 14h27)
Eis aqui, sob indicação de Du Cardim, um blog acerca de um movimento liderado pelos ex-pilotos Bob Sharp e Chiquinho Lameirão pela restauração de algo próximo do traçado antigo de Interlagos.

A F-1 aqui da Junção


Primeiro carro a contornar a Junção aqui em Interlagos, hoje, foi a Ferrari de Kimi Raikkonen. Está aí o momento, que fotografei às 10h01.

Venho, enfim, acompanhar um GP do Brasil em Interlagos, a serviço do Porsche GT3 Cup, que pelo quinto ano consecutivo integra a programação preliminar da F-1. Como vocês sabem, sou locutor da categoria e narrador das provas para a televisão - sim, são dois trabalhos diferentes.

O Porsche GT3 Cup, que nesta etapa terá as logomarcas da Itaipava e da bebida energética TNT em todos os seus carros, montou um belo lounge aqui na Junção, com estrutura de trabalho e espaço para acomodar seus cerca de 400 convidados. Acima das instalações para refeições, repouso e algumas outras regalias, uma arquibancada de onde se vai acompanhar todas as corridas do fim de semana, como mostra a foto abaixo, feita pelo boa-praça português Jorge Sá.

Para a maioria, não é novidade alguma. Mas é pura verdade: o ronco dos F-1 é incomparável. Fim de semana vai ser repleto. De tudo.

quinta-feira, 15 de outubro de 2009

A primeira impressão

Na chegada a São Paulo, agora há pouco, tive até a impressão de que a cidade estaria respirando o GP do Brasil.

A primeira coisa que vi foi, nas esteiras de bagagem do aeroporto, uma propaganda, digamos, pitoresca da Shell: em cada esteira, um pneu usado com uma calota plástica simulando a roda de um F-1 e um capacete, daqueles bem chulés, com menções à corrida de domingo em Interlagos.

No mais, minha boa e velha São Paulo continua a mesma. E meus conterrâneos paulistanos, sem me surpreenderem, não estão nem aí com as corridas em Interlagos.

Rastro de destruição em Cascavel

A caminho de São Paulo, amanheço em Curitiba. Para trás, deixei a cidade de Cascavel de modo como nunca a havia visto - parcialmente devastada por um temporal. De lá, saí às 2h. A cidade estava completamente às escuras e os sinais de destruição afloravam de toda parte.

Cá em Curitiba, acesso a edição on-line do jornal O Paraná - de onde inclusive reproduzo a sequência de fotos da destruição em Cascavel e região. O diário traz cobertura completa.

Autoridades trabalham por medidas de socorro e amparo aos atingidos. No meu círculo de convívio, vários companheiros agem por conta própria para reparar os danos materiais. Minha própria casa também foi atingida, nada que algumas telhas novas não resolvam.

Esse tipo de coisa assusta. Vendo pela televisão quando acontece com os outros, não parece tão dramático.

quarta-feira, 14 de outubro de 2009

Festa à parte para competições nacionais

Dividir um fim de semana de autódromo com a Fórmula 1 é privilégio para poucas séries do mundo. No GP do Brasil, serão duas as categorias de suporte da programação do fim de semana em Interlagos.

A Fórmula 3 sul-americana terá aos olhos da F-1 as provas de sua sétima rodada dupla. A 13ª etapa, no sábado, tem largada prevista para as 16h05. A 14ª, domingo, terá o apagar das luzes vermelhas às 9h05. A 63 MKT, empresa promotora da categoria, anuncia orgulhosa seu maior grid do ano, formado por 18 carros.

Não é a primeira vez que a F-3 sul-americana abre um GP do Brasil. Isso já aconteceu em 2001. A corrida aconteceu na manhã de 1º de abril, com vitória de Thiago Medeiros, então defendendo a Amir Nasr Racing. O paulista terminou aquele campeonato em terceiro lugar.

