Ingo Hoffmann, maior de todos os vencedores da história da Stock Car, também tem sua carreira marcada por uma passagem pelo Mundial de Fórmula 1Quando um piloto começa sua carreira fora do kart, seu pensamento normalmente fica em se tornar um piloto de Fórmula 1 algum dia. O caminho é árduo, duro e às vezes injusto, pois a vaga nem sempre depende do talento. E quem pode contar muito bem como é esse caminho são os três pilotos que já passaram por lá e hoje fazem parte do esquadrão da Stock Car: Antonio Pizzonia, Luciano Burti e Ricardo Zonta.
Dos três, o amazonense Pizzonia foi o último a fazer parte da F-1. Pilotando pela Williams numa época em que a equipe começava um descenso, o "Jungle Boy", apelido que tinha na Europa, entrou substituindo o lesionado Ralf Schumacher após seu acidente no GP dos Estados Unidos em 2004. Após a F-1, além de correr em categorias paralelas como a Champ Car, A1 GP e GP2, estreou na Stock Car em 2007 pela Win Motorsport. Mas foi pela equipe de Amir Nasr foi onde os resultados começaram a surgir, em 2009.
Pizzonia comentou que não é só porque já pilotou na Fórmula 1 que o caminho é fácil. "Claro, um piloto que atinge a Fórmula 1 tem um talento alto, mas o contrário também é verdadeiro. Não é porque um piloto que não foi para Fórmula 1 que ele é ruim, muito pelo contrário, a grande maioria dos pilotos da Stock Car tem um nível muito alto. A categoria, sem sombra de dúvidas, tem um dos grids com os melhores pilotos do mundo", disse Pizzonia, que completou comentando como foi a adaptação aos carros de turismo.
"Antes da Stock, eu nunca tinha realmente disputado um campeonato em carros de turismo. É um baque, pois o comportamento e o peso do carro é muito diferente. Gasta-se muito tempo praticamente reaprendendo a pilotar, tamanha a mudança", revelou Pizzonia, piloto da Comprafacil.com/JF Racing, que na temporada de 2012 está com 42 pontos no campeonato ocupando a 15ª posição.
Burti, que entrou na F-1 e na Stock Car antes de Pizzonia, mantém um posicionamento semelhante ao colega no quesito diferença de pilotagem. Para o piloto da Itaipava Racing Team, apesar de toda eletrônica embarcada num Stock Car, a dificuldade de manter um carro desse na pista é bem mais complicado que com um monoposto. “Se tem uma palavra que pode definir o carro da Stock, essa é a expressão “bruto”. Arisco, acelerar esse carro em condições adversas, como na chuva, é uma verdadeira complicação. São 500 cavalos distribuídos em um chassi tubular de quase 2 toneladas”, diz.
Zonta foi o único que já pilotou categorias de monocoque fechado, como o Mundial de GT1 e as 24 Horas de Le Mans. Desde 2007 na Stock Car, está tendo um ano complicado e soma 33 pontos, suficientes para ocupar a 20ª posição no campeonato.
A lista de ex-pilotos de Fórmula 1 que passaram pela Stock Car é extensa. Além de Pizzonia, Zonta e Burti, foram outros sete nomes. Raul Boesel tem uma história singular com a categoria. Disputou a primeira temporada, em 1979, foi eleito revelação do ano e partiu para a Europa. Correu na Fórmula 1 em 1982, pela March, e em 1983, pela Ligier. Depois de anos de destaque na Fórmula Indy, voltou à Stock em 2001 e ficou até 2008.
Ingo Hoffmann teve uma trajetória inversa. Participou de seis GPs de F-1 pela Copersucar-Fittipaldi, entre 1976 e 1977, e sem sucesso na Europa voltou ao Brasil. Na Stock, construiu uma carreira de sucesso, com 12 títulos e 76 vitórias até a aposentadoria, em 2008.
Chico Serra correu na F-1 em 1981 e 1982 pela Fittipaldi e fez três corridas pela Arrows em 1983. Na Stock Car, foi tricampeão na transição dos anos 90 para a década passada. Competiu até 2007 e voltou em 2009 para mais um campeonato.
Piloto da F-1 de 1992 a 1994, com passagens pelas equipes Minardi e Footwork, Christian Fittipaldi foi outro que teve passagem pela Stock Car. Teve várias participações entre 2004 e 2011.
Enrique Bernoldi, que participou do Mundial de F-1 em 2001 e em parte do campeonato de 2002 pela Arrows, disputou duas temporadas na Stock Car. Em 2007, o paranaense defendeu a equipe Action Power. Em 2009, foi piloto da RCM.
Também paranaense, Tarso Marques participou de 24 GPs em 1996, 1997 e 2001, sempre pela Minardi. Na Stock, competiu de 2006 a 2009. Outro ex-Fórmula 1 com passagem pela categoria nacional é Jacques Villeneuve. Campeão mundial em 1996, o canadense participou no ano passado, como convidado especial, da “Corrida do Milhão”, em Interlagos.







Em sentido horário, a partir da primeira foto lá em cima, os ex-pilotos de Fórmula 1 que já atuaram ou atuam na Stock Car: Chico Serra, Tarso Marques com Jacques Villeneuve, Christian Fittipaldi, Raul Boesel, Antonio Pizzonia, Luciano Burti, Ricardo Zonta e Enrique BernoldiLEIA TAMBÉM:
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