Quem for a Interlagos acompanhar a prova que poderá incluir Jenson Button na lista de campeões mundiais de F-1 também terá contato com o Porsche GT3 Cup Challenge. A classe principal terá, igualmente, as 13ª e 14ª etapas. Serão 24 carros no grid, todos do modelo 997. A classe Light (foto), novidade desta temporada, também integrará o programa, apresentando 14 carros em sua terceira etapa - para alguns dos participantes, será a oportunidade de disputar uma preliminar de F-1 em plena terceira participação no automobilismo.

Desde sua criação, em 2005, o Porsche Cup integrou a programação preliminar de todas as edições do GP do Brasil. É a quinta apresentação consecutiva aos olhos da F-1. O automobilismo brasileiro tem muito a mostrar ao público do mundo inteiro que vai se apinhar nas dependências de Interlagos.

terça-feira, 13 de outubro de 2009

Brasil pode voltar ao Conselho Mundial

A eleição do novo comando da FIA, no próximo dia 23 em Paris, poderá devolver o Brasil ao Conselho Mundial de Esporte Motor. Cleyton Tadeu Pinteiro (foto), presidente da Confederação Brasileira de Automobilismo, integra a lista de 40 nomes que pleiteiam uma vaga no Conselho. A lista completa, disponível no site da FIA, está aqui.

São 26 vagas no Conselho, no total. Cinco são reservadas aos membros eleitos da FIA – presidente, vice de Esportes, presidente da Comissão de Kart e membros dos promotores dos GPs de Fórmula 1 e das equipes. Restam, portanto, 21 vagas.

Jean Todt e Ari Vatanen, os dois candidatos ao comando da entidade máxima do automobilismo mundial (essa expressão, cá entre nós, já venceu...), já têm suas listas particulares de nomes para parte das demais 21 cadeiras do Conselho. As vagas que restarem serão disputadas pelos 40 representantes das entidades nacionais espalhadas pelo mundo que compõem a lista de candidatos.

É nessa condição que Pinteiro, eleitor declarado de Todt, figura como postulante a integrante do Conselho. Sua eleição, se confirmada, será no mínimo conveniente para o automobilismo brasileiro. O país ficou fora do Conselho por 25 anos, desde a saída de Charles Naccache, e voltou a compô-lo de 2005 a 2009 com Paulo Scaglione, antecessor do dirigente pernambucano na presidência da CBA.

Uma mensagem de Zoião aos amigos

Volto agora do hospital, onde mais uma vez fui fazer uma visita ao nosso amigo Zoião. Que está melhor, mais animado, brincando bastante. Perguntou algumas coisas sobre o automobilismo, disse que o fato maior a lamentar de sua ausência no GP do Brasil de Fórmula 1 seria não poder acompanhar as disputas da Fórmula 3 - "cara, estou adorando a Fórmula 3", disse.

Na presença de Ana, sua esposa, provocou-a, dizendo que estava gostando do hospital por ali poder pedir tudo sem tomar uns tapas. "Calma, amor, você não vai me bater, né? Estou dodoi", devertiu-se. "Eu mereço isso?", reagiu a esposa, sem soltar a mão de Zoião, que segurou e acariciou durante todo o tempo de minha permanência no quarto 304 da ala C do Hospital Nossa Senhora da Salete.

Propus a ele, se achasse oportuno, gravar uma mensagem para os amigos e colegas que têm demonstrado tanto carinho e tanta preocupação. A ideia o deixou feliz, de uma maneira especial. No vídeo, feito a partir da câmera de um celular, não aparece a mão direita de Zoião, devidamente abrigada pela de Ana.

Isso aqui é para todos vocês. Ah!, e recebam, claro, o abraço mandado pelo Zoião.

Telhado de vidro

Que direito tem de reclamar do trânsito de Cascavel, por mais caótico que seja, o cidadão que, sem obstáculo nenhum, ocupa com seu espaçoso Corsa Super duas vagas na escassa área de estacionamento em pleno centro da cidade? Belo exemplo.

(Atualizado no dia 16, às 10h58:)
Segundo relatos de Rennan Grelak, que disse ter presenciado a manobra, a posição indevida do carro deve-se ao fato de, no momento do estacionamento, haver outro veículo à sua frente, o que só lhe deixou o espaço que realmente ocupou. Quando fotografei, não me pareceu caber um veículo ali à frente. De qualquer forma, qualquer eventual injustiça estará reparada.

segunda-feira, 12 de outubro de 2009

Crianças de 0 a 100

E porque hoje é o Dia da Criança, nada de considerações automobilísticas, artísticas, pau nos motoqueiros ou reclamação do vizinho idiota que põe músicas gospel pra rodar no potente som de seu Fiat e faz o quarteirão inteiro amargar seu triste repertório.

O dia é de cada um externar seu lado infantil, de viver a intensidade do sorriso de uma criança, de deixar que a existência dessas criaturinhas maravilhosas dite os rumos de uma vida que gente grande faz questão de tornar enfadonha, competitiva, acirrada, chata.

Ser criança é isso. É ignorar fatos que gente grande faz questão de converter em problemas e aproveitar o que a vida tem de melhor.

A todos, pueris de fato ou de espírito, um feliz Dia da Criança!

domingo, 11 de outubro de 2009

Mais sertanejão de primeira no Square

Ontem, curti com a patroa, no Square Bar, o show de Flávio Aquino & Gabriel. Sem surpresa, um trabalho de primeiríssima linha dos nossos amigos de Cascavel.

Hoje, é dia de voltar ao Square. De volta a Cascavel, como comentei ontem, Lincon & Luan (foto), dupla daqui que está fazendo sucesso em São Paulo. Arrepiaram, como dizem por aqui, no show de sexta à noite em Foz do Iguaçu, ontem subiram ao palco de novo, em Medianeira, cidade próxima daqui. Bochicho na cidade está forte por conta do retorno deles. Tal qual ontem, vou me deleitar vendo dois grandes amigos no palco fazendo um show legal.

Fato de inútil curiosidade. Dia desses, em São Paulo, Luan me deu uma carona até o ponto de táxi. A caminho de Congonhas, no rádio do táxi, tocava "Tcham, tcham, tcham", um dos sucessos da dupla. O taxista perguntou-me se eu gostava de música sertaneja e disse, apontando para o aparelho, que "esses caras aí estão arrebentando por aqui". Ri e respondi a ele que "o polaco que me deixou lá no seu ponto é esse que está cantando". Barbudo e de cabelos compridos, ao melhor estilo Moisés, o taxista arregalou os olhos e disse "e você não me avisa?!".

Ué, ele não perguntou...

Zoião e o time de futebol do hospital

Estive, há pouco, no Hospital Nossa Senhora da Salete, cá em Cascavel, visitando o Vanderley Soares. O nosso amigo Zoião, que vive um momento delicado por conta das complicações cardíacas que descrevi aqui na sexta-feira.

Zoião está bem. Abatido, claro, nem poderia ser diferente na condição de alguém que está internado. De fala fraca, imagino que consequência da medicação que lhe tem sido administrada para diminuir a inflamação na válvula bicúspide, e procurando manter o alto astral que lhe é marca peculiar.

Manifestei a Zoião todas as mensagens de energia positiva, de apoio, de solidariedade, que me foram encaminhadas desde seu internamento, há dois dias. Mensagens, principalmente, dos colegas do jornalismo automobilístico. Mostrou-se agradecido, e fiz questão de mudar de assunto quando percebi que começaria a se emocionar.

Enquanto conversávamos no corredor do hospital Zoião, sua esposa Ana e eu, passou por nós, a passos lentos, um paciente de origem japonesa. Sorrindo, disse-nos, sobre Zoião, que "é um menino muito divertido". Ao que respondi "o senhor tem toda razão, seu Tadashi".

Batizei o japa na hora, por brincadeira. E seu nome é, de fato, Tadashi. Zoião arquitetou com seu Tadashi e os outros quatro pacientes de sua ala a formação de um time de futebol. Seu Tadashi narrou, inclusive, que os treinos do tal time acontecerão no quarto do hospital. Tudo já arquitetado. Momentos de conversa bastante descontraída.

Esse é Zoião. Sem saber, está empreendendo um verdadeiro tratamento psicológico aos companheiros de ala. Querem saber? Apesar de toda a situação adversa, fiquei feliz demais por ter estado hoje com Zoião. Segue o mesmo de sempre.

sábado, 10 de outubro de 2009

Sertanejo de primeira linha

Atipicamente, um fim de semana bem tranquilo nas searas do automobilismo. Hoje, quase concomitantes, as etapas decisivas da Fórmula Indy, em Homestead, e da American Le Mans Series, em Laguna Seca. Já levei o televisor da sala para o quarto, vou assistir às duas.

Com poucas corridas, aproveito o fim de semana prolongado para apreciar outra coisa de que gosto bastante - música sertaneja. Sem muito trabalho, já que as duas principais duplas de Cascavel vão fazer shows aqui mesmo. E as duas na mesma casa, o Square Bar.

Mais do que assistir aos shows, será um fim des emana para ver grandes amigos em ação. Hoje, sobem ao palco Flávio Aquino & Gabriel (foto). Parceiros dos bons, os meninos animam a festa de escolha da Rainha da Expovel, essa sim devendo ser um chute nas partes. Flávio Aquino é compositor de primeira linha, já teve música rodando em novela das oito da Globo e tudo mais. As paródias deles são ótimas, também. Para os apreciadores do estilo, as músicas dos últimos discos estão disponíveis para download no site da dupla. Vale a pena.

Amanhã, mais dois amigos no palco do Square. Lincon & Luan, dupla daqui que vive desde o fim do ano em São Paulo, onde está despontando, em vários aspectos, de igual para igual com os principais nomes do gênero no país. Eles voltam aqui pro fim do mundo para três shows. Fizeram um ontem, em Foz do Iguaçu, cantam hoje em Medianeira e dão o ar da graça na véspera do feriado em Cascavel, de onde saíram no ano passado para buscarem seu espaço no cenário nacional. Estão sob o guarda-chuva da Sunshine, uma das principais empresas do ramo no país.

Bom ver os amigos da gente fazendo o que gostam e ganhando projeção com isso. Essas duas duplas merecem.

sexta-feira, 9 de outubro de 2009

O quadro clínico de Zoião

Falo, por telefone, com Clóvis Grelak, que trata no Hospital Nossa Senhora da Salete dos procedimentos exigidos para o tratamento clínico de Vanderley Soares, o Zoião.

Zoião, como relatei há pouco, deu entrada no hospital no final da manhã. Tratando-se há algumas semanas de uma inflamação cardíaca, sentiu-se mal – como já havia acontecido no fim de semana em Campo Grande, durante o evento da Stock Car – e foi levado pela esposa aos devidos cuidados médicos.

O doutor cardiologista Rainelli Pitol constatou ser de gravidade maior que a imaginada a inflamação na válvula bicúspide. Diagnosticou a necessidade de internamento imediato de Zoião.

Assim, Zoião terá de permanecer hospitalizado por quatro semanas, sob pleno monitoramento médico. Este é o período mínimo estimado pelo cardiologista para que a inflamação seja debelada a nível de garantir condições mais seguras para o procedimento cirúrgico a que Zoião terá de ser submetido, que será coordenado pelos cirurgiões cardíacos Luciano Leitão e Dantas Lima.

Doutor Pitol alertou, contudo, para o risco da inflamação tornar-se maior durante o tratamento hospitalar. Caso a gravidade da doença aumente, Zoião terá de ser submetido à cirurgia cardíaca com urgência máxima, a qualquer tempo, observando-se os riscos da tal inflamação ter efeitos mais drásticos.

É esta, colegas do jornalismo esportivo, a situação de Zoião. Repito, energia positiva de todos.

Energia positiva para o Zoião


Desde que este blog entrou no ar, penso em escrever algo a respeito de Zoião. O que não seria lá grande novidade, visto que Bruno Vicaria já o fez incontáveis vezes na Laje de Imprensa. Zoião, no meio do nosso automobilismo, é figura conhecida e querida por todos. Atende pelo nome Vanderley Soares e cativa tanto pelo extremo bom-humor quando pela prestatividade que é marca sua.

Zoião, fotógrafo de notório talento, é também gente que tem história pra contar e ser contada. Transformou em bom e divertido causo, em suas rodas, até esta foto que tiramos em Interlagos, na Pick-up Racing, por conta do despretensioso detalhe do meu cabelo. Levou um tempo até que Zoião deixasse de me tratar como "meu chifrudinho".

E chega o dia de postar algo sobre Zoião. Nada positivo, nem animador. Mas é dever meu, que estou cá mais perto de seu drama, fazê-lo ser sabido pelos colegas de profissão.

Zoião, que há algum tempo submete seu coração a tratamento médico, baixou às pressas hoje no hospital. Problemas cardíacos, tem de ser submetido a cirurgia de urgência. As informações que tenho ainda são um tanto desencontradas. Antes da intervenção cirúrgica, parece-me, é necessário um tratamento minucioso que deve levar uns 15 dias.

Os pormenores imprecisos, a bem da verdade, são irrelevantes. Fato é que Zoião está mal. Precisa de todo o nosso pensamento positivo. Enquanto preparo este pequeno recado aos colegas, atendo a vários deles no MSN, todos querendo notícias e manifestando seus bons votos à plena recuperação de Zoião.

Força, Zoião. Em dias, relato por aqui como terá sido sua plena reabilitação.

A Indy no Brasil de volta às pautas

Tomei um susto ontem à noite, quando vi, no Twitter, um recado de Américo Teixeira Júnior - que lá despacha como @dmotorsport -, confirmando que o Rio de Janeiro vai abrir o campeonato da Fórmula Indy em 2010. Ué, logo ele, Américo, que como eu e mais uma multidão duvidava incondicionalmente que a corrida fosse acontecer?

Corri ao link, claro. É esse aqui. Não traz as respostas esclarecedoras que eu esperava, não é tão definitivo. Informação, mesmo, é a escolha do local, o Rio de Janeiro, uma pista de rua improvisada no Aterro do Flamengo

Bem, Américo leva lá suas bordoadas, às vezes recebe críticas por torcer demais pelo autombilismo brasileiro - um lado seu que se manifesta em meios como o próprio Twitter, mas que não interfere nos resultados de seu trabalho como jornalista. Até mesmo quem desaprova suas posturas há de reconhecer que se Américo voltou atrás em seu descrédito e publicou que a corrida vai acontecer, confiante que é nas fontes que tem, há verdade na história.

Fico contente por Américo, pelo grande camarada que é, por ter, talvez, emplacado um considerável furo de notícia. Isso faz bem a qualquer jornalista. Fico mais contente ainda pelo Brasil. Prefiro Indy à Olimpíada, tenho minhas razões e não vamos pô-las em debate.

Bem, mas ainda falta o devido anúncio oficial. Pode rolar neste fim de semana.

quinta-feira, 8 de outubro de 2009

E na Stock, duas viram uma

Leio no site Tazio texto do "brow" Bruno Vicaria sobre o iminente fim da classe de acesso da Stock Car. A matéria apura que em 2010 a série, desde 2008 batizada Copa Vicar Stock Car, será incorporada à Pick-up Racing (foto), que oferece mais apelo comercial em decorrência do visual das caminhonetes. Mais prático lerem diretamente aqui.

Embora tenha sua lógica, a medida estudada pela Vicar torna claro que nem mesmo o evento Stock Car, o melhor do Brasil sob vários aspectos, está imune à necessidade de adequações que o momento econômico impõe a todos os setores.

Confesso curiosidade especial pelo que vai ser a temporada de 2010 no automobilismo brasileiro. Palpite meu, se qualquer fundo científico ou coisa que o valha, a Fórmula Truck pode se sobressair.

Arte para Jaime Melo

Recebi de Jaime Melo Júnior uma lembrança bem bacana de sua vitória nas 24 Horas de Le Mans deste ano. O pôster me foi trazido dos EUA por Jaime Melo pai, com a devida dedicatória-padrão. Desenhista que sou, pude notar que a composição feita a mão pelo Warrick é coisa linda.

Jaime, neste fim de semana, corre em Laguna Seca na última etapa da American Le Mans Series. É vice-líder do campeonato. Para repetir o título de 2007, precisa ganhar a corrida de amanhã, que vai ter largada às 18h45 de Brasília e duração de quatro horas. Ainda, para o bicampeonato do brasileiro, o Porsche dos líderes Jörg Bergmeister e Patrick Long tem de estar fora do grupo dos 10 primeiros na corrida.

Leva minha torcida, o Jaime. Vou passar o fim de tarde e início de noite na frente da televisão - Sérgio Lago, do Speed Channel, confirma-me que vai estar ao lado de Roberto Figueiroa na transmissão ao vivo da corrida na Califórnia.

quarta-feira, 7 de outubro de 2009

Cascavel vive outubro das duas rodas

Leio nas páginas do O Paraná relato do ex-foca Fábio Donegá sobre a vinda do Campeonato Brasileiro de Motovelocidade a Cascavel. As provas da sexta etapa vão acontecer no Autódromo Internacional Zilmar Beux no próximo dia 18. O Brasileiro terá oito categorias na pista – 125cc, 250cc, 600cc Sport, 600 Sport I, Superbike Light, Superstock e Superbike. Via de regra, todas essas subdivisões deverão totalizar algo em torno de 40 ou 50 motocas na pista, com grids compostos.

Na carona do Brasileiro, a programação oferecerá ao público a quinta etapa do Campeonato Paranaense, que teve sua sede transferida de Londrina, e também as provas da Copa APSBK. Embora haja muita confusão a esse respeito, são dois campeonatos distintos. Um, organizado pela Federação Paranaense de Motociclismo; outro, pela Associação Paranaense de Pilotos de Superbike.

Os eventos de motovelocidade, sobretudo as etapas do Brasileiro, responderam nos últimos anos pelas contagens mais numerosas de espectadores no autódromo cascavelense. O público é segmentado e participativo, e é pequena a fatia da torcida que prestigia com o mesmo fervor (ainda usam essa palavra?) os eventos da motovelocidade e do automobilismo. Desta vez, por exemplo, a galera das quatro rodas vai estar na frente da televisão acompanhando, no mesmo dia, o GP do Brasil de Fórmula 1.

Não houve, nos últimos anos, cobrança de ingresso, com campanhas para retirada de convites em concessionárias parceiras da Confederação Brasileira de Motociclismo ou apresentação de cupons disponibilizados em jornais da cidade. Desta vez, serão vendidos ingressos, a R$ 7 na compra antecipada ou a R$ 10 nos portões do autódromo. Credenciais para acesso aos boxes, segundo escreveu Donegá, vão custar 20 dinheiros.

E, em mês dedicado às duas rodas, a pista de terra existente na área interna do autódromo acolhe já neste fim de semana os pilotos do Paranaense de Motocross, para a penúltima etapa. Para uma cidade que, como dizem, nem tem autódromo, até que o calendário por aqui anda bem movimentado. E, tudo indica, com Brasileiro de Marcas & Pilotos no mês que vem.

terça-feira, 6 de outubro de 2009

Alerta de Scaglione sobre Jacarepaguá

Não existe, neste espaço aqui, qualquer pretensão de uma missão jornalística cotidiana, motivo pelo qual apenas dou os meus pitacos esporádicos sobre assuntos que, a bem da verdade, não mudam a vida de ninguém. Se mudam, é de poucos.

Ainda assim, pela relevância do assunto - o risco de destruição total do autódromo do Rio de Janeiro - e pelo fato de já tê-lo abordado por aqui mesmo dentro da minha modesta afinidade com a causa, tomo a liberdade de reproduzir, em sua íntegra, press-release que recebo do colega Américo Teixeira Júnior.

Lá vai:

“Novo autódromo do Rio só sairá do papel se houver vontade política”, alerta ex-presidente da CBA

Depois de o ex-prefeito do Rio de Janeiro, César Maia, ter dito ontem ser prioridade a construção do novo autódromo que substituirá Jacarepaguá, hoje foi a vez de Paulo Scaglione, ex-presidente da Confederação Brasileira de Automobilismo (CBA) reiterar não apenas a importância da obra, mas também as bases legais que garantem o empreendimento. Como titulares de seus respectivos cargos, Maia e Scaglione travaram um amplo duelo por ocasião dos Jogos Panamericanos, realizados em 2007 no Rio. Coube a Scaglione liderar um processo que impediu a destruição total de autódromo. Iniciado já em 2003 com conversações e culminando em ações na Justiça, o confronto teve como principal meta a preservação da prática do automobilismo.

De um lado, a gestão do prefeito Cesar Maia queria desde aquele momento utilizar toda a área de Jacarepaguá. Acabaria, pois, o autódromo. Já a gestão Scaglione entendeu ser sua obrigação intervir. E o fez com resultados práticos reconhecidos, hoje, até mesmo pelos antigos adversários Maia e Ruy Cezar, então secretário especial da Rio 2007 e atualmente ocupando a mesma função na Rio 2016. Mesmo não sendo mantido o traçado original, o autódromo continua em atividade até hoje, resguardado por um acordo judicial assinado pela prefeitura e CBA, em razão da vitória na Justiça desta última. “Aquela disputa que encampamos tinha como motivo principal a preservação da prática do esporte. Quem tem de brigar pelos autódromos sob sua jurisdição são as federações, mas aquele caso ultrapassava essa fronteira. Era a própria existência do esporte no Rio de Janeiro que estava em jogo”, explicou Scaglione.

O dirigente, que proximamente estará completando 40 anos de automobilismo, destacou que “quando assumi a presidência da CBA, a Federação do Rio de Janeiro estava tão desprestigiada que nem o Secretário de Esportes atendia o seu presidente. Havia, inclusive, impedido a realização de provas regionais no autódromo e somente passou a aceitar os pedidos expressamente feitos pela CBA”, explicou o ex-presidente. Scaglione revelou que o acordo judicial obrigava a reforma total do autódromo, tão logo se encerrassem as disputas panamericanas. Entretanto, já com o objetivo olímpico minuciosamente traçado, ficou claro para o ex-presidente que seria impossível travar uma briga contra um trio tão forte – União/Estado/Município – e muito menos demover uma decisão de governamental. Foi quando a CBA conseguiu contornar a iminente destruição de Jacarepaguá com o compromisso, estabelecido em contrato, de que a nova pista precisará ser construída, antes, para só depois Jacarepaguá servir aos compromissos olímpicos.

Tendo retomado suas funções na Federação de Automobilismo de São Paulo, agora como assessor jurídico, Paulo Scaglione adverte que há muito trabalho a fazer, embora sua gestão tenha deixado, em meados de 2008, inclusive um contrato assinado entre CBA, Ministério do Esporte, Prefeitura e Estado do Rio de Janeiro. “O contrato é uma realidade, mas somente com vontade política o novo autódromo sairá do papel. Agora, se a entidade estadual e a CBA não se movimentarem para que se cumpra o contrato, é real o risco de Jacarepaguá ir ao chão e não existir um autódromo novo. Os novos dirigentes devem deixar as vaidades de lado e trabalhar com a realidade”, alerta o ex-presidente Paulo Scaglione.


Em tempo: como ainda não aprendi como indicar legendas aqui, cito que a foto acima foi produzida por Vinicius Nunes em um evento que teve como pano de fundo a defesa da manutenção da estrutura em Jacarepaguá. Mostra Paulo Scaglione ao lado de Nelson Piquet - que inclusive empresta seu nome ao autódromo.

Enfim, independente da posição política da qual se o observa, Paulo Scaglione é homem com pleno conhecimento de causa e suas considerações a respeito do assunto devem, no mínimo, ser observadas. Ele garantiu, dentre outras coisas, a manutenção da atividade automobilística em Jacarepaguá, conforme o próprio Américo Teixeira Júnior esmiúça nesta matéria aqui, publicada em seu "Diário Motorsport".

Duvido muito, como a grande maioria, que o Rio vá ganhar um novo autódromo. Mas, se há prerrogativas para que o assunto seja tratado, elas passam pelo trabalho do advogado paulista quando presidente da CBA. Seu recado está dado